{"id":1850,"date":"2010-06-16T10:29:00","date_gmt":"2010-06-16T10:29:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=1850"},"modified":"2010-06-16T10:29:00","modified_gmt":"2010-06-16T10:29:00","slug":"cultura-do-povo-sucesso-economico-e-resposta-a-crise","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/cultura-do-povo-sucesso-economico-e-resposta-a-crise\/","title":{"rendered":"Cultura do povo, sucesso econ\u00f3mico e resposta \u00e0 crise"},"content":{"rendered":"<p>Algu\u00e9m se interrogava h\u00e1 dias no jornal \u201cExpresso\u201d se a cultura do povo pode ajudar a resolver a crise que nos toca e provocar sucesso econ\u00f3mico. A pergunta, a meu ver, n\u00e3o \u00e9 destitu\u00edda de sentido. Quem pergunta tem interesse em ver mais claro, p\u00f5e-se a caminho \u00e0 procura de resposta, leva outros a reflectir. Foi o caso.<\/p>\n<p>Dificuldades, pessoais e sociais, sempre as teremos. A solu\u00e7\u00e3o poss\u00edvel est\u00e1 mais nas pessoas que as sofrem do que nas leis e normas prescritas por outros. Nunca vir\u00e1 luz do que s\u00f3 fazem lamenta\u00e7\u00f5es e cr\u00edticas n\u00e3o comprometidas, dos que olham para o lado \u00e0 procura dos eternos culpados de tudo, de quem cai em revolta e se esgota em acusa\u00e7\u00f5es raivosas. Mesmo quando somos v\u00edtimas das incompet\u00eancias de outrem, a procura de caminho tem sempre de se fazer come\u00e7ando por n\u00f3s.<\/p>\n<p>Quando a crise \u00e9 de milh\u00f5es, provocada por quem n\u00e3o foi nem sensato nem cuidadoso e quis ser grande a contar s\u00f3 com os outros, ent\u00e3o, j\u00e1 nem a Europa com os torniquetes apertados e amea\u00e7as no ar, consegue dar volta certa \u00e0 situa\u00e7\u00e3o. E l\u00e1 vamos n\u00f3s a ver os administradores que escolhemos para nos governar. Resta pouco mais que a esperan\u00e7a de os despedir a seu tempo, os substituir por gente mais competente e aprendermos com os erros cometidos.<\/p>\n<p>A crise, todas as crises, t\u00eam a suas causas. Tentar conhecer e aprofundar o que lhes deu origem \u00e9 meio caminho para a solu\u00e7\u00e3o, no que a n\u00f3s diz respeito. Mas h\u00e1 uma cultura procurada e adquirida que n\u00e3o se pode dispensar.  <\/p>\n<p>Nada se poder\u00e1 esperar de gente que solta r\u00e9deas \u00e0 imagina\u00e7\u00e3o, deixa de ter os p\u00e9s na terra, vive descuidada do dia-a-dia, gasta mais do que ganha, n\u00e3o prev\u00ea as consequ\u00eancias da sua superficialidade, tem lindas ideias e fracos procederes, se encosta sempre para beneficiar mais e fazer menos. De gente que se esquece que viver em sociedade se tem direitos n\u00e3o dispensa deveres.<\/p>\n<p>Entra o papel da cultura de cada um e do conjunto, que n\u00e3o se traduz necessariamente em diplomas universit\u00e1rios, mas se aprende na escola da vida e \u00e9 moldada por uma experi\u00eancia di\u00e1ria.<\/p>\n<p>Uma cultura expressa num modo habitual de agir, aprendido na pr\u00e1tica de regras de vida, que ensina a import\u00e2ncia e o valor dos meios de que se dispomos e da gest\u00e3o que deles fazemos, n\u00e3o permite gastar al\u00e9m do que se tem, leva a distinguir o essencial, o importante e o sup\u00e9rfluo, d\u00e1 valor positivo \u00e0s priva\u00e7\u00f5es indispens\u00e1veis, sabe prever e prevenir quando se tomam decis\u00f5es, d\u00e1 import\u00e2ncia \u00e0 poupan\u00e7a n\u00e3o obsessiva, \u00e0 pr\u00e1tica da solidariedade e da partilha, ao pequeno ou grande investimento com dimens\u00e3o social.<\/p>\n<p>H\u00e1 gente que aprendeu a recorrer a meios pr\u00f3prios de administra\u00e7\u00e3o aprendidos no seio da fam\u00edlia, para n\u00e3o ter que viver um dia a esbanjar e outro a passar fome.<\/p>\n<p>Agora mesmo, ao ver como muitas pessoas vivem e gastam, interrogamo-nos sobre se t\u00eam consci\u00eancia da crise que afecta a todos e d\u00e3o um m\u00ednimo de aten\u00e7\u00e3o ao seu caminho. <\/p>\n<p>A falta de uma cultura que se traduz em vida faz com que muita gente se deixe arrastar pela publicidade agressiva que tudo facilita, incita a comprar sem dinheiro, retalha em peda\u00e7os o sal\u00e1rio do m\u00eas, empurra para o consumismo f\u00e1cil e agrad\u00e1vel. Quando parece que tudo tem garantia num ordenado j\u00e1 parcelado por mil encargos, o pr\u00f3prio ordenado perde a sua garantia e surge o caos, traduzido em noite e dor. <\/p>\n<p>S\u00f3 dando valor ao que se tem, muito ou pouco, se aprende a viver na abund\u00e2ncia e na priva\u00e7\u00e3o. J\u00e1 passamos pela experi\u00eancia de quem tudo perdeu, em \u00c1frica ou no Leste. Quem tinha a cultura da vida recuperou sempre. O patrim\u00f3nio de uma pessoa n\u00e3o \u00e9 constitu\u00eddo s\u00f3 por bens materiais, mas tamb\u00e9m por experi\u00eancias vividas e dificuldades vencidas. Quando os bens se perdem, h\u00e1 um bem que perdura e permite voltar a vencer. Neste sentido, a cultura do povo pode vencer crises e conseguir sucesso econ\u00f3mico. Se o povo se deixa adormecer, perde a sua riqueza natural e tudo se torna mais dif\u00edcil. Por isso mesmo s\u00f3 merece governar o povo quem o respeita e aprende com ele a governar a vida.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Algu\u00e9m se interrogava h\u00e1 dias no jornal \u201cExpresso\u201d se a cultura do povo pode ajudar a resolver a crise que nos toca e provocar sucesso econ\u00f3mico. A pergunta, a meu ver, n\u00e3o \u00e9 destitu\u00edda de sentido. Quem pergunta tem interesse em ver mais claro, p\u00f5e-se a caminho \u00e0 procura de resposta, leva outros a reflectir. 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