{"id":18230,"date":"2011-10-12T09:57:00","date_gmt":"2011-10-12T09:57:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=18230"},"modified":"2011-10-12T09:57:00","modified_gmt":"2011-10-12T09:57:00","slug":"rafael-arnaiz-mistico-do-seeculo-xx","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/rafael-arnaiz-mistico-do-seeculo-xx\/","title":{"rendered":"Rafael Arn\u00e1iz, m\u00edstico do se\u00e9culo XX"},"content":{"rendered":"<p>Morreu aos 27 anos, sem nunca ter professado como monge trapista, como tanto desejava. Deixou muitos pensamentos escritos que o revelam como m\u00edstico.<\/p>\n<p>As estrelas da m\u00fasica pop morrem aos 27 anos para se tornarem mitos. Janis Joplins, Kurt Corbain e mais recentemente Amy Winehouse n\u00e3o sobreviveram \u00e0 fat\u00eddica idade, geralmente v\u00edtimas de excessos. Rafael Arn\u00e1iz tamb\u00e9m n\u00e3o passou dos 27 anos. Morreu no m\u00eas em que os completou, Abril de 1938. Mas o seu excesso n\u00e3o esteve em subst\u00e2ncias ou comportamentos desviantes. Se algum excesso teve, foi Deus, causa e meta de toda a sua vida, raz\u00e3o pelo qual o recordamos como um dos grandes m\u00edsticos do s\u00e9culo XX, embora quase desconhecido no nosso pa\u00eds.<\/p>\n<p>O Irm\u00e3o Rafael morreu como oblato do mosteiro de S. Isidro de Due\u00f1as, em Pal\u00eancia, ap\u00f3s v\u00e1rias complica\u00e7\u00f5es associadas a diabetes fulminante. A vida de monge foi breve, apenas quatro anos entrecortados por sa\u00eddas do mosteiro por causa da doen\u00e7a, mas intensa. Nunca chegou a professar como trapense nem foi ordenado padre, tendo morrido como simples oblato, mas deixou escritos milhares de pensamentos, pequenos trechos (publicados em portugu\u00eas sob o t\u00edtulo \u201cSaber esperar\u201d, nas edi\u00e7\u00f5es Paulinas), e mem\u00f3rias profundas nos colegas de mosteiro, alguns deles ainda vivos, como Fr. Maria Dami\u00e1n Y\u00e1\u00f1ez Neira, que est\u00e1 no Mosteiro de Oseira, em Orense.<\/p>\n<p>Rafael Arn\u00e1iz B\u00e1ron nasceu no dia 9 de Abril de 1911, no seio de uma fam\u00edlia cat\u00f3lica bem cotada na cidade de Burgos. Os primeiros anos de escola foram passados com os padres jesu\u00edtas. Teve mais tr\u00eas irm\u00e3os e dois deles seguiram caminhos de consagra\u00e7\u00e3o. Lu\u00eds Fernando foi para a Cartuxa de Miraflores e Mercedes para as religiosas Ursulinas.<\/p>\n<p>Ainda na inf\u00e2ncia, teve uma doen\u00e7a grave que obrigou a suspender os estudos. Ap\u00f3s o restabelecimento, foi com a fam\u00edlia ao Santu\u00e1rio da Virgem do Pilar, em Sarago\u00e7a, facto que mais tarde recordaria como o momento em que se apercebeu da \u201csingular predilec\u00e7\u00e3o\u201d da M\u00e3e de Jesus pela sua \u201calma inocente\u201d.<\/p>\n<p>A fam\u00edlia muda-se para Oviedo, em 1923, e Rafael prossegue os estudos. Quer seguir arquitectura e entra na faculdade, em Madrid. Interrompe o curso por causa do servi\u00e7o militar e regressa \u00e0 faculdade, mas em Julho de 1932 faz um retiro no Mosteiro de S. Isidro de Due\u00f1as e fortalece-se a convic\u00e7\u00e3o de que quer ser monge trapista. A decis\u00e3o, embora surgisse no seio de uma fam\u00edlia cat\u00f3lica, surpreendeu a sociedade de Oviedo, onde o pai era engenheiro florestal e a m\u00e3e colaboradora na imprensa como cr\u00edtica de arte. Rafael escreve: \u201cN\u00e3o me move para fazer esta mudan\u00e7a de vida nem tristezas, nem sofrimentos, nem desilus\u00f5es, nem desenganos do mundo. Tenho tudo o que o mundo me pode dar. Deus, na sua infinita bondade, deu-me na vida muito mais do que mere\u00e7o\u201d.<\/p>\n<p>No mosteiro, mostrou viver em grande felicidade com o seu h\u00e1bito, o coro, os novi\u00e7os e oblatos, a sua \u201camada comunidade\u201d. A doen\u00e7a, no entanto, n\u00e3o permitiu que realizasse o sonho de ser monge. Escreve Fr. Maria Dami\u00e1n Y\u00e1\u00f1ez Neira, companheiro de ent\u00e3o: \u201cEle deu-se conta dos planos divinos mas, n\u00e3o obstante, a sua resposta foi \u00abfidelidade total\u00bb e isso levou-o ao m\u00e1ximo da perfei\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Rafael Arn\u00e1iz morreu na manh\u00e3 de 26 de Abril de 1938 e est\u00e1 sepultado no mosteiro onde n\u00e3o chegou a professar. Em 1989, na Jornada Mundial da Juventude de Compostela, Jo\u00e3o Paulo II disse que este jovem podia ser tomado como um dos grandes modelos da juventude. Beatific\u00e1-lo-ia em Roma, passados tr\u00eas anos. Bento XVI canonizou-se em 2009, afirmando: \u201cEstando pr\u00f3ximo de n\u00f3s, continua a oferecer-nos com o seu exemplo e com as suas obras um caminho atraente, sobretudo para os jovens que n\u00e3o se conformam com pouco, mas que aspiram \u00e0 plena verdade, \u00e0 mais indiz\u00edvel alegria, que se alcan\u00e7a pelo amor a Deus. \u00abVida de amor&#8230; Eis a \u00fanica raz\u00e3o de viver\u00bb, diz o novo santo. E insiste: \u00abDo amor de Deus tudo prov\u00e9m\u00bb\u201d.<\/p>\n<p>J.P.F.<\/p>\n<p>Datas do Irm\u00e3o Rafael<\/p>\n<p>1911 \u2013 9 de Abril. Nasce em Burgos<\/p>\n<p>1923 \u2013 A sua fam\u00edlia muda-se para Oviedo, nas Ast\u00farias<\/p>\n<p>1929 \u2013 Termina o ensino secund\u00e1rio e ingressa na Faculdade de Arquitectura de Madrid<\/p>\n<p>1932 \u2013 Cumpre o servi\u00e7o militar<\/p>\n<p>1934 \u2013 16 de Janeiro. Ingressa na Trapa de S. Isidro de Due\u00f1as, em Pal\u00eancia<\/p>\n<p>1937 \u2013 Outono. Depois de v\u00e1rias sa\u00eddas e entradas, entra pela \u00faltima vez na Trapa<\/p>\n<p>1938 \u2013 26 de Abril. Morre pouco depois de cumprir 27 anos<\/p>\n<p>1982 \u2013 Milagre para a beatifica\u00e7\u00e3o. Cura da jovem C\u00e1rnen Arg\u00fcelle Merino, gravemente ferida no c\u00e9rebro<\/p>\n<p>1992 \u2013 27 de Setembro. Beatifica\u00e7\u00e3o em Roma, por Jo\u00e3o Paulo II<\/p>\n<p>2000 \u2013 Milagre para a canoniza\u00e7\u00e3o. Cura da jovem madrilena Bego\u00f1a L\u00e9on Alonso, ap\u00f3s complica\u00e7\u00f5es num parto por cesariana<\/p>\n<p>2009 \u2013 11 de Outubro. Canoniza\u00e7\u00e3o por Bento XVI, em Roma<\/p>\n<p>Dos escritos de Rafael Arn\u00e1iz<\/p>\n<p>Se estivesse \u00e0 fresca sombra de um choupo\u2026<\/p>\n<p>Hoje fomos atar feixes de trigo&#8230; Fazia bastante calor, e o lugar do trabalho encontra-se a um par de quil\u00f3metros do mosteiro&#8230; Uma coisa \u00e9 comer p\u00e3o e outra \u00e9 andar entre os trigais, no m\u00eas de Agosto. S\u00e3o t\u00e3o grossos os nossos h\u00e1bitos&#8230; Com umas cal\u00e7as brancas e uma camisa, talvez estivesse bem&#8230;, claro que \u00e0 sombra e a tomar refrescos&#8230;<\/p>\n<p>Isto do Sol&#8230;, das \u201cmesses doiradas\u201d&#8230;, do humilde segador&#8230;, \u00e9 muito bonito para que haja versos de Gabriel y Gal\u00e1n&#8230;, e l\u00ea-los logo, \u00e0 fresca sombra de um choupo&#8230; Caramba&#8230;, caramba com as \u201cmesses doiradas\u201d. Enfim, menos mal que tudo isto do trigo e dos feixes \u00e9 uma coisa muito b\u00edblica&#8230;, e sempre \u00e9 uma consola\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Eu n\u00e3o tenho import\u00e2ncia<\/p>\n<p>Posso dizer que, no amor \u00e0 Cruz de Cristo, encontrei a verdadeira felicidade, e sou feliz, absolutamente feliz, como ningu\u00e9m pode suspeitar, quando me abra\u00e7o \u00e0 ensanguentada Cruz, e vejo que Jesus me quer, e que Maria tamb\u00e9m me quer, apesar das minhas mis\u00e9rias, das minhas neglig\u00eancias, dos meus pecados. Mas eu n\u00e3o tenho import\u00e2ncia. S\u00f3 Deus!<\/p>\n<p>Estando pr\u00f3ximo de n\u00f3s, continua a oferecer-nos com o seu exemplo e com as suas obras um caminho atraente, sobretudo para os jovens que n\u00e3o se conformam com pouco, mas que aspiram \u00e0 plena verdade, \u00e0 mais indiz\u00edvel alegria. Bento XVI<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Morreu aos 27 anos, sem nunca ter professado como monge trapista, como tanto desejava. 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