{"id":1853,"date":"2010-06-23T14:46:00","date_gmt":"2010-06-23T14:46:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=1853"},"modified":"2010-06-23T14:46:00","modified_gmt":"2010-06-23T14:46:00","slug":"interrogacoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/interrogacoes\/","title":{"rendered":"Interroga\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p>1. O pa\u00eds parou! O pa\u00eds p\u00e1ra por qualquer coisa. E, num \u00e1pice, transfigura-se o clima nacional: de uma frustra\u00e7\u00e3o consistente, passa-se a uma euforia inebriante, que \u00e9 como quem diz, perfeitamente alienante, e da mesma forma ef\u00e9mera.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m gosto que a selec\u00e7\u00e3o nacional alcance vit\u00f3rias. As cores nacionais agitadas em manifesta\u00e7\u00e3o jubilosa emocionam-me mesmo. A festa do desporto \u00e9 salutar, se n\u00e3o \u00e9 pervertida por estrat\u00e9gias ocultas, incapacidades dilu\u00eddas em dissimula\u00e7\u00f5es, ensombrada por estrelas t\u00e3o intensas, que a poder de tanto quererem brilhar ofuscam todo o espect\u00e1culo.<\/p>\n<p>Que Portugal v\u00e1 em frente, no futebol; mas, acima de tudo, que tenha consci\u00eancia que o seu futuro se constr\u00f3i n\u00e3o com futebol mas com produtividade, com amor ao trabalho, com harmonia social &#8211; que o futebol muitas vezes desarranja, com o seu escandaloso mundo dos dinheiros, com os v\u00edcios que instala, desde as estruturas organizativas aos atletas, atingindo tamb\u00e9m os habituais frequentadores.<\/p>\n<p>Em frente, Portugal! Em frente na garra para pegar o futuro em m\u00e3os!<\/p>\n<p>2. Nutro respeito por quem pensa diferente. Espero sempre que tamb\u00e9m os diferentes se respeitem. Penso diferente de Saramago. Nutro respeito pela sua obra liter\u00e1ria, ainda que discordando da intencionalidade da maior parte dela. N\u00e3o me parece que ele tenha nutrido o mesmo respeito pelos que t\u00eam convic\u00e7\u00f5es das que ele tinha.<\/p>\n<p>Discordo do endeusamento vivido nestes dias. Longe de estar de acordo com a eleva\u00e7\u00e3o do escritor a m\u00e1ximo \u201cescultor da l\u00edngua portuguesa\u201d. Contributos significativos deu-os, sem d\u00favida. Mas nem tudo foi constru\u00e7\u00e3o de uma identidade de \u201calma nacional\u201d. S\u00e9culos de literatura portuguesa, dos mais diversos quadrantes e g\u00e9neros, constru\u00edram um patrim\u00f3nio irrenunci\u00e1vel, que de modo algum se eclipsa com o brilho de uma estrela.<\/p>\n<p>Pese, embora, um t\u00edtulo \u00edmpar para a galeria nacional de trof\u00e9us &#8211; o Pr\u00e9mio Nobel &#8211; \u00e9 bom lembrar que n\u00e3o foi de todo un\u00e2nime essa atribui\u00e7\u00e3o e que muito se disse sobre as suspeitas de cor partid\u00e1ria nessa atribui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>M\u00e9rito, sem d\u00favida. Mas n\u00e3o temos que ir todos ao funeral, nem temos todos de vestir de luto. At\u00e9 porque me sobra uma d\u00favida: o amor a Portugal traduz-se numa retirada de conveni\u00eancia? Muitos fizeram-se exilados, em ex\u00edlio dourado; enquanto outros permaneceram de p\u00e9, como as \u00e1rvores, sofrendo as consequ\u00eancias da sua integridade.<\/p>\n<p>Homenagem, sim! Mas com medida!  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. 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