{"id":18513,"date":"2011-11-09T10:34:00","date_gmt":"2011-11-09T10:34:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=18513"},"modified":"2011-11-09T10:34:00","modified_gmt":"2011-11-09T10:34:00","slug":"sobre-o-modo-de-morrer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/sobre-o-modo-de-morrer\/","title":{"rendered":"Sobre o modo de morrer"},"content":{"rendered":"<p>Deveria ser ao contr\u00e1rio. Mas a nossa falta de acerto \u00e9 infinita. Nesta causa o \u00abdito\u00bb mais aut\u00eantico: \u201cVamos \u00e0 morte que a vida \u00e9 certa\u201d. Ironia benfazeja. \u00abSer-para-a-morte\u00bb. Importa \u00e9 viver a Morte. Encar\u00e1-la sem rodeios, com os olhos por baixo. Sem aperto no cora\u00e7\u00e3o; segurando l\u00e1grimas escondidas&#8230; descodificar o n\u00e3o haver morte sem mortifica\u00e7\u00e3o; isso nos d\u00f3i imenso. A morte amiga \u00e9 de facto um \u201cvale de l\u00e1grimas\u201d, distante de toda a beatice ing\u00e9nua e malcriada. Nascemos, enquanto pr\u00f3digos naturais e prod\u00edgios t\u00e9cnicos, na era da morte ass\u00e9ptica. Contudo, s\u00f3 morremos, verdadeiramente, no Amor (para o Amor); assim nos mostrou a Morte \u00abjesuana\u00bb de t\u00e3o plenamente \u00abcristificada\u00bb. O Corpo de Jesus n\u00e3o se queria abandonar fora do seu Esp\u00edrito enquanto Messias; foi mal entendido (ainda que amado at\u00e9 ao desconhecido, ao avesso da nossa comunica\u00e7\u00e3o). Agora e na hora da nossa Morte\u2026, l\u00e1bios gr\u00e1vidos de uma prece ousadamente humilde. Uma prece feita de P\u00f3 e Luz. S\u00f3 essa lista branqueadora, sem mais adere\u00e7os e solenidades. Todos os nomes, j\u00e1 est\u00e3o inscritos. N\u00e3o h\u00e1 poupan\u00e7a no morrer.<\/p>\n<p>A \u00abminha\u00bb morte (s\u00f3 essa \u00e9 inscrita para mim&#8230;) n\u00e3o ser\u00e1 Solid\u00e3o e Vazio. Absurdo talvez, pela perda de significado no consumismo l\u00edquido. N\u00e3o ficaremos s\u00f3s, n\u00e3o ficaremos esvaziados. A Sua Ressurrei\u00e7\u00e3o diante da \u201cmorte matada na Cruz\u201d; \u00e9 o in\u00edcio doutro Tempo e doutro Espa\u00e7o: o da Comunh\u00e3o e do Sentido. Como acreditar nisso sem a intelig\u00eancia dos afectos? A mem\u00f3ria vem em nosso aux\u00edlio. A morte traz sempre uma hist\u00f3ria. Sem ponto final. N\u00f3s pontuamos muito mal sem a ajuda de Deus. Como s\u00f3 se vive uma vez (ou n\u00e3o ser\u00e1 que vivemos muitas vidas atadas na Vida Abundante&#8230;?) as nossas hist\u00f3rias de mortais nunca se repetem. N\u00e3o queria o medo da Morte &#8211; tabu esse imortal -, o seu Rosto Frio, n\u00e3o pode ser \u00abdominado\u00bb, nem no an\u00fancio mais sedutor, do melhor \u201cModelo &#8211; Classe E\u201d, na TV di\u00e1ria&#8230; perante a seguran\u00e7a \u00abAbsoluta e Total do ABS&#8230;\u00bb, meu \u00abcarro\u00bb continua \u201cdesassossegado\u201d, n\u00e3o sabe do imprevis\u00edvel. N\u00e3o sabe para onde ir, sem uma Rota L\u00facida!? A morte n\u00e3o se engana. \u00abMorte certa, hora incerta\u00bb. Nada m\u00edstico. Ele \u00e9 o nosso \u00abCaminho\u00bb; porque revela a Verdade consentida na encarna\u00e7\u00e3o da \u00abNossa-J\u00e1-Morte-Vivida\u00bb. Funeral sem missa? Melhor ainda: nenhuma missa com rito f\u00fanebre \u00e9 poss\u00edvel, depois das prim\u00edcias da Sua\/Nossa Ressurrei\u00e7\u00e3o! N\u00e3o a morte \u00e0 \u00abderiva\u00bb; sim \u00e0 \u00abm\u00e3o amiga\u00bb! Cuidar e ser cuidado. \u00abGanhamos\u00bb um Sorriso de Esperan\u00e7a! L\u00e1grima indolor. Instante eterno, agora e para sempre.<\/p>\n<p>FONTES: Anuncio Mercedes-Benz Classe E (Engana a Morte): Cfr. http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=MaTDY1qtQsU, acesso: 01-11-11; LOPES, Maria Jo\u00e3o, \u201cA vida numa funer\u00e1ria\u201d in P\u00fablico P2, 01-11-11, pp. 4-6; MAGALH\u00c3ES, Vasco Pinto, S.J., O Olhar e o Ver, Ed. Tenacitas, Coimbra, 42007, pp. 395-411; M\u00d3NICA, Maria Filomena, A Morte, Funda\u00e7\u00e3o Francisco Manuel dos Santos, 2011.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Deveria ser ao contr\u00e1rio. Mas a nossa falta de acerto \u00e9 infinita. Nesta causa o \u00abdito\u00bb mais aut\u00eantico: \u201cVamos \u00e0 morte que a vida \u00e9 certa\u201d. Ironia benfazeja. \u00abSer-para-a-morte\u00bb. Importa \u00e9 viver a Morte. Encar\u00e1-la sem rodeios, com os olhos por baixo. 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