{"id":18215,"date":"2011-10-06T10:21:00","date_gmt":"2011-10-06T10:21:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=18215"},"modified":"2011-10-06T10:21:00","modified_gmt":"2011-10-06T10:21:00","slug":"orgulho-e-desumanidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/orgulho-e-desumanidade\/","title":{"rendered":"Orgulho e desumanidade"},"content":{"rendered":"<p>Quest\u00f5es Sociais <!--more--> As pol\u00edticas sociais deram um contributo extraordin\u00e1rio para a melhoria do bem-estar do povo, sobretudo a partir do s\u00e9culo XX. No entanto, ao mesmo tempo, alimentaram um orgulho e desumanidade impressionantes, que t\u00eam resistido a todas as mudan\u00e7as pol\u00edticas.<\/p>\n<p>O orgulho e a desumanidade v\u00eam-se traduzido, h\u00e1 muito, em duas ambi\u00e7\u00f5es desmedidas: Uma presun\u00e7osa omnipot\u00eancia para a solu\u00e7\u00e3o dos problemas sociais; e uma presun\u00e7osa omnisci\u00eancia para o seu conhecimento. A fus\u00e3o destas duas presun\u00e7\u00f5es acha-se consagrada na ilus\u00e3o do \u00abEstado-provid\u00eancia\u00bb, como se ele fosse um verdadeiro Deus. Ao contr\u00e1rio do recurso \u00e0 designa\u00e7\u00e3o megal\u00f3mana \u00abEstado-provid\u00eancia\u00bb, alguns autores optaram por outras mais modestas, como por exemplo \u00abEstado social\u00bb ou \u00abEstado de bem-estar\u00bb. <\/p>\n<p>Com a presun\u00e7\u00e3o de omnipot\u00eancia, o Estado apresenta-se como solucionador de todos os problemas sociais; e, com a presun\u00e7\u00e3o de omnisciente, apresenta-se como detentor de toda a informa\u00e7\u00e3o sobre eles. Enquanto \u00abomnipotente\u00bb, menospreza os agentes sociais considerados inferiores, em especial a entreajuda e o voluntariado de proximidade; e &#8211; pior ainda &#8211; abandona quem precida do apoio destes agentes. Enquanto \u00abomnisciente\u00bb, menospreza o conhecimento que prov\u00e9m desses mesmos agentes \u00abinferiores\u00bb; e &#8211; pior do que isso &#8211; menospreza a pr\u00f3pria realidade, substituindo-a por abstrac\u00e7\u00f5es estat\u00edsticas ou de outra natureza.<\/p>\n<p>O orgulho e a desumanidade tanto se observam nas for\u00e7as de governa\u00e7\u00e3o como nas de oposi\u00e7\u00e3o. A \u00abomnipot\u00eancia\u00bb dos governos traduz-se na exibi\u00e7\u00e3o do seu poder para a solu\u00e7\u00e3o dos problemas; e a \u00abomnipot\u00eancia\u00bb das oposi\u00e7\u00f5es traduz-se na afirma\u00e7\u00e3o de que ela \u00e9 superior \u00e0 dos governos. A omnisci\u00eancia dos governos e das oposi\u00e7\u00f5es traduz-se num jogo permanente de oculta\u00e7\u00e3o e desoculta\u00e7\u00e3o de problemas sociais: Nesse jogo, os governos procuram demonstrar que a situa\u00e7\u00e3o social n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o grave como se diz; e as oposi\u00e7\u00f5es comprazem-se em demonstrar exactamente o contr\u00e1rio. Entretando, as pessoas necessitadas e a entreajuda e o voluntariado de proximidade v\u00e3o sendo marginalizados e ignorados tanto pelos governos como pelas oposi\u00e7\u00f5es. <\/p>\n<p>Haver\u00e1 sa\u00edda para esta marginaliza\u00e7\u00e3o e ignor\u00e2ncia opressivas? A sociedade e o Estado ser\u00e3o capazes de inflectir t\u00e3o nefanda tend\u00eancia? &#8211; Infelizmente, n\u00e3o existem motivos suficientes para esperarmos que isso aconte\u00e7a; nem a pr\u00f3pria crise suscitou, at\u00e9 agora, movimentos consistentes a favor da verdade e da humaniza\u00e7\u00e3o sociais&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quest\u00f5es Sociais<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-18215","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18215","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18215"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18215\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18215"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18215"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18215"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}