{"id":18509,"date":"2011-11-09T10:28:00","date_gmt":"2011-11-09T10:28:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=18509"},"modified":"2011-11-09T10:28:00","modified_gmt":"2011-11-09T10:28:00","slug":"grao-a-grao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/grao-a-grao\/","title":{"rendered":"\u00abGr\u00e3o a gr\u00e3o&#8230;\u00bb"},"content":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu <!--more--> As grandes hist\u00f3rias de sucesso, normalmente apresentadas como exemplares, s\u00e3o notoriamente uma hist\u00f3ria de persist\u00eancia: nas\u00e7a-se rico ou pobre, s\u00f3 juntando pacientemente o fruto do trabalho e cultivando a arte de chamar a aten\u00e7\u00e3o dos outros \u00e9 que garantimos o nosso capital. <\/p>\n<p>A passagem de hoje do evangelho \u00e9 bem clara sobre este assunto. Olhando tamb\u00e9m para a extraordin\u00e1ria e bem sucedida mulher trabalhadora, da 1.\u00aa leitura, bem que poderia ser um texto defensor da pouco recomend\u00e1vel \u00ab\u00e9tica do sucesso\u00bb \u2013 conceito que afinal n\u00e3o garante a salva\u00e7\u00e3o nem neste mundo nem no outro, e muitas vezes contradiz a exig\u00eancia crist\u00e3 de preocupa\u00e7\u00e3o pelo bem comum e por \u00abse fazer pr\u00f3ximo\u00bb das vidas que se cruzam com a nossa. <\/p>\n<p>De facto, muita gente conquista o sucesso provocando o insucesso dos outros ou acha que, para ser algu\u00e9m, deve tratar os outros como gente inferior, incapaz de tomar ou partilhar decis\u00f5es. (Mas \u00e9 oportuno lembrar que Max Weber, no seu estudo \u00abA \u00e9tica protestante e o esp\u00edrito do capitalismo\u00bb, refere como a religi\u00e3o crist\u00e3, na sua vertente protestante, ter\u00e1 impulsionado a justifica\u00e7\u00e3o da luta pelo ganho econ\u00f3mico, juntamente com profunda exig\u00eancia de justi\u00e7a social \u2013 em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica, ligada a um certo alheamento das coisas deste mundo). <\/p>\n<p>Querer-se comparar \u00e9 uma tend\u00eancia humana, que podemos usar tanto para o bem como para o mal. E tamb\u00e9m \u00e9 verdade que muita gente se sente infeliz porque acha que n\u00e3o tem tantos talentos como os outros e, por inveja ou pregui\u00e7a, nem faz render o que tem (que at\u00e9 costuma ser mais do que o pr\u00f3prio pensa) nem deixa que os outros \u00abfa\u00e7am bom neg\u00f3cio\u00bb, chegando a destruir o que de bom foi feito.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio do que se costuma dizer, ningu\u00e9m nasce igual e ningu\u00e9m pode ter as mesmas oportunidades na vida. No esp\u00edrito da par\u00e1bola de hoje, apenas somos iguais na obriga\u00e7\u00e3o de n\u00e3o deixar a conta a zero (e n\u00e3o h\u00e1\u00abcontas-ordenado\u00bb para ningu\u00e9m!&#8230;).<\/p>\n<p>Cada qual tem a responsabilidade de n\u00e3o esconder a sua pr\u00f3pria luz (Mateus 5, 14-16). Se nos submetermos ao imp\u00e9rio dos \u00abratings\u00bb, podemos falar de luzes fortes e luzes fracas. Mas Jesus mais uma vez sublinha que o bem e o mal procedem das inten\u00e7\u00f5es e n\u00e3o dos crit\u00e9rios superficiais de classifica\u00e7\u00e3o. O cen\u00e1rio luminoso da humanidade s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel tirando partido de todas as luzes, com a maior variedade poss\u00edvel de intensidade, cores e ritmo. <\/p>\n<p>Aquelas \u00abluzes\u00bb, que disfar\u00e7am a gan\u00e2ncia sob a capa mal fabricada da concorr\u00eancia e competitividade, e que n\u00e3o hesitam em eliminar outras luzes \u2013 a esses, \u00abmelhor fora que lhes atassem uma pedra ao pesco\u00e7o e os lan\u00e7assem ao mar\u00bb (Marcos 9, 42).<\/p>\n<p>Gr\u00e3o a gr\u00e3o, vamos juntando conhecimentos e exames de consci\u00eancia sobre a injusti\u00e7a das rela\u00e7\u00f5es humanas. Falamos do \u00abdireito das minorias\u00bb ou dos \u00abmarginalizados\u00bb (que s\u00e3o maiorias\u2026) e ao menos achamos bem que os outros tomem medidas para proteger esses direitos. <\/p>\n<p>A 1.\u00aa leitura, tra\u00e7ando o retrato da \u00abmulher de valor\u00bb, obriga-nos a reflectir sobre as potencialidades pr\u00f3prias dos sexos masculino e feminino \u2013 e poucas vezes se tem coragem para aclamar o sinal positivo desta \u00abbipolaridade humana\u00bb, simbolizada e presente em n\u00edveis diversos em cada ser humano. Um tema particularmente distorcido em c\u00edrculos religiosos mais fechados ou partid\u00e1rios de um cen\u00e1rio pouco favor\u00e1vel ao esplendor da face feminina do ser humano \u2013 \u00abcriado \u00e0 imagem de Deus como macho e f\u00eamea\u00bb (G\u00e9nesis 1, 27). <\/p>\n<p>A compreens\u00edvel revolta perante o mal, e sobretudo a tristeza que nos causa, leva-nos por vezes a cruzar os bra\u00e7os, alegando que n\u00e3o depende de n\u00f3s mudar o mundo e que Deus l\u00e1 est\u00e1 para julgar. \u00c9 verdade que a carta de S. Paulo hoje citada, marcada pela cren\u00e7a de que \u00abo fim\u00bb estava pr\u00f3ximo, n\u00e3o incita muito ao trabalho pela transforma\u00e7\u00e3o do mundo (com outros textos paralelos, favorece o mencionado passivismo e sujei\u00e7\u00e3o acr\u00edtica ao poder, em que as religi\u00f5es podem cair). <\/p>\n<p>Ora n\u00e3o basta cumprir bem as fun\u00e7\u00f5es que nos s\u00e3o atribu\u00eddas: temos o dever de as avaliar quanto \u00e0 justi\u00e7a e import\u00e2ncia para o progresso da humanidade \u2013 de toda a humanidade, ricos e pobres, no presente e nas gera\u00e7\u00f5es futuras. Como Jesus sublinha no evangelho, n\u00e3o nos podemos desculpar dizendo que temos \u00abpouco talento\u00bb e que, se o mundo vai mal, a culpa \u00e9 de quem o criou. <\/p>\n<p>Na opini\u00e3o de muitos peritos, a par\u00e1bola de hoje \u00e9 mais um exemplo do \u00abataque\u00bb de Jesus \u00e0 in\u00e9rcia religiosa \u2013 a uma esp\u00e9cie de avareza fan\u00e1tica que enterra o tesouro para que fique sempre na mesma, impedindo novas aplica\u00e7\u00f5es. \u00c9 a estes que ser\u00e1 retirado o pr\u00f3prio tesouro que lhes foi confiado \u2013 e entregue a quem se esfor\u00e7a por \u00abfazer mais\u00bb, com a ajuda do \u00abSenhor dos talentos\u00bb.<\/p>\n<p>\u00abGr\u00e3o a gr\u00e3o\u2026\u00bb, \u00abDeus ajuda a quem se ajuda\u00bb\u2026<\/p>\n<p>Manuel Alte da Veiga<\/p>\n<p>m.alteveiga@netcabo.pt   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-18509","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18509","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18509"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18509\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18509"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18509"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18509"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}