{"id":18236,"date":"2011-10-06T09:54:00","date_gmt":"2011-10-06T09:54:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=18236"},"modified":"2011-10-06T09:54:00","modified_gmt":"2011-10-06T09:54:00","slug":"modelador-ceramico-silverio-damas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/modelador-ceramico-silverio-damas\/","title":{"rendered":"Modelador cer\u00e2mico Silv\u00e9rio Damas"},"content":{"rendered":"<p>Aveirenses Esquecidos <!--more--> A F\u00e1brica Jer\u00f3nimo Pereira Campos foi, durante meio s\u00e9culo, a \u201csegunda casa\u201d de Silv\u00e9rio Damas. Nesta empresa onde entrou como aprendiz e saiu mestre.<\/p>\n<p>Silv\u00e9rio Damas nasceu em \u00cdlhavo, terra onde sempre residiu, ainda que, por motivos profissionais, se tenha deslocado frequentemente para outras cidades portuguesas, nomeadamente Lisboa e Viana do Castelo. Faleceu no ano de 1999, com a idade de 88 anos.<\/p>\n<p>Como era usual no primeiro quartel do s\u00e9culo XX, tamb\u00e9m Silv\u00e9rio Damas iniciou muito cedo a aprendizagem de uma profiss\u00e3o. Por isso, com dez anos de idade estava j\u00e1 na F\u00e1brica Jer\u00f3nimo Pereira Campos, empresa que ent\u00e3o ocupava o edif\u00edcio que hoje alberga o Centro Cultural e de Congressos de Aveiro e o Instituto de Emprego e Forma\u00e7\u00e3o Profissional de Aveiro.<\/p>\n<p>\u201cO meu av\u00f4, quando come\u00e7ou a trabalhar na F\u00e1brica Jer\u00f3nimo Pereira Campos, primeiro foi mo\u00e7o de recados, depois passou a trabalhar com barro e a ajudar a carregar barro\u201d, refere Rosa Lurdes Vieira Damas, neta de Silv\u00e9rio Damas. \u201cComo o meu av\u00f4 tinha muito jeito para o desenho, come\u00e7ou tamb\u00e9m a desenhar e a fazer figuras em barro. A partir da\u00ed, toda a sua vida foi a fazer modela\u00e7\u00e3o em barro e em gr\u00e9s\u201d, prossegue.<\/p>\n<p>Arte na F\u00e1brica Campos <\/p>\n<p>Apesar da maioria dos aveirenses actuais associar a F\u00e1brica Jer\u00f3nimo Pereira Campos \u00e0 ind\u00fastria do barro vermelho, nomeadamente \u00e0 manufactura de telhas, tijolos e artigos afins, o certo \u00e9 que naquele tempo, nessa unidade fabril tamb\u00e9m se executavam pe\u00e7as art\u00edsticas, muitas das quais obras escult\u00f3ricas \u00fanicas. Nesse tempo, a par da modelagem de pe\u00e7as \u00fanicas, naquela antiga f\u00e1brica tamb\u00e9m se faziam pe\u00e7as decorativas a partir de moldes, os quais eram feitos em gr\u00e9s ou em barro, entre os quais, os criados por Silv\u00e9rio Damas.<\/p>\n<p>Entre Aveiro e Viana<\/p>\n<p>A neta do artista recorda que o seu av\u00f4 concebeu muitas pe\u00e7as \u00fanicas, \u201cmuitas delas encomendadas por entidades, nomeadamente escolas, como aconteceu com a Escola Comercial e Industrial de Aveiro, que actualmente \u00e9 a Escola Secund\u00e1ria Dr. M\u00e1rio Sacramento. Nesta escola h\u00e1 algumas pe\u00e7as \u00fanicas feitas pelo meu av\u00f4, Silv\u00e9rio Vieira Damas\u201d.<\/p>\n<p>Nessa \u00e9poca, a empresa Jer\u00f3nimo Pereira Campos tamb\u00e9m possu\u00eda uma outra f\u00e1brica em Viana do Castelo, \u00e0 qual Silv\u00e9rio Damas se deslocava frequentemente para ensinar a fazer mistura dos barros, em especial nos que eram usados na F\u00e1brica de Lou\u00e7as de Viana.    <\/p>\n<p>Na \u00e1rea da modelagem art\u00edstica, Silv\u00e9rio Damas foi um autodidacta. Aprendeu \u00e0 sua custa enquanto funcion\u00e1rio da F\u00e1brica Jer\u00f3nimo Pereira Campos. Em hor\u00e1rio p\u00f3s-laboral, estudou na antiga Escola Comercial e Industrial de Aveiro, onde tirou o curso industrial.<\/p>\n<p>Esp\u00f3lio doado <\/p>\n<p>ao Museu de \u00cdlhavo<\/p>\n<p>Nas antigas instala\u00e7\u00f5es do Museu de \u00cdlhavo tamb\u00e9m havia v\u00e1rias pe\u00e7as da autoria de Silv\u00e9rio Damas, recorda a neta. Rosa Lurdes Vieira Damas revela que em sua casa existe um consider\u00e1vel esp\u00f3lio de desenhos e pe\u00e7as criadas pelo seu av\u00f4, obras que foram doadas ao Museu de \u00cdlhavo. \u201cNo entanto, este museu ainda n\u00e3o conseguiu arranjar um local para guardar essas pe\u00e7as, pelo que continuamos a aguardar que nos digam alguma coisa sobre o assunto\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Depois de se reformar, aos 75 anos de idade, Silv\u00e9rio Damas n\u00e3o abandonou a arte da modelagem e da cer\u00e2mica, passando ent\u00e3o \u201ca dar algumas aulas de forma\u00e7\u00e3o na Cer\u00e2mica Santo Ant\u00f3nio, em Esgueira, onde ensinou v\u00e1rios alunos a modelar barro, a fazer azulejo, a modelar em alto e em baixo relevo\u201d. Nessa antiga olaria, Silv\u00e9rio Damas trabalhou com Fernando Jos\u00e9 Morgado, artista pl\u00e1stico ilhavense que actualmente \u00e9 tamb\u00e9m formador cer\u00e2mico no CEARTE (no Centro de Emprego e Forma\u00e7\u00e3o Profissional de Aveiro). Neste momento, ainda h\u00e1 alguns antigos formandos de Silv\u00e9rio Damas que se mant\u00eam activos na \u00e1rea da cer\u00e2mica.<\/p>\n<p>A par da Cer\u00e2mica Santo Ant\u00f3nio, Silv\u00e9rio Damas tamb\u00e9m trabalhou na oficina e ateli\u00ea de Jorge Corte Real, que existiu no Bairro do Liceu, sobretudo na produ\u00e7\u00e3o de azulejos decorativos em alto-relevo.<\/p>\n<p>O \u00fanico filho de Silv\u00e9rio Damas n\u00e3o seguiu as pisadas do pai, tal como aconteceu com as suas duas netas. Um dos bisnetos gosta muito de trabalhos artesanais, incluindo em barro, mas s\u00f3 \u201cfaz bricolage por desporto\u201d.<\/p>\n<p>Cardoso Ferreira<\/p>\n<p>Vasta interven\u00e7\u00e3o c\u00edvica e cultural<\/p>\n<p>Durante muitos anos, no per\u00edodo que antecedeu o 25 de Abril de 1974, Silv\u00e9rio Damas foi presidente do Sindicato de Cer\u00e2mica e presidiu tamb\u00e9m \u00e0 Federa\u00e7\u00e3o das Caixas de Previd\u00eancia, ent\u00e3o sedeada em Lisboa. \u201cO meu av\u00f4 sempre puxava tudo para os trabalhadores\u201d, recorda a sua neta. Por esse motivo, deslocava-se frequentemente a Lisboa, embora sempre tenha residido em \u00cdlhavo e trabalhado em Aveiro.<\/p>\n<p>A n\u00edvel cultural, Silv\u00e9rio Damas fez parte do Coro dos Bombeiros Volunt\u00e1rios de \u00cdlhavo, de uma banda e de um grupo de teatro que existiu em \u00cdlhavo, tendo tamb\u00e9m organizado in\u00fameras excurs\u00f5es tur\u00edsticas, culturais e religiosas (sobretudo a F\u00e1tima), e foi ainda s\u00f3cio benem\u00e9rito da Santa Casa da Miseric\u00f3rdia de \u00cdlhavo.<\/p>\n<p>Silv\u00e9rio Damas tamb\u00e9m se interessou pelo desporto, tendo sido durante muito tempo o s\u00f3cio mais antigo do Beira-Mar (n\u00famero 27). Foi tamb\u00e9m s\u00f3cio do Illiabum Clube.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aveirenses Esquecidos<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-18236","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-destaque"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18236","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18236"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18236\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18236"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18236"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18236"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}