{"id":18474,"date":"2011-01-12T15:07:00","date_gmt":"2011-01-12T15:07:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=18474"},"modified":"2011-01-12T15:07:00","modified_gmt":"2011-01-12T15:07:00","slug":"o-aniquilamento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/o-aniquilamento\/","title":{"rendered":"O aniquilamento"},"content":{"rendered":"<p>Po\u00e7o de Jacob &#8211; 63 <!--more--> A palavra aniquilar tem muitas conota\u00e7\u00f5es, mas \u00e9 usada por S. Paulo na carta aos Filipenses cap\u00edtulo 2, para falar da vinda de Deus \u00e0 Terra, pela encarna\u00e7\u00e3o. Chamamos-lhe Kenosis.<\/p>\n<p>Deus, em Seu Filho, como que se esvazia de si mesmo, e, sem perder a sua divindade, sendo rico, se faz pobre; n\u00e3o tendo pecado, se faz mergulhar neste mist\u00e9rio. \u00c9 um mist\u00e9rio de amor para viver ao longo de todo o ano lit\u00fargico, pois a liturgia celebra e vive do mist\u00e9rio de Cristo.<\/p>\n<p>O aniquilamento de Jesus \u00e9 a prova de um amor infinito e incompreens\u00edvel que Deus tem por cada um de n\u00f3s. Ele, sem precisar de n\u00f3s para a sua Gl\u00f3ria, assume a nossa natureza, pois n\u00f3s jamais conseguir\u00edamos redimir-nos dos nossos pecados.<\/p>\n<p>Gosto de pensar que o pecado \u00e9 a \u00fanica ac\u00e7\u00e3o de car\u00e1cter infinito, se assim se pode dizer, que o homem faz, pois Deus, que se ofende com as nossas transgress\u00f5es, ofende-se na sua medida, que \u00e9 infinita, se assim se pode dizer, novamente, pois nossa linguagem \u00e9 sempre imprecisa ao falar do divino. J\u00e1 dizia algu\u00e9m que, de Deus, sabe-se melhor Quem Ele n\u00e3o \u00e9 do que Quem Ele \u00e9. Ofendendo a Deus na sua medida, o nosso pecado ofende-o infinitamente, pelo que s\u00f3 uma repara\u00e7\u00e3o infinita pode apagar o pecado. Da\u00ed a Kenosis de Deus que, no seu Filho, recebe repara\u00e7\u00e3o infinita, para suprir a nossa conting\u00eancia.<\/p>\n<p>Este \u00e9 o amor de Deus celebrado neste Natal. Ele vem a n\u00f3s para nos elevar at\u00e9 Ele. Este mist\u00e9rio tem feito as del\u00edcias de toda a Igreja nestes dois mil anos e de tantos que se dedicam \u00e0 liturgia, \u00e0 teologia, \u00e0 espiritualidade, de conventos e mosteiros, de poetas e de m\u00edsticos. Neste mist\u00e9rio, encontra a nossa alma o verdadeiro conforto e a maior prova de um amor eficaz.<\/p>\n<p>Santa Teresa gostava de dizer que o melhor caminho para chegar a Deus \u00e9 a considera\u00e7\u00e3o da Humanidade de Cristo Deus. Ela, a humanidade, em todos os seus momentos, \u00e9 o mist\u00e9rio que nos d\u00e1 a vida. Em Deus feito Homem, Deus mostra-nos o seu \u00edcone, a sua imagem de ternura, a sua realidade palp\u00e1vel, vindo ao encontro das mais profundas esperan\u00e7as da humanidade em toda a sua exist\u00eancia. Podemos explicar isto com a compara\u00e7\u00e3o do balanc\u00e9. Deus, sentado numa extremidade, levanta-nos a n\u00f3s, que estamos na outra. O seu abaixar-se \u00e9 a nossa eleva\u00e7\u00e3o para o Alto, para o Divino. O homem s\u00f3 tem de seguir o exemplo: Aniquilar-se tamb\u00e9m ele para que Deus seja exaltado em n\u00f3s. Aniquilar pela educa\u00e7\u00e3o o nosso ego\u00edsmo, sensualidade, enfim, deixar que seja Cristo a viver em n\u00f3s, pelo cumprimento da sua vontade.<\/p>\n<p>Este \u00e9 o projecto de vida que o Senhor nos prop\u00f5e neste ano de 2011. Numa sociedade hedonista, sensual, mentirosa, avarenta, materialista, cada Eucaristia significa a Kenosis de Deus que desce at\u00e9 n\u00f3s. Ao receb\u00ea-lo, dever\u00edamos dizer com S. Jo\u00e3o Baptista: \u201cQue Ele cres\u00e7a e que eu diminua\u201d. Ent\u00e3o ouviremos um dia a frase j\u00e1 conhecida: \u201cQuem se humilha ser\u00e1 exaltado\u201d.<\/p>\n<p>P.e V\u00edtor Espadilha<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Po\u00e7o de Jacob &#8211; 63<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-18474","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18474","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18474"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18474\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18474"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18474"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18474"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}