{"id":18277,"date":"2011-10-19T09:45:00","date_gmt":"2011-10-19T09:45:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=18277"},"modified":"2011-10-19T09:45:00","modified_gmt":"2011-10-19T09:45:00","slug":"princesa-santa-joana-ha-trezentos-anos-venerada-num-precioso-mausoleu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/princesa-santa-joana-ha-trezentos-anos-venerada-num-precioso-mausoleu\/","title":{"rendered":"Princesa Santa Joana h\u00e1 trezentos anos venerada num precioso mausol\u00e9u"},"content":{"rendered":"<p>No dia 23 de Outubro de 1771, os restos mortais de Santa Joana form trasladados para o t\u00famulo desenhado por Jo\u00e3o Antunes. Monsenhor Jo\u00e3o Gaspar assinala com este texto o tricenten\u00e1rio de um acontecimento marcante na ent\u00e3o vila de Aveiro.<\/p>\n<p>Em 1595-1597 e em 1599-1602, exerceu o cargo de prioresa do Mosteiro de Jesus, em Aveiro, a madre In\u00eas de Jesus ou de Noronha, senhora activa, disciplinadora, renovadora e empreendedora. A sua nobreza de car\u00e1cter n\u00e3o lhe consentiu que os despojos da Princesa D. Joana continuassem guardados em modest\u00edssima osteoteca, embora patente no meio do coro de baixo, para onde haviam sido transferidos \u00e0 volta do ano de 1578, depois de exumados da campa rasa. Por 1602-1603, o caix\u00e3o interior, que continha as rel\u00edquias, foi encerrado noutro cenot\u00e1fio, de forma sepulcral, de maior grandeza e artif\u00edcio, al\u00e9m do material ser mais condigno \u2013 \u00e9bano, coberto e ornado por marchetes de bronze dourado. O ata\u00fade, ostentando o bras\u00e3o da Princesa, foi colocado no mesmo lugar, agora sobre um suped\u00e2neo de pedra de Outil, e cercado de grades torneadas, com semelhantes ornatos de bronze. <\/p>\n<p>Decorrido pouco mais de um s\u00e9culo, ap\u00f3s um minucioso processo can\u00f3nico nas respectivas inst\u00e2ncias da Santa S\u00e9, o papa Inoc\u00eancio XII, em 04 de Abril de 1693, mandou publicar o breve da beatifica\u00e7\u00e3o equipolente \u201cSacrosancti Apostolatus cura\u201d; por tal documento foi oficialmente confirmado o culto imemorial de Santa Joana. Na sequ\u00eancia do faustoso acontecimento, logo sucederam celebra\u00e7\u00f5es festivas em v\u00e1rios lugares. O Pa\u00e7o Real, em Lisboa, por ordem de el-rei D. Pedro II, foi dos primeiros a dar exemplo. Em Junho, no Mosteiro de Jesus, D. Jo\u00e3o de Melo, bispo de Coimbra, que apelidava a Princesa como a \u201csua Santa\u201d, celebrou Missa pontifical, prometendo participar nas solenidades da beatifica\u00e7\u00e3o, que viriam a realizar-se no ano seguinte de 1694. E assim aconteceu. De Coimbra vieram a Aveiro os cantores da Capela da Catedral para o oitav\u00e1rio, que culminou, em 12 de Maio, com a faustosa celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia e com uma imponente prociss\u00e3o; nesta foi levada a primeira imagem da Santa Princesa, em bela escultura em madeira, para a qual se levantou um sumptuoso altar lateral no interior da igreja de Jesus. <\/p>\n<p>D. Pedro II paga<\/p>\n<p>El-rei D. Pedro II, ap\u00f3s a beatifica\u00e7\u00e3o de Santa Joana, ordenou a renova\u00e7\u00e3o e o aformoseamento do coro de baixo do Mosteiro, onde os seus restos mortais haviam sido sepultados, e mandou que se fizesse um t\u00famulo condigno, a fim de se substituir o anterior. Para a sua concep\u00e7\u00e3o, foi escolhido o not\u00e1vel arquitecto lisbonense da Casa Real, Jo\u00e3o Antunes (1643-1712), cujos honor\u00e1rios foram pagos pelo pr\u00f3prio monarca. A obra, iniciada em 1698, terminou em 1709. No essencial, o sepulcro, assente sobre um bloco de pedra, \u00e9 uma arca rectangular com base e cornija, cuja separa\u00e7\u00e3o \u00e9 feita nos extremos das faces por m\u00edsulas alongadas e finamente trabalhadas. S\u00e3o v\u00e1rios os elementos decorativos e os s\u00edmbolos religiosos, que enriquecem o mausol\u00e9u em cada uma das quatro faces, como a cruz, a coroa de espinhos, a palma, o l\u00edrio, as flores e as ramagens. Em baixo e aos cantos, quatro querubins, alados e de bra\u00e7os erguidos, seguram-na e transportam-na ao c\u00e9u e a f\u00e9nix, no centro, aponta o renascer \u00abex c\u00ednere\u00bb; como remate superior emerge, tamb\u00e9m suportado por anjos, o bras\u00e3o portugu\u00eas, encimado pela coroa real, entre volutas. Magn\u00edfico e admir\u00e1vel exemplar de entalhados multicolores de m\u00e1rmore, embutidos com suma delicadeza e perfei\u00e7\u00e3o, \u00e9 no seu g\u00e9nero uma pe\u00e7a incompar\u00e1vel no embrechado, equilibrada no desenho e adequada ao barroco nacional.<\/p>\n<p>Foi o bispo de Coimbra, D. Ant\u00f3nio de Vasconcelos e Sousa, quem, no dia 10 de Outubro de 1711 procedeu ao reconhecimento can\u00f3nico das rel\u00edquias de Santa Joana, entre mostras de muita piedade. Nos dias seguintes, houve tr\u00edduo de Missas, prega\u00e7\u00f5es e festas. No dia 23, ap\u00f3s a Missa pontifical do prelado, realizou-se um magn\u00edfico cortejo, com dan\u00e7as, charamelas e trombetas, que deu volta ao claustro conventual e percorreu algumas art\u00e9rias da vila de Aveiro, passando junto \u00e0 secular igreja matriz de S. Miguel e defronte da Casa da C\u00e2mara Municipal e parando, durante uns instantes, no Convento de S. Jo\u00e3o Evangelista, das irm\u00e3s carmelitas. \u00c0 frente iam os frades dominicanos, provenientes de v\u00e1rias partes, depois os carmelitas, os franciscanos e muitos eclesi\u00e1sticos e nobres; ao todo, perto de quinhentos cl\u00e9rigos, por ter o bispo ordenado que concorressem os das freguesias circunvizinhas. Logo ap\u00f3s, al\u00e7ava-se a cruz da S\u00e9, sob a qual os cantores de Coimbra e os m\u00fasicos da Capela Real, solicitados de Lisboa pelo prelado, entoavam salmos e hinos; os membros do Cabido caminhavam com solenidade incomum. Conduzido debaixo do p\u00e1lio, a cujas varas pegavam seis cavaleiros do h\u00e1bito de Cristo, o riqu\u00edssimo andor com as rel\u00edquias era levado pelos abades mitrados dos mosteiros beneditinos de Santo Tirso e de Coimbra e dos cistercienses de Sei\u00e7a e do Esp\u00edrito Santo ou de S. Paulo de Coimbra, por n\u00e3o haver bispos dispon\u00edveis nas Dioceses lim\u00edtrofes. \u00c0 passagem, a Infantaria militar, em duas alas ao longo das ruas, salvava com repetidas descargas. Atr\u00e1s, seguia o ant\u00edstite, com os seus ac\u00f3litos, o Senado Municipal e uma t\u00e3o grande multid\u00e3o de pessoas que as Justi\u00e7as n\u00e3o podiam conter. Recolhida a prociss\u00e3o no Mosteiro de Jesus, colocou-se o caix\u00e3o dentro do t\u00famulo, que logo se fechou.<\/p>\n<p>Candelabros roubados pelos franceses<\/p>\n<p>Posteriormente, o s\u00e9timo duque de Aveiro, D. Gabriel de Lencastre Ponce de Le\u00e3o, por escritura lavrada em 03 de Janeiro de 1733, doou e mandou entregar \u00e0 prioresa do Mosteiro de Jesus cinco candelabros de prata para serem colocados junto do sepulcro da Santa Princesa e neles se acenderem velas. Tais lampad\u00e1rios substitu\u00edram os quatro candelabros de cristal que, algum tempo antes, ofertara o mesmo devoto para id\u00eantico fim. Conforme o teor do documento notarial, os candelabros de prata eram lavrados a cinzel; o maior tinha duas ordens de luzes (seis luzes a de cima e doze a de baixo); outros tr\u00eas tinham uma ordem de doze luzes; e o mais pequeno tinha uma ordem de seis luzes. Em 1808, \u00abesta preciosidade art\u00edstica foi levada ou, para melhor dizer, roubada pelos franceses\u00bb \u2013 informa o aveir\u00f3grafo Marques Gomes.<\/p>\n<p>No decorrer da hist\u00f3ria milenar do nosso burgo, este facto significa um acontecimento marcante, singularmente vivido em 23 de Outubro de 1711 com \u2018pompa e circunst\u00e2ncia\u2019. Na ocorr\u00eancia do seu terceiro centen\u00e1rio, n\u00f3s n\u00e3o poder\u00edamos deixar de assinal\u00e1-lo num sentido de gratid\u00e3o \u00e0 celeste Padroeira de Aveiro que \u2013 como ela prometeu antes de falecer &#8211; \u00abeu hei-de lembrar-me desta Casa e da Vila, onde quer que a minha alma estiver\u00bb.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Gaspar<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No dia 23 de Outubro de 1771, os restos mortais de Santa Joana form trasladados para o t\u00famulo desenhado por Jo\u00e3o Antunes. Monsenhor Jo\u00e3o Gaspar assinala com este texto o tricenten\u00e1rio de um acontecimento marcante na ent\u00e3o vila de Aveiro. Em 1595-1597 e em 1599-1602, exerceu o cargo de prioresa do Mosteiro de Jesus, em [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[70],"tags":[],"class_list":["post-18277","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-diocese"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18277","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18277"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18277\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18277"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18277"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18277"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}