{"id":18325,"date":"2011-10-19T11:19:00","date_gmt":"2011-10-19T11:19:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=18325"},"modified":"2011-10-19T11:19:00","modified_gmt":"2011-10-19T11:19:00","slug":"o-maior-desafio-feito-a-igreja","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/o-maior-desafio-feito-a-igreja\/","title":{"rendered":"O maior desafio feito \u00e0 Igreja"},"content":{"rendered":"<p>Gostaria de perguntar a muitos crist\u00e3os, leigos e cl\u00e9rigos, dos mais diversos meios e idades, qual consideram ser o grande, sen\u00e3o mesmo o maior, desafio que a Igreja enfrenta hoje. Admito que uns falariam da crise das voca\u00e7\u00f5es, do desnorte das fam\u00edlias, da idade avan\u00e7ada dos padres, da evangeliza\u00e7\u00e3o, assim em geral, como que a dizer tudo e a n\u00e3o dizer nada. Tamb\u00e9m se poderiam ouvir as dificuldades da linguagem usada para comunicar o Evangelho, os diminutos passos dados no di\u00e1logo com o mundo e a cultura emergente, da crise da vida comunit\u00e1ria das pessoas e das estruturas pastorais. Talvez ainda, apesar dos ecos favor\u00e1veis das Jornadas Mundiais da Juventude, em Madrid, falariam do desafio que os jovens constituem. Todos estes e muitos outros temas, em campo, constituem, por certo, problemas e desafios inc\u00f3modos e dif\u00edceis. Mas qual o maior?<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos deixar de concretizar, a ponto de incomodar, aquele que se poder\u00e1 considerar o desafio mais englobante, no qual v\u00e3o entroncar todos os outros. Ser\u00e1, talvez, a debilidade da f\u00e9 dos que se dizem crentes e consideram a Igreja como espa\u00e7o que ainda lhes diz algum respeito. N\u00e3o h\u00e1 meios t\u00e9cnicos para medir a autenticidade e a verdade da f\u00e9 das pessoas. Cada uma tem o seu itiner\u00e1rio religioso pr\u00f3prio, foram diferentes as oportunidades que se lhe abriram para crescer na f\u00e9, e, ao afirmar-se crist\u00e3o, ningu\u00e9m gosta que duvidem da sua religiosidade. A prova final \u00e9 a vida de cada um. H\u00e1 gente com grande coer\u00eancia entre o que acredita e o que vive. Outra que deixa os sentimentos e as coisas religiosas para determinados dias, acontecimentos e lugares. Algu\u00e9m disse que, tal como na sociedade actual, tamb\u00e9m na Igreja reina o caos, onde se encontra de tudo. A\u00ed se expressam as maiores diversidades e op\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pr\u00e1tica religiosa, ao estilo de fam\u00edlia, \u00e0 interven\u00e7\u00e3o social e pol\u00edtica, para n\u00e3o falarmos j\u00e1 dos permanecem no templo e exprimem a pluralidade de caminhos de ac\u00e7\u00e3o, da liturgia \u00e0s estruturas de participa\u00e7\u00e3o, dos leigos agindo quase por favor, \u00e0queles que evolu\u00edram e reivindicam, legitimamente, o direito \u00e0 iniciativa, \u00e0 palavra, \u00e0 liberdade de associa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 neste contexto, a meu ver, que emerge o grande problema: uma Igreja que, por sua natureza, \u00e9 uma comunidade de crentes adultos e na qual muitos dos seus membros n\u00e3o o s\u00e3o, nem t\u00eam vontade ou motiva\u00e7\u00e3o para o vir a ser. O ambiente \u00e9 marcado por valores e tradi\u00e7\u00f5es crist\u00e3s, que permitem humaniza\u00e7\u00e3o da vida e a sua dimens\u00e3o transcendente. Por\u00e9m, os dinamismos mais influentes na sociedade, nem sempre contr\u00e1rios \u00e0 Igreja, processam-se, normalmente, \u00e0 margem da Igreja, sem que se vislumbrem propostas alternativas. Dir-se-\u00e1 que ainda h\u00e1 igrejas cheias. \u00c9 verdade.<\/p>\n<p>O pluralismo \u00e9 um valor estim\u00e1vel, que nem sempre se v\u00ea assumido e promovido nas comunidades com marcas de um clericalismo ser\u00f4dio. Jo\u00e3o Paulo II levantou a bandeira da \u201cnova evangeliza\u00e7\u00e3o\u201d para ir ao encontro dos crist\u00e3os tradicionais, adormecidos ou convencidos. Bento XVI caminha no mesmo sentido. Mas, a nova evangeliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o vive de acontecimentos de massa, ou de iniciativas de passagem que podem comover, mas n\u00e3o chegam a converter. A pedagogia de uma evangeliza\u00e7\u00e3o com futuro \u00e9 de promo\u00e7\u00e3o e aproveitamento das rela\u00e7\u00f5es prim\u00e1rias, de modo a gerar motiva\u00e7\u00e3o; de forma\u00e7\u00e3o de l\u00edderes que testemunhem, com normalidade, a sua f\u00e9; da cria\u00e7\u00e3o grupos, n\u00e3o nascidos por for\u00e7a de decis\u00f5es superiores, mas propostas de reflex\u00e3o serena, aberta e de confronto da vida com a Palavra de Deus; de uma pr\u00e1tica orante adequada; de progressiva abertura aos outros e \u00e0s suas condi\u00e7\u00f5es de vida\u2026 Evangelizar as pessoas, pelo an\u00fancio jubilosos de Jesus Cristo, Redentor e Salvador, exige que, ao mesmo tempo, para que o seja depois de modo mais alargado, tocar nos ambientes e nas estruturas da sociedade. Evangelizar n\u00e3o \u00e9 fazer praticantes de culto, mas crentes adultos com testemunho de vida e compromisso apost\u00f3lico. <\/p>\n<p>Bento XVI fala de uma Igreja na Alemanha com muita organiza\u00e7\u00e3o e pouco esp\u00edrito, com muito mundo e pouca espiritualidade. Tamb\u00e9m se pode falar nos pa\u00edses de tradu\u00e7\u00e3o religiosa, como Portugal, de uma Igreja ainda mais voltada para conservar tradi\u00e7\u00f5es e estruturas paralisantes e menos atenta a caminhos novos, exigidos pelas mudan\u00e7as sociais e culturais, e por ser essa uma necessidade urgente de tornar o Evangelho acess\u00edvel. Com esta aprecia\u00e7\u00e3o pouco optimista, como se pode pensar, n\u00e3o se podem esquecer as muitas iniciativas v\u00e1lidas e promissoras, n\u00e3o se pode passar ao lado do esfor\u00e7o generoso de bispos, padres e leigos que, na sua vida e ac\u00e7\u00e3o, animados pelo Esp\u00edrito v\u00e3o criando caminhos novos. Mas, at\u00e9 neste ponto, no conjunto nacional, dentro das dioceses e das par\u00f3quias, h\u00e1 estrangulamentos individuais lament\u00e1veis. A evangeliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o dispensa testemunhos comunit\u00e1rios e estes n\u00e3o se improvisam. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Gostaria de perguntar a muitos crist\u00e3os, leigos e cl\u00e9rigos, dos mais diversos meios e idades, qual consideram ser o grande, sen\u00e3o mesmo o maior, desafio que a Igreja enfrenta hoje. 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