{"id":18409,"date":"2011-11-02T10:27:00","date_gmt":"2011-11-02T10:27:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=18409"},"modified":"2011-11-02T10:27:00","modified_gmt":"2011-11-02T10:27:00","slug":"ir-ao-fundo-em-1-a-classe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/ir-ao-fundo-em-1-a-classe\/","title":{"rendered":"Ir ao fundo em 1.\u00aa classe"},"content":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu <!--more--> No filme \u00abTitanic\u00bb, vemos a cena impressionante de uma m\u00e3e adormecendo a filha, apesar do c\u00e9lebre navio j\u00e1 se encontrar praticamente inundado pelas \u00e1guas. E nos dias que antecederam a independ\u00eancia da antiga Rod\u00e9sia, podia-se ler num peri\u00f3dico local o seguinte t\u00edtulo a toda a p\u00e1gina: \u00abWe go down, but we go down first class\u00bb [\u201cVamos ao fundo, mas vamos em primeira classe\u201d].<\/p>\n<p>Duas maneiras semelhantes de encarar uma grave situa\u00e7\u00e3o, e contudo com diferen\u00e7as fundamentais:<\/p>\n<p>Podemos adormecer confiados em que fizemos tudo o que t\u00ednhamos a fazer na luta contra o mal e a sua tristeza; como podemos recusar-nos a alterar uma situa\u00e7\u00e3o c\u00f3moda, queimando at\u00e9 ao fim os cartuchos duma boa ca\u00e7ada que sabemos ir acabar muito mal.<\/p>\n<p>A primeira atitude \u00e9 dif\u00edcil, como s\u00e3o dif\u00edceis todos os actos humanos em que se revela a excel\u00eancia da dignidade humana.<\/p>\n<p>A segunda atitude \u00e9 muito mais comum. Tudo fazemos por ignorar o tempo das vacas magras, por ignorar o sempre iminente fim temporal, bem como as exig\u00eancias do futuro.<\/p>\n<p>A primeira atitude abre caminho \u00e0 Sabedoria (1.\u00aa leitura), como que for\u00e7ando Deus a sentar-se \u00e0 nossa porta, esperando pelo nosso regresso de aventuras muitas vezes perigosas e desalentadoras. Porque, durante toda a viagem, nos prepar\u00e1mos para enfrentar desertos, precip\u00edcios e salteadores, nunca desistindo de elaborar projectos e de os transformar ou at\u00e9 eliminar, movidos pela vontade do que vale mesmo a pena.<\/p>\n<p>A segunda atitude \u00e9 pr\u00f3pria de quem n\u00e3o tem coragem para projectos assentes na vontade pessoal, indo atr\u00e1s do que est\u00e1 na moda quanto a sucesso e bem-estar. Nem sequer nos damos tempo para perguntar em que consiste e se fundamenta essa ideia de sucesso que nos impingem e nos fazem pagar. Comportamo-nos como uma manada de b\u00fafalos exibindo robustez e velocidade na corrida cega para um abismo.<\/p>\n<p>A primeira atitude \u00e9 compat\u00edvel com a exibi\u00e7\u00e3o de robustez e velocidade, com todo o prazer dos bons momentos e com a satisfa\u00e7\u00e3o pela efici\u00eancia do trabalho. Porque sabe a medida certa de todas essas coisas boas.<\/p>\n<p>A segunda atitude at\u00e9 as coisas boas acaba por estragar, como quem perde o direito \u00e0 garantia devido ao mau uso do bem pretendido. <\/p>\n<p>A hist\u00f3ria das dez mo\u00e7as, atribu\u00edda a Jesus, preparadas para a despedida de solteiro do noivo, d\u00e1 exemplo destas duas atitudes. Metade delas s\u00f3 tinha a cabe\u00e7a no ar. Se \u00e9 verdade que todas elas se divertiam \u00e0 espera do noivo, s\u00f3 as bem avisadas \u00e9 que se divertiram at\u00e9 ao fim. Puderam dan\u00e7ar a noite inteira, porque tinham levado a s\u00e9rio os preparativos da festa, sem medo que lhes faltasse a luz das candeias ou o dinheiro para as comidas e bebidas.<\/p>\n<p>As mo\u00e7as tontinhas, de certeza as que davam mais nas vistas (pelo que a gente v\u00ea nas grandes not\u00edcias da sociedade\u2026), contavam com a ajuda das outras para situa\u00e7\u00f5es de emerg\u00eancia. Tamb\u00e9m sabemos mais que bem como os \u00abespertos\u00bb se aproveitam dos honestos! Mas Jesus lembrou outra face da moeda: tantas vezes vai o c\u00e2ntaro \u00e0 fonte\u2026<\/p>\n<p>E h\u00e1 sempre, sempre, aquele momento a quem ningu\u00e9m escapa, frequentemente anunciado por muita coisa que nos faz sofrer e angustia. Vale a pena arriscar uma multa pesada s\u00f3 para n\u00e3o nos darmos ao trabalho ou ao pre\u00e7o de um lugar protegido? N\u00e3o \u00e9 verdade que, deixando as coisas em ordem, vamos muito mais \u00e0 vontade para o trabalho ou para o divertimento? At\u00e9 temos melhor disposi\u00e7\u00e3o para fazer do trabalho uma festa, dando o ambiente de quem est\u00e1 \u00e0 espera de um futuro melhor. <\/p>\n<p>Entre dan\u00e7as e conversas, quanto tempo n\u00e3o se ter\u00e1 perdido com as discuss\u00f5es, caprichos e mau g\u00e9nio das mo\u00e7as tolinhas! Divertiram-se \u00abem primeira\u00bb, e \u00abem primeira\u00bb foram ao fundo. <\/p>\n<p>E por pouco que n\u00e3o arrastavam o grupo das \u00abfixes\u00bb, tal o jeitinho e lamechice com que se fizeram desgra\u00e7adinhas.<\/p>\n<p>Se todas aquelas mo\u00e7as se tivessem mesmo preparado para se divertir, que grande festa n\u00e3o seria! Antes e depois do noivo chegar!<\/p>\n<p>Manuel Alte da Veiga<\/p>\n<p>m.alteveiga@netcabo.pt<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-18409","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18409","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18409"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18409\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18409"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18409"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18409"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}