{"id":18391,"date":"2011-11-02T10:00:00","date_gmt":"2011-11-02T10:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=18391"},"modified":"2011-11-02T10:00:00","modified_gmt":"2011-11-02T10:00:00","slug":"compromisso-inter-religioso-pela-paz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/compromisso-inter-religioso-pela-paz\/","title":{"rendered":"Compromisso inter-religioso pela paz"},"content":{"rendered":"<p>\u201cSentimo-nos ainda mais profundamente envolvidos, juntamente com todos os homens e mulheres das comunidades que representamos, na nossa jornada humana comum\u201d, disse Bento XVI na jornada de Assis.<\/p>\n<p>Bento XVI concluiu o encontro inter-religioso que convocou para Assis (centro da It\u00e1lia), no dia 27 de Outubro, afirmando que a \u201cdimens\u00e3o espiritual\u201d \u00e9 um \u201celemento chave para a constru\u00e7\u00e3o da paz\u201d. O Papa falava diante de 300 representantes religiosos e acad\u00e9micos, procedentes de 50 pa\u00edses, reunidos numa jornada de ora\u00e7\u00e3o e reflex\u00e3o pela paz e a justi\u00e7a no mundo que assinalou o 25.\u00ba anivers\u00e1rio da primeira iniciativa do g\u00e9nero, promovida por Jo\u00e3o Paulo II.<\/p>\n<p>\u201cO evento de hoje mostra como a dimens\u00e3o espiritual \u00e9 um elemento chave para a constru\u00e7\u00e3o da paz. Atrav\u00e9s desta peregrina\u00e7\u00e3o \u00fanica, fomos capazes de nos comprometermos num di\u00e1logo fraterno, aprofundar a nossa amizade e aproximarmo-nos em sil\u00eancio e na ora\u00e7\u00e3o\u201d, disse, em ingl\u00eas, na Pra\u00e7a de S\u00e3o Francisco.<\/p>\n<p>L\u00edderes crist\u00e3os, judeus, mu\u00e7ulmanos, hindus, budistas, representantes de religi\u00f5es africanas e asi\u00e1ticas, bem como um grupo de agn\u00f3sticos, renovaram neste encontro um \u201csolene compromisso comum pela paz\u201d. \u201cVamos continuar a reunir-nos, vamos continuar a estar juntos nesta jornada, em di\u00e1logo, na constru\u00e7\u00e3o di\u00e1ria da paz e no nosso compromisso por um mundo melhor, um mundo no qual cada homem e mulher, cada povo, possam viver de acordo com as suas leg\u00edtimas aspira\u00e7\u00f5es\u201d, declarou o Papa.<\/p>\n<p>O cardeal Jean-Louis Tauran, presidente do Conselho Pontif\u00edcio para o Di\u00e1logo Inter-religioso, organismo da Santa S\u00e9, afirmou que \u201ca esperan\u00e7a pode prevalecer sobre o medo\u201d e que ningu\u00e9m se pode \u201cresignar\u201d diante das guerras. Em seguida, 12 l\u00edderes religiosos e um representante dos agn\u00f3sticos, participantes nesta jornada, assumiram o empenho de \u201ctrabalhar no grande canteiro da paz\u201d.<\/p>\n<p>O compromisso comum manifesta a \u201cconvic\u00e7\u00e3o de que a viol\u00eancia e o terrorismo se op\u00f5em ao aut\u00eantico esp\u00edrito religioso\u201d, condenando \u201cqualquer recurso \u00e0 viol\u00eancia e \u00e0 guerra em nome de Deus ou da religi\u00e3o\u201d. A conviv\u00eancia \u201cpac\u00edfica e solid\u00e1ria\u201d, a promo\u00e7\u00e3o de uma \u201ccultura do di\u00e1logo\u201d e o respeito pelas convic\u00e7\u00f5es de \u201ccrentes e n\u00e3o crentes\u201d foram outras metas apontadas em Assis, antes de um momento de ora\u00e7\u00e3o comum, em sil\u00eancio.<\/p>\n<p>\u201cAp\u00f3s renovarmos o nosso compromisso pela paz e termos trocado uns com os outros um sinal de paz, sentimo-nos ainda mais profundamente envolvidos, juntamente com todos os homens e mulheres das comunidades que representamos, na nossa jornada humana comum\u201d, disse Bento XVI.<\/p>\n<p>O Papa explicou o gesto escolhido para a conclus\u00e3o do evento, a entrega de uma lamparina aos participantes, s\u00edmbolo do desejo de serem \u201cportadores, em todo o mundo, da luz da paz\u201d. Para al\u00e9m das lamparinas, foram largadas pombas brancas, algumas acabaram por ir parar ao meio da assembleia.<\/p>\n<p>J.P.F. \/ Ecclesia<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o somos estranhos uns para os outros\u201d<\/p>\n<p>No in\u00edcio do encontro, passou um v\u00eddeo em que que se repetiam as palavras de Jo\u00e3o Paulo II no encontro de Assis em 2002, depois dos atentados de 11 de Setembro: \u201cNunca mais a guerra, nunca mais o terrorismo\u201d. De seguida, tiveram in\u00edcio as interven\u00e7\u00f5es de dez l\u00edderes de religi\u00f5es e uma representante dos n\u00e3o crentes.<\/p>\n<p>O patriarca ecum\u00e9nico de Constantinopla (Igreja Ortodoxa), Bartolomeu I, declarou que \u201ctodo o di\u00e1logo verdadeiro\u201d traz em si as sementes de uma \u201cmetamorfose poss\u00edvel\u201d. \u201c\u00c9 da indiferen\u00e7a que nasce o \u00f3dio\u201d, referiu o patriarca, que recordou a \u201cprimavera \u00e1rabe\u201d e alertou para a situa\u00e7\u00e3o dos crist\u00e3os no M\u00e9dio Oriente.<\/p>\n<p>Por seu lado, Rowan Williams, arcebispo da Cantu\u00e1ria, primaz da Comunh\u00e3o Anglicana (Inglaterra), deixou aos presentes uma convic\u00e7\u00e3o que diz ser partilhada por todos os crentes: \u201cEm \u00faltima inst\u00e2ncia, n\u00e3o somos estranhos uns para os outros\u201d.<\/p>\n<p>O Rabino David Rosen, representante do Gr\u00e3o Rabinato de Israel, agradeceu a Jo\u00e3o Paulo II e a Bento XVI por estas iniciativas pela paz, \u201cexpress\u00e3o sublime da vontade divina\u201d.<\/p>\n<p>Julia Kristeva, fil\u00f3sofa franco-b\u00falgara, falou em nome dos n\u00e3o crentes presentes no encontro, convidando a uma \u201ccumplicidade\u201d entre o humanismo crist\u00e3o e o que brotou do Iluminismo. \u201cO encontro das nossas diversidades aqui, em Assis\u201d, indicou, mostra que \u201ca hip\u00f3tese da destrui\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica poss\u00edvel\u201d.<\/p>\n<p>Viol\u00eancia em nome da religi\u00e3o envergonha<\/p>\n<p>Bento XVI pediu aos l\u00edderes religiosos de todo o mundo um empenho conjunto \u201cna luta pela paz\u201d, perante \u201cnovas e assustadoras fisionomias\u201d de viol\u00eancia como o terrorismo. \u201cQue (\u2026) a religi\u00e3o motive de facto a viol\u00eancia \u00e9 algo que, enquanto pessoas religiosas, nos deve preocupar profundamente\u201d, alertou, ap\u00f3s a interven\u00e7\u00e3o dos outros l\u00edderes religiosos.<\/p>\n<p>O Papa considera que, com o terrorismo, \u201c\u00e9 posto de lado tudo aquilo que era comummente reconhecido e sancionado como limite \u00e0 viol\u00eancia no direito internacional\u201d. \u201cSabemos que, frequentemente, o terrorismo tem uma motiva\u00e7\u00e3o religiosa e que precisamente o car\u00e1cter religioso dos ataques serve como justifica\u00e7\u00e3o para esta crueldade monstruosa, que cr\u00ea poder anular as regras do direito por causa do \u00abbem\u00bb pretendido\u201d, lamentou.<\/p>\n<p>Para Bento XVI, nestes casos \u201ca religi\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 ao servi\u00e7o da paz, mas da justifica\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia\u201d. O discurso papal criticou as situa\u00e7\u00f5es em que a viol\u00eancia \u00e9 \u201cexercida por defensores de uma religi\u00e3o contra os outros\u201d. \u201cEsta n\u00e3o \u00e9 a verdadeira natureza da religi\u00e3o. Ao contr\u00e1rio, \u00e9 a sua deturpa\u00e7\u00e3o e contribui para a sua destrui\u00e7\u00e3o\u201d, disse Bento XVI, que tamb\u00e9m recordou os momentos em que \u201cse recorreu \u00e0 viol\u00eancia em nome da f\u00e9 crist\u00e3\u201d. \u201cReconhecemo-lo, cheios de vergonha. Mas, sem sombra de d\u00favida, tratou-se de um uso abusivo da f\u00e9 crist\u00e3, em contraste evidente com a sua verdadeira natureza\u201d, observou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cSentimo-nos ainda mais profundamente envolvidos, juntamente com todos os homens e mulheres das comunidades que representamos, na nossa jornada humana comum\u201d, disse Bento XVI na jornada de Assis. 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