{"id":18472,"date":"2011-01-12T15:06:00","date_gmt":"2011-01-12T15:06:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=18472"},"modified":"2011-01-12T15:06:00","modified_gmt":"2011-01-12T15:06:00","slug":"tambem-lhe-chamaram-cordeiro-de-deus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/tambem-lhe-chamaram-cordeiro-de-deus\/","title":{"rendered":"Tamb\u00e9m lhe chamaram \u00abCordeiro de Deus\u00bb"},"content":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu <!--more--> \u00abCordeiro de Deus\u00bb \u00e9 sem d\u00favida uma express\u00e3o que fez fortuna na arte e no sentimento religioso; mas que dificilmente ter\u00e1, nos tempos de hoje, a resson\u00e2ncia que lhe cabia na hist\u00f3ria do povo judeu.<\/p>\n<p>A riqueza simb\u00f3lica dos animais acompanhou desde sempre a hist\u00f3ria humana at\u00e9 aos nossos dias, como se pode ver j\u00e1 em poemas primitivos de diversas civiliza\u00e7\u00f5es. Em muitas passagens b\u00edblicas do Antigo e Novo Testamento, Deus mostra carinho pelas animais e plantas. O homem s\u00e1bio procura conhecer a natureza dos animais e das plantas (Sabedoria 7,15-21). A vis\u00e3o de S. Pedro (Actos dos Ap\u00f3stolos 10), em que uma voz do c\u00e9u lhe manda comer de \u00abanimais puros e impuros\u00bb, n\u00e3o prepara apenas o ap\u00f3stolo para igualar pag\u00e3os e judeus: tamb\u00e9m testemunha a dignidade universal de toda a cria\u00e7\u00e3o. No Novo Testamento, a d\u00edade cordeiro-pastor adquire o alto simbolismo do cuidado eterno de Deus para com aqueles que O seguem. E Jesus tanto \u00e9 o pastor sem medo como o cordeiro que se deixa prender para ser oferecido a Deus Pai como garantia da nossa salva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O simbolismo do cordeiro caracterizava \u00abo servo de Jav\u00e9\u00bb. E o termo grego utilizado no Novo Testamento para significar \u201ccordeiro\u201d (\u00abamn\u00f3s\u00bb) \u00e9 o mesmo com que se refere o cordeiro sacrificado no culto judaico e o \u00abcordeiro pascal\u00bb (\u00caxodo 12,7), que n\u00e3o pode ter manchas nem defeitos, e no qual os primeiros crist\u00e3os viram simbolizada a pessoa e miss\u00e3o de Jesus Cristo. Na 1.\u00aa carta aos Cor\u00edntios, S. Paulo sublinha que Jesus morreu para nossa salva\u00e7\u00e3o (15,3) de acordo com o significado libertador do \u00abcordeiro pascal\u00bb (5,7).<\/p>\n<p>Curiosamente, no Livro do Apocalipse, utiliza-se outro voc\u00e1bulo (\u00abarn\u00edon\u00bb), que tanto pode significar cordeiro como carneiro. Se ao cordeiro assenta bem a mansid\u00e3o e pureza necess\u00e1ria para o sacrif\u00edcio, j\u00e1 o carneiro simboliza a for\u00e7a, o poder e a sabedoria. Ora justamente, o Apocalipse fala sobretudo da for\u00e7a, do poder e da gl\u00f3ria do \u00abarn\u00edon\u00bb, esse animal cheio de olhos, de chifres, superioridade e bravura. Mas como s\u00f3 o cordeiro \u00e9 que pode ser imolado, conclui-se que o autor do Apocalipse pretendia juntar em Jesus Cristo as caracter\u00edsticas de um e outro no mais alto grau poss\u00edvel.<\/p>\n<p>Com esta simbologia, pode-se iluminar as facetas paradoxais da personalidade de Jesus. Como \u00abservo de Jav\u00e9\u00bb, deixou-se conduzir como um cordeiro, mas sem receio de enfrentar a dor e a morte; e assim cumpria o seu projecto de vida, tornando-se \u00abluz das na\u00e7\u00f5es\u00bb, que n\u00e3o desilude quem p\u00f5e nele a esperan\u00e7a. A mansid\u00e3o juntava-se \u00e0 energia com que combatia o mal. Uma vida t\u00e3o curta e t\u00e3o circunscrita geograficamente, mas uma palavra e ac\u00e7\u00e3o t\u00e3o fortes que ecoaram pelo mundo inteiro.<\/p>\n<p>Por isso, quando Jo\u00e3o Baptista aponta Jesus como \u00abo cordeiro de verdade\u00bb (a express\u00e3o \u00abde Deus\u00bb significa \u00aba s\u00e9rio\u00bb, \u00abaut\u00eantico\u00bb), reconhece nele o pleno cumprimento do que se pretendia nos sacrif\u00edcios do Antigo Testamento. E desde muito cedo, os crist\u00e3os reconheceram, na \u00ab\u00daltima ceia\u00bb, os \u201cingredientes\u201d habituais dos antigos sacrif\u00edcios: o sangue e um corpo \u00aboferecido por n\u00f3s\u00bb. <\/p>\n<p>Por\u00e9m, para Jesus o mais importante era procurar o entendimento do que \u00e9 \u00abencontrar-se com Deus\u00bb. O \u00absacrif\u00edcio da missa\u00bb ser\u00e1 um lugar e um tempo especiais para recordar o sentido da vida de Jesus, \u00abconviver com ele\u00bb e fortalecer o compromisso de \u00abalinhar com ele\u00bb. <\/p>\n<p>Ele pr\u00f3prio advertiu, com mais veem\u00eancia do que os antigos profetas: Deus n\u00e3o se encontra nos templos, como se fosse um \u00eddolo, nem nas profundezas do mar ou nas altas montanhas, como se fosse um ser mitol\u00f3gico (Jo\u00e3o 4,21-24; Mateus 6,5-13); Deus est\u00e1 connosco, Deus \u00e9 a vida que nos sustenta \u00abagora e para sempre\u00bb; e \u00absempre que duas ou mais pessoas estiverem reunidas em nome de Jesus, ele estar\u00e1 presente\u00bb (Mateus 18,19-20). Embora seja bom estar \u00aba s\u00f3s com Deus\u00bb ou \u00aba s\u00f3s consigo mesmo\u00bb, a aventura da f\u00e9 n\u00e3o \u00e9 solit\u00e1ria, como n\u00e3o \u00e9 solit\u00e1rio o amor.<\/p>\n<p>Manuel Alte da Veiga<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-18472","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18472","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18472"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18472\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18472"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18472"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18472"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}