{"id":18427,"date":"2011-11-09T09:28:00","date_gmt":"2011-11-09T09:28:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=18427"},"modified":"2011-11-09T09:28:00","modified_gmt":"2011-11-09T09:28:00","slug":"coragem-e-lucidez","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/coragem-e-lucidez\/","title":{"rendered":"Coragem e lucidez"},"content":{"rendered":"<p>\u201cO pa\u00eds n\u00e3o quis ouvir!\u201d &#8211; disse e repetiu o comentador pol\u00edtico. O povo n\u00e3o quis ouvir: em 2001, 2004, 2009\u2026 N\u00e3o quis ouvir dizer que o pa\u00eds estava sem meios, ignorou o vocabul\u00e1rio do d\u00e9fice. Preferiu continuar a viver na ilus\u00e3o da facilidade, da riqueza sem suporte. E gastou, habituou-se a gastar o que n\u00e3o produzia, o que n\u00e3o ganhava.<\/p>\n<p>Espanta ler uma not\u00edcia como esta: \u201cOs portugueses tencionam gastar mais do que os alem\u00e3es, no Natal\u201d. Nada mudou na mentalidade da maioria. A recomenda\u00e7\u00e3o do Papa no sentido de fazermos uma convers\u00e3o de mentalidade em ordem a uma vida mais s\u00f3bria, por motivo da crise, parece n\u00e3o ter obtido eco.<\/p>\n<p>Angustia ler que mais de seiscentas mil fam\u00edlias deixaram de poder pagar os seus compromissos \u00e0 banca. Quantos milhares tiveram j\u00e1 de entregar as casas, que s\u00e3o agora vendidas ao desbarato, em favor de \u201cgorilas\u201d oportunistas que t\u00eam capital de reserva. Mas seria oportuno saber e ver claro que casas se compraram, que mob\u00edlias e decora\u00e7\u00f5es se utilizaram, que desperd\u00edcio de espa\u00e7os e de materiais\u2026 Se causa arrepios o \u201ccomboio\u201d cinzento ou amarelo dos bairros sociais, como se de colmeias alinhadas se tratasse, n\u00e3o causa menor espanto a ostenta\u00e7\u00e3o de tanto apartamento, de tanta moradia, agora entregues aos credores. Habita\u00e7\u00e3o condigna n\u00e3o tem que ver com tanta pompa e tanto desperd\u00edcio!<\/p>\n<p>N\u00e3o percebo de or\u00e7amento. Estou de acordo que n\u00e3o se pode atirar poeira para os olhos com umas \u201cmigalhas de pseudo generosos\u201d que continuam a ocultar o vasto manancial o qual lhes alimenta uma vida opulenta. Mas tamb\u00e9m n\u00e3o entendo tanta gritaria de quem n\u00e3o quis ouvir, de quem criou h\u00e1bitos de consumismo, de quem gasta o que n\u00e3o ganha e at\u00e9 de quem n\u00e3o faz grande esfor\u00e7o para trabalhar, vivendo como parasita social\u2026 <\/p>\n<p>A multid\u00e3o dos verdadeiros injusti\u00e7ados sofre silenciosamente. Sabe dos seus direitos, mas tamb\u00e9m sabe dos seus deveres, reclama com raz\u00e3o, mas tamb\u00e9m se agarra afincadamente em busca de solu\u00e7\u00f5es complementares. <\/p>\n<p>A hora \u00e9 de solidariedade! Mas tamb\u00e9m de lucidez e coragem. O Governo da Na\u00e7\u00e3o tem de ser transparente e corajoso, para eliminar privil\u00e9gios e benesses que tenha o povo de pagar. E o povo tem de ser sensato, considerando o n\u00edvel de vida que nos \u00e9 poss\u00edvel, indignando-se com fundamento e coer\u00eancia, buscando os meios que lhe s\u00e3o poss\u00edveis para participar na reconquista de uma esperan\u00e7a consolidada.<\/p>\n<p>Os crist\u00e3os, que o sejam em verdade, submissos \u00e0 Sabedoria de Deus, t\u00eam obriga\u00e7\u00e3o de viver e irradiar esta coragem e lucidez, ancorados na f\u00e9. E, desse modo, tornarem-se testemunho \u201ccontagioso\u201d. Com efeito \u201ca \u00abf\u00e9, que actua\u00bb torna-se um novo crit\u00e9rio de entendimento e de ac\u00e7\u00e3o, que muda toda a vida do homem\u201d \u2013 como recorda Bento XVI na carta apost\u00f3lica A Porta da F\u00e9 &#8211; n.\u00ba 6. A vergonha da f\u00e9 que se professa, o pecado de omiss\u00e3o podem ser bem mais graves do que muitas ac\u00e7\u00f5es m\u00e1s!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cO pa\u00eds n\u00e3o quis ouvir!\u201d &#8211; disse e repetiu o comentador pol\u00edtico. O povo n\u00e3o quis ouvir: em 2001, 2004, 2009\u2026 N\u00e3o quis ouvir dizer que o pa\u00eds estava sem meios, ignorou o vocabul\u00e1rio do d\u00e9fice. Preferiu continuar a viver na ilus\u00e3o da facilidade, da riqueza sem suporte. 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