{"id":18265,"date":"2011-10-12T10:44:00","date_gmt":"2011-10-12T10:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=18265"},"modified":"2011-10-12T10:44:00","modified_gmt":"2011-10-12T10:44:00","slug":"resistencias-a-mudanca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/resistencias-a-mudanca\/","title":{"rendered":"Resist\u00eancias \u00e0 mudan\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p>Quem anda atento \u00e0s mudan\u00e7as sociais e culturais e n\u00e3o se esquece que a Igreja est\u00e1 ao servi\u00e7o da sociedade e das pessoas tem consci\u00eancia de que muitas coisas t\u00eam de mudar na ac\u00e7\u00e3o pastoral. Nem sempre as mudan\u00e7as s\u00e3o aquelas de que as pessoas falam, movidas por raz\u00f5es sopradas e pouco sabedoras do que na Igreja \u00e9 essencial.<\/p>\n<p>O conc\u00edlio Vaticano II foi o acontecimento com maior for\u00e7a propulsora da mudan\u00e7a a operar-se na Igreja. Realizou-se para isso mesmo, segundo os objectivos anunciados por Jo\u00e3o XXIII, que queria n\u00e3o a continua\u00e7\u00e3o de uma Igreja clerical, mas o surgir de uma Igreja Povo de Deus, marcada pela Comunh\u00e3o e pela Miss\u00e3o. Uma Igreja capaz de entender a sociedade e de dialogar com ela sobre o des\u00edgnio de Deus a operar-se na hist\u00f3ria humana. Uma aut\u00eantica mudan\u00e7a que toca em conceitos e crit\u00e9rios, em atitudes e projectos. <\/p>\n<p>N\u00e3o era f\u00e1cil a convers\u00e3o, sobretudo dos que, embrenhados nas estruturas e nos modelos tradicionais, teriam sempre grande dificuldade em se libertarem para poderem adquirir a liberdade interior sem a qual n\u00e3o s\u00e3o poss\u00edveis as verdadeiras mudan\u00e7as. Quem viveu o antes do Conc\u00edlio, e logo o seu depois, entende estas dificuldades porque as sentiu. Destes, os primeiros, dependia muito o rumo e o impulso conciliar. Foi-se, por\u00e9m, pelo mais f\u00e1cil e espectacular, passou-se, em muitos casos, ao lado dos grandes apelos \u00e0 convers\u00e3o, sossegou-se a consci\u00eancia pensando que os outros \u00e9 que tinham de mudar, deu-se lugar a superficialidades que n\u00e3o seriam in\u00f3cuas, p\u00f4s-se patine em muitas coisas velhas. O ambiente era de cristandade e mera conserva\u00e7\u00e3o, com senten\u00e7a de morte anunciada a partir dele pr\u00f3prio, pensando-se, logicamente, que n\u00e3o sobreviveria. Acabou por ser ele mesmo marcar o ritmo da anti mudan\u00e7a. Com tudo isto, andou-se para tr\u00e1s e deram-se muitos passos em v\u00e3o.<\/p>\n<p>Bento XVI disse, recentemente, na Alemanha, que, na Igreja, \u201ch\u00e1 mundo a mais e Esp\u00edrito a menos\u201d. E falou que, sem a convers\u00e3o profunda do Papa, dos bispos e padres, dos religiosos e leigos, de toda a Igreja, n\u00e3o haver\u00e1 mais lugar para o Esp\u00edrito. Mundo a mais, quer dizer que os crit\u00e9rios profano e as preocupa\u00e7\u00f5es temporais se sobrep\u00f5em \u00e0 mo\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito, o \u00danico que pode dar a vida.  <\/p>\n<p>O Conc\u00edlio foi uma lufada de ar fresco para a Igreja, que tanto pode perdurar ainda, como ter sido esquecido uma mera recorda\u00e7\u00e3o. Os textos conciliares deixaram de ser lidos, meditados, entendidos como rumo e caminho. Muita gente da Igreja voltou \u00e0 velha rotina, a programar para conservar, sem se interrogar se por a\u00ed pode alguma vez passar o vento da renova\u00e7\u00e3o pastoral. Os esquemas pastorais, a utiliza\u00e7\u00e3o dos recursos humanos e materiais, a linguagem, mesmo com as novas t\u00e9cnicas, parecem permanecer ao servi\u00e7o de um passado que nada diz \u00e0s pessoas de hoje. A maioria destas teve acesso generalizado ao ensino, experimentou a democracia, tomou consci\u00eancia do seu valor como pessoa, sente o direito e o dever de participar. Os tempos de cristandade sempre de sabor clerical. Por isso est\u00e3o desadequados e fora do tempo. Teimar neles \u00e9 produzir o v\u00e1cuo religioso e eclesial, continuar a construir muros que dividem e valas intranspon\u00edveis. O problema n\u00e3o est\u00e1 em sentir a dificuldade das mudan\u00e7as que se imp\u00f5em, mas em teimar em n\u00e3o querer, nem procurar caminhos novos que permitam os rumos novos que urgem na Igreja.<\/p>\n<p>Os decisores eclesiais, mesmo quando inovam, est\u00e3o rodeados de caminhos de trope\u00e7os que n\u00e3o os deixam andar. Uns inc\u00f3modos, outros acarinhados. Uns doem, outros agradam. Estes trope\u00e7os, tanto se chamam grupos corporativos, como costumes, bairrismos impens\u00e1veis, \u00e2nsia de honras e vaidades, que o Conci\u00edlio execrou mas que continuam a prodigalizar-se. N\u00e3o se entende, quando o grito evangelizador \u00e9 insistente, que se perca tempo e se desgastem energias em banalidades e disputas que cheiram a mofo e sujam a imagem da Igreja.<\/p>\n<p>As maiores recrimina\u00e7\u00f5es de Cristo foram feitas aos conservadores interessados do seu tempo, que n\u00e3o queriam andar, nem deixavam que outros andassem. Parece que a hist\u00f3ria se repete, com preju\u00edzo irrepar\u00e1vel das pessoas e da sociedade. Ao repensar a ac\u00e7\u00e3o da Igreja hoje, h\u00e1 que estar atento porque, em alguns casos, os falar-se de renova\u00e7\u00e3o e ao dar exemplo de coisas novas, o horizonte \u00e9 muito curto, o que n\u00e3o admira pelo pouco que se estuda, l\u00ea e reflecte, se escuta, avalia e inova. Os que querem de verdade s\u00e3o sonhadores e ut\u00f3picos. Os que parece que querem s\u00e3o agentes promovidos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quem anda atento \u00e0s mudan\u00e7as sociais e culturais e n\u00e3o se esquece que a Igreja est\u00e1 ao servi\u00e7o da sociedade e das pessoas tem consci\u00eancia de que muitas coisas t\u00eam de mudar na ac\u00e7\u00e3o pastoral. 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