{"id":18418,"date":"2011-10-19T10:34:00","date_gmt":"2011-10-19T10:34:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=18418"},"modified":"2011-10-19T10:34:00","modified_gmt":"2011-10-19T10:34:00","slug":"a-importancia-de-ser-semelhante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/a-importancia-de-ser-semelhante\/","title":{"rendered":"A import\u00e2ncia de ser semelhante"},"content":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu <!--more--> No tempo de Jesus havia raz\u00f5es de sobejo para uma pessoa se perder entre a quantidade de mandamentos da lei judaica. Contavam-se 248 preceitos positivos e 365 proibi\u00e7\u00f5es! Mesmo assim, nada que se compare com as leis, sobretudo as dos Estados, embora tamb\u00e9m cada Igreja ceda facilmente \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o de confundir a aut\u00eantica import\u00e2ncia e autoridade com uma pan\u00f3plia de leis e mandamentos. <\/p>\n<p>Na medida em que os fariseus estavam preocupados com a educa\u00e7\u00e3o do povo, procuravam sintetizar a Lei de um modo claro e f\u00e1cil de reter. Infelizmente, era frequente misturarem a palha com o gr\u00e3o. Pelo que, tivessem ou n\u00e3o inten\u00e7\u00f5es de o atrair para uma armadilha, fazia sentido a pergunta a Jesus: qual o mandamento mais importante?<\/p>\n<p>A primeira parte da resposta seria igual \u00e0 de qualquer estudioso da Lei: amar a Deus a s\u00e9rio. Isto significa n\u00e3o p\u00f4r outras coisas no lugar de Deus. Temos muita experi\u00eancia do que essas coisas podem ser: o dinheiro, o sucesso, a rapidez, o poder\u2026 Boas em si, tornam-se m\u00e1s quando Deus deixa de ser o mais importante. At\u00e9 porque todas estas coisas passam e nunca nos enchem: \u00e9 um sinal de que s\u00f3 ficamos satisfeitos com o que n\u00e3o passa e cont\u00e9m a plenitude de todos os prazeres desej\u00e1veis. (Que pena que certos sectores de pensamento religioso d\u00eaem mais valor \u00e0s tribula\u00e7\u00f5es do que \u00e0 alegria ou deixem a alegria apenas para o outro mundo!)<\/p>\n<p>Mas a principal raz\u00e3o do bom virar mau, \u00e9 que n\u00e3o se pode amar a Deus a s\u00e9rio sem amar os outros a s\u00e9rio. Na linha do pensamento do domingo passado, dir\u00edamos que \u00abpela m\u00e3o de Deus\u00bb somos entusiasmados a fazer bem aos outros, com a capacidade de discernimento do que \u00e9 que vale a pena \u00abdar\u00bb, tirando prazer em deixar os outros usufruir do fruto do nosso trabalho. N\u00e3o \u00e9 nesta base, ali\u00e1s, que reivindicamos os nossos direitos, fazendo valer quanto o nosso trabalho \u00e9 um bem para os outros? Um estilo de vida onde h\u00e1 lugar para este \u00abdar\u00bb, para esta preocupa\u00e7\u00e3o pelo bem da sociedade, \u00e9 que denota uma aut\u00eantica educa\u00e7\u00e3o c\u00edvica. <\/p>\n<p>Por\u00e9m, cada um de n\u00f3s corre o risco de fazer do trabalho ou do lucro ou at\u00e9 dos outros, o seu Deus. Amar a Deus a s\u00e9rio \u00e9 avivar a consci\u00eancia de que nenhum valor \u00e9 superior a Deus. Ao contr\u00e1rio de ideias muito espalhadas e at\u00e9 sustentadas por grandes pensadores (que nesta quest\u00e3o foram superficiais), verifica-se que \u00e9 justamente a reconhecida supremacia de Deus o que d\u00e1 garantia \u00e0 autenticidade da nossa dedica\u00e7\u00e3o ao trabalho e aos outros. Aceitando Deus como luz para a intelig\u00eancia e for\u00e7a para a vontade, ficamos atentos para n\u00e3o transformar o trabalho em destrui\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio eu, destrui\u00e7\u00e3o do equil\u00edbrio e paz sociais e destrui\u00e7\u00e3o do outro. O trabalho deve estar sempre ao servi\u00e7o da dignidade da pessoa, que \u00e9 semelhante a Deus. Semelhante, mas n\u00e3o igual: por isso, idolatrar o outro provoca graves situa\u00e7\u00f5es de injusti\u00e7a e destr\u00f3i a nossa paz \u2013 pois confundimos o nosso bem particular com o bem do outro; ou dedicamo-nos a algu\u00e9m ou a um grupo t\u00e3o exclusivamente que esquecemos o bem dos mais; e sofremos desilus\u00f5es que chegam a tirar a vontade de viver. <\/p>\n<p>A import\u00e2ncia desta semelhan\u00e7a entre levar Deus o os homens a s\u00e9rio \u2013 n\u00e3o poderia ser mais reconhecida nos jogos pol\u00edticos, financeiros e infelizmente tamb\u00e9m nos \u00abjogos\u00bb religiosos?<\/p>\n<p>A interdepend\u00eancia destes princ\u00edpios e o estatuto de \u00abigual\u00bb import\u00e2ncia constituem um ponto central na mensagem de Jesus, em que a \u00absimplifica\u00e7\u00e3o\u00bb da Lei s\u00f3 \u00e9 v\u00e1lida se se eliminam subterf\u00fagios, hipocrisias e legalismos. A identidade da causa de Deus com a causa dos homens tamb\u00e9m nos desperta para a import\u00e2ncia da auto-estima, de valor vital para o equil\u00edbrio da personalidade. Afinal, se levamos Deus e os outros a s\u00e9rio \u00e9 tamb\u00e9m porque Deus nos leva a s\u00e9rio. <\/p>\n<p>Jesus levou a s\u00e9rio a dor e alegria pr\u00f3prias do ser humano. Porque levou Deus a s\u00e9rio. E assim, como sugere a segunda leitura, levou quem o sabe ouvir a construir desde j\u00e1 a alegria total.<\/p>\n<p>Manuel Alte da Veiga<\/p>\n<p>m.alteveiga@netcabo.pt<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-18418","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18418","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18418"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18418\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18418"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18418"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18418"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}