{"id":18478,"date":"2011-01-12T15:12:00","date_gmt":"2011-01-12T15:12:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=18478"},"modified":"2011-01-12T15:12:00","modified_gmt":"2011-01-12T15:12:00","slug":"dioceses-velhas-dioceses-novas-criterias-conciliares","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/dioceses-velhas-dioceses-novas-criterias-conciliares\/","title":{"rendered":"Dioceses velhas, dioceses novas, crit\u00e9rias conciliares"},"content":{"rendered":"<p>O problema voltou \u00e0 pra\u00e7a p\u00fablica, onde a livre opini\u00e3o tem lugar e sentido. Muitos dos interessados nem deram por isso, donde a crise em Portugal n\u00e3o ser apenas econ\u00f3mica. O di\u00e1rio \u201ci\u201d de 24-25 de Dezembro \u00faltimo, publicou uma entrevista, com fotografia e chamada \u00e0 primeira p\u00e1gina, feita a D. Manuel Clemente, Bispo do Porto. O entrevistador, j\u00e1 l\u00e1 para o fim, pergunta: \u201cContinua a falar-se da possibilidade de dividir a diocese, que \u00e9 a maior do pa\u00eds. Isso faria sentido?\u201d D. Manuel respondeu: \u201cSer\u00e1 muito dif\u00edcil nos tempos pr\u00f3ximos que aconte\u00e7a, por causa do pouco clero que temos &#8211; somos 300 e tal sacerdotes. Se fossemos dividir ainda mais os poucos recursos que temos para criar os organismos centrais que cada nova diocese iria requerer, seria muito complicado\u201d.<\/p>\n<p>O Bispo do Porto \u00e9 hoje o bispo portugu\u00eas mais medi\u00e1tico e com maior audi\u00eancia p\u00fablica. A cada passo se fala dele e ele aparece a falar na r\u00e1dio, na televis\u00e3o, nos jornais, em congressos e simp\u00f3sios, em confer\u00eancias e encontros, sempre com microfones abertos e dispon\u00edveis. Por isso mesmo, ele n\u00e3o \u00e9, como homem da Igreja, uma voz qualquer. O que diz serve de crit\u00e9rio para muita gente que o ouve, l\u00ea, segue, e forma, a partir da\u00ed, a sua ideia e imagem da Igreja. Ora, no apre\u00e7o que a pessoa e o tema me merecem, fiquei perplexo com a resposta lida. A meu ver, perdeu-se uma ocasi\u00e3o prop\u00edcia para que, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 hip\u00f3tese de novas dioceses, se transmitissem crit\u00e9rios conciliares, v\u00e1lidos e actuais, em vez dos pobres crit\u00e9rios tradicionais, centrados apenas no clero, como se a caminhada de renova\u00e7\u00e3o da Igreja, Povo de Deus, n\u00e3o tivesse a orient\u00e1-la sen\u00e3o o horizonte clerical.<\/p>\n<p>As dioceses portuguesas, criadas ou restauradas de 1918 a 1977 \u2013 Leiria, Vila Real, Aveiro, Santar\u00e9m, Set\u00fabal, Viana do Castelo \u2013, com mais ou menos padres no seu in\u00edcio, s\u00e3o hoje Igrejas com os problemas normais das outras dioceses, mas Igrejas vivas e criativas, que dificilmente o seriam se continuassem sob a tutela das grandes dioceses de que, em alguns casos, se separaram com problemas pelo meio.<\/p>\n<p>\u201cA diocese \u00e9 a por\u00e7\u00e3o do Povo de Deus confiada a um bispo para a apascentar, com a coopera\u00e7\u00e3o do presbit\u00e9rio, de forma que unida ao seu Pastor e por ele congregada pelo Esp\u00edrito Santo, pelo Evangelho e pela Eucaristia constitua um igreja particular, em que esteja verdadeiramente presente e operante a igreja una, santa, cat\u00f3lica e apost\u00f3lica de Cristo\u201d (Conc\u00edlio Vaticano II, CD 11).<\/p>\n<p>O foco conciliar aponta para o Povo Deus que deve ser apascentado, isto \u00e9, conhecido, amado, alimentado, defendido, educado na f\u00e9, congregado na Eucaristia, empenhado na miss\u00e3o, acolhido e reconhecido nos seus dons e carismas, aberto ao mundo e aos desafios que a sociedade e a cultura lhe p\u00f5em, presente e actuante na comunidade humana como sinal do Reino. Esta \u00e9 a miss\u00e3o, permanente e nem sempre f\u00e1cil, do Bispo, ajudado por um presbit\u00e9rio unido, comprometido a tempo inteiro, aberto e testemunhante, pelos di\u00e1conos e, tamb\u00e9m, pelos consagrados e os leigos, homens e mulheres. Nesta perspectiva se dever\u00e1 ver a necessidade de uma nova diocese, ou seja, quando aquela por\u00e7\u00e3o do Povo de Deus precisa de uma especial aten\u00e7\u00e3o, presen\u00e7a do Pastor e de uma cuidada resposta aos seus problemas concretos.<\/p>\n<p>O Vaticano II, no Decreto sobre o Munus dos Bispos (CD 22), alarga e concretiza: \u201cPara se conseguir a finalidade pr\u00f3pria da diocese, \u00e9 necess\u00e1rio que a natureza da Igreja se manifeste no Povo de Deus pertencente \u00e0 mesma diocese, que os bispos possam cumprir eficazmente o seu minist\u00e9rio pastoral e, finalmente, que se atenda, o mais perfeitamente poss\u00edvel, \u00e0 salva\u00e7\u00e3o do Povo de Deus. Isto exige por um lado, a conveniente circunscri\u00e7\u00e3o dos limites territoriais das dioceses e, por outro, uma distribui\u00e7\u00e3o racional dos cl\u00e9rigos e dos recursos em conformidade com as exig\u00eancias do apostolado\u2026 Por conseguinte, no que diz respeito \u00e0s fronteiras das dioceses, o Conc\u00edlio declara que, na medida em que o bem das almas o exigir, se proceda quanto antes a uma revis\u00e3o conveniente, mas prudente, dividindo, desmembrando ou unindo as dioceses, alterando-lhes os limites ou determinando local mais apto para as s\u00e9s episcopais, ou ainda dando-lhes uma nova organiza\u00e7\u00e3o interna, sobretudo tratando-se de dioceses que abarcam grandes cidades\u201d.<\/p>\n<p>A revis\u00e3o regular das estruturas pastorais da Igreja \u00e9 um dever que n\u00e3o se pode adiar. As estruturas nascem ao servi\u00e7o da vida. Passados tempos em que muita coisa mudou, mais a impedem que favorecem. A criatividade, a procura de caminhos e a inova\u00e7\u00e3o imp\u00f5em-se cada vez mais. Por essa Europa fora n\u00e3o faltam exemplos corajosos de inova\u00e7\u00e3o, quer a partir das grandes diocese como Paris, Madrid, Barcelona, quer de pequenas dioceses desertificadas. Em Portugal, h\u00e1 muitos anos pouco ou nada acontece ou acontece sempre tardiamente. No caso de novas dioceses foi sempre dif\u00edcil tocar ou tocou-se, com sofrimento e incompreens\u00e3o, para alguns intervenientes no processo. No que se fez, h\u00e1 casos em que persistem erros dif\u00edceis de emendar, fruto de interesses criados, opini\u00f5es poderosas, passos mal pensados, precipita\u00e7\u00f5es lament\u00e1veis. Dizia-me uma vez um bispo, a justificar-se, que todo o processo de cria\u00e7\u00e3o de uma diocese devia partir das bases. Ao que eu ripostei: \u201cE quando as bases s\u00e3o abafadas se dissentem das c\u00fapulas?\u201d<\/p>\n<p>Ainda bem que D. Manuel Clemente trouxe o tema \u00e0 pra\u00e7a p\u00fablica, ainda que de rasp\u00e3o, dando-lhe um caminho estreito. \u00c9 preciso ler a vida, que o Povo de Deus se manifeste e seja ouvido, se tenham em conta os crit\u00e9rios conciliares. Se assim for, os casos concretos ter\u00e3o outra luz, mais forte e determinante do que a dos simples cl\u00e9rigos, do cabido da catedral e dos bairrismos locais.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O problema voltou \u00e0 pra\u00e7a p\u00fablica, onde a livre opini\u00e3o tem lugar e sentido. Muitos dos interessados nem deram por isso, donde a crise em Portugal n\u00e3o ser apenas econ\u00f3mica. O di\u00e1rio \u201ci\u201d de 24-25 de Dezembro \u00faltimo, publicou uma entrevista, com fotografia e chamada \u00e0 primeira p\u00e1gina, feita a D. 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