{"id":18322,"date":"2011-10-19T10:52:00","date_gmt":"2011-10-19T10:52:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=18322"},"modified":"2011-10-19T10:52:00","modified_gmt":"2011-10-19T10:52:00","slug":"idolatrias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/idolatrias\/","title":{"rendered":"Idolatrias"},"content":{"rendered":"<p>Quest\u00f5es Sociais <!--more--> O mundo acha-se marcado por resqu\u00edcios doentios de teocracia. Fala-se bastante da teocracia inerente ao fundamentalismo isl\u00e2mico; mas tamb\u00e9m se pode falar de outras, tais como a idolatria do mercado e a da indigna\u00e7\u00e3o. A idolatria do mercado j\u00e1 foi identificada h\u00e1 muitos anos; veja-se, por exemplo, o livro \u00abA Idolatria do Mercado &#8211; Ensaio sobre Economia e Teologia\u00bb, de H. Assmann e F. J. Hinkelammert, Editorial Vozes, S. Paulo, 1989. Aqui o mercado surge como verdadeira divindade, identificada com os interesses das classes dominantes, liderados pelas transnacionais, incluindo o mundo subterr\u00e2neo \u00e0 margem da lei. As suas regras consideram-se absolutas, inelut\u00e1veis e, portanto, vitoriosas sobre todas as contesta\u00e7\u00f5es; mais do que isso, at\u00e9 se refinam e refor\u00e7am com a contesta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A idolatria da indigna\u00e7\u00e3o verifica-se nos contestat\u00e1rios do sistema capitalista, dos governos e de tudo o mais que lhes desagrade. Muitos indignados s\u00e3o pessoas v\u00edtimas de injusti\u00e7a. Outros s\u00e3o agentes que as instrumentalizam; entre estes agentes figuram in\u00fameros intelectuais, membros de confiss\u00f5es religiosas, for\u00e7as pol\u00edticas e sindicais, meios de comunica\u00e7\u00e3o social&#8230; Os indignados apresentam-se, em geral, como sobranceiros \u00e0 realidade econ\u00f3mico-social e como propriet\u00e1rios dos grandes valores \u00e9ticos, dispensando-se de apresentarem solu\u00e7\u00f5es vi\u00e1veis para a solu\u00e7\u00e3o dos problemas; escudam-se no totalitarismo dos valores, misto de teocracia e axiocracia, como se isso bastasse para a solu\u00e7\u00e3o de todos os problemas. \u00abMetem no mesmo saco\u00bb os governos, eleitos democraticamente, e os capitalistas, mesmo quando aqueles fazem esfor\u00e7os quase sobre-humanos para limitarem os estragos causados por estes.<\/p>\n<p>Os id\u00f3latras do mercado e da indigna\u00e7\u00e3o t\u00eam como inimigo comum os governos. E, quanto mais os governantes lutam pela justi\u00e7a e pelo bem comum mais parecem refor\u00e7ar a alian\u00e7a entre as duas idolatrias; na verdade, essa luta dos governantes \u00e9 contestada pelos senhores do mercado, por afectar os seus interesses; e \u00e9 contestada pelos senhores da indigna\u00e7\u00e3o por n\u00e3o os afectar suficientemente. Tanto os senhores do mercado como os da indigna\u00e7\u00e3o, marcados pelas respectivas idolatrias, n\u00e3o aceitam realidades contingentes, n\u00e3o divinas, como s\u00e3o os governos; realidades situadas na ordem terrestre, e procurando a justi\u00e7a e o bem comum realmente poss\u00edveis. Como resultado, saem claramente vitoriosos os senhores do mercado; eles dominam a realidade, n\u00e3o precisam dos governos, transcendem-nos. E, quanto maior for a contesta\u00e7\u00e3o dos indignados, mais pretextos encontram para aumentarem a sua opress\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quest\u00f5es Sociais<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-18322","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18322","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18322"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18322\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18322"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18322"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18322"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}