{"id":18366,"date":"2011-10-26T10:18:00","date_gmt":"2011-10-26T10:18:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=18366"},"modified":"2011-10-26T10:18:00","modified_gmt":"2011-10-26T10:18:00","slug":"a-austeridade-vale-a-pena","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/a-austeridade-vale-a-pena\/","title":{"rendered":"A  austeridade vale a pena?"},"content":{"rendered":"<p>Quest\u00f5es Sociais <!--more--> Esta pergunta vem sendo feita por muita gente, come\u00e7ando pelas oposi\u00e7\u00f5es ao actual governo e ao anterior. A pergunta cont\u00e9m a afirma\u00e7\u00e3o t\u00e1cita de que a austeridade \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o dos governos. E, perante ela, o povo decide se vale a pena ou n\u00e3o. Este posicionamento, bastante difundido, esquece que os governos e o povo n\u00e3o disp\u00f5em de margem de manobra para evitarem a austeridade: No caso de aceitarem a que foi acordada com a \u00abTroika\u00bb, sabem que n\u00e3o existem garantias de que valer\u00e1 a pena; no caso de recusarem esse acordo, sabem que os juros da d\u00edvida do pa\u00eds subiriam para taxas alt\u00edssimas, sabem tamb\u00e9m que perder\u00edamos o cr\u00e9dito internacional e que, muito provavelmente, aconteceria uma hecatombe social e econ\u00f3mica. A austeridade acordada com a \u00abTroika\u00bb \u00e9 m\u00e1 e poder\u00e1 agravar-se por muito tempo; a austeridade \u00e0 margem da \u00abTroika\u00bb, ou de um outro acordo semelhante, \u00e9 p\u00e9ssima, n\u00e3o control\u00e1vel e precipitaria, mais rapidamente, a \u00abbancarrota\u00bb do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Os opositores ao Memorando, e at\u00e9 algumas for\u00e7as e pessoas que o aceitam, defendem que uma certa austeridade poder\u00e1 ser inevit\u00e1vel. Mas contestam que \u00e0 austeridade se siga mais austeridade, sem se saber onde se ir\u00e1 chegar. Entendem, muito acertadamente, que ela n\u00e3o se pode dissociar do crescimento econ\u00f3mico nem de uma reparti\u00e7\u00e3o de rendimentos mais justa; \u00e9 t\u00e3o evidente esta afirma\u00e7\u00e3o que praticamente n\u00e3o suscita discord\u00e2ncias. Contudo, o problema em presen\u00e7a \u00e9 bem diferente da defesa, ou n\u00e3o, desta evid\u00eancia; o problema consiste no facto de, por enquanto, n\u00e3o haver dinheiro nem cr\u00e9dito nem oportunidades de neg\u00f3cio nem empres\u00e1rios suficientes para a inflex\u00e3o do ciclo da \u00abausteridade em cima de austeridade\u00bb. <\/p>\n<p>\u00c9 claro que a concep\u00e7\u00e3o do Memorando podia ter sido diferente, mais favor\u00e1vel ao crescimento e \u00e0 justa reparti\u00e7\u00e3o de rendimentos; por isso, vale a pena lutar pela sua melhoria. N\u00e3o se esque\u00e7a, por\u00e9m, que tal melhoria depende fundamentalmente do nosso trabalho, criatividade e sentido de justi\u00e7a. Daqui resultam alguns imperativos c\u00edvicos e \u00e9ticos, para todos n\u00f3s: o cumprimento do Memorando; o contributo para que ele seja melhorado; e uma ac\u00e7\u00e3o colectiva cooperante para que se atenuarem os seus efeitos nefastos, particularmente nas pessoas mais vulner\u00e1veis, e para que se torne dispens\u00e1vel. Pouco adianta perguntarmos se a austeridade vale a pena; justifica-se, sim, dignific\u00e1-la e contribuir para a sua atenua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quest\u00f5es Sociais<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-18366","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18366","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18366"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18366\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18366"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18366"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18366"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}