{"id":1855,"date":"2010-06-23T15:05:00","date_gmt":"2010-06-23T15:05:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=1855"},"modified":"2010-06-23T15:05:00","modified_gmt":"2010-06-23T15:05:00","slug":"chorei-sobre-o-apartheid","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/chorei-sobre-o-apartheid\/","title":{"rendered":"Chorei sobre o &#8220;apartheid&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Colabora\u00e7\u00e3o <!--more--> J\u00e1 l\u00e1 v\u00e3o uns pares de anos. Andei por esse maravilhoso pa\u00eds, \u00c1frica do Sul, que tanto p\u00e3o deu e ainda d\u00e1 aos nossos valentes emigrantes, mas que tamb\u00e9m d\u00e1 mil e um amargos de boca\u2026<\/p>\n<p>E, agora, passados tempos, recordo um epis\u00f3dio que retrata bem o que foi aquele paradis\u00edaco pa\u00eds, onde o ouro abunda e o Cabo das Tormentas n\u00e3o se mistura com o da Boa Esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>Contemos, ent\u00e3o, o epis\u00f3dio, no decorrer da festa maior do desporto rei &#8211; o Mundial 2010. Na \u00e2nsia de ir mais longe nos trabalhos para que especificamente fora incumbido pelos meus jornais, galgava mares, pulava montanhas, porventura, nunca antes trepadas, escaladas. Fazia-me ao largo com riscos sem fronteiras. Sa\u00eda das paredes do hotel, entrava noite dentro pelas ruas das urbes. Era assim. Foi assim.<\/p>\n<p>Uma dessas aventuras ocorreu numa pra\u00e7a de Joanesburgo. A dada altura perdi-me. Perdi o norte da minha dormida. Telem\u00f3veis ainda n\u00e3o havia e outras comunica\u00e7\u00f5es n\u00e3o tinha. Que fazer? Descortinei algu\u00e9m, no meio de uma turba multa, que me pareceu gente de bem. No meu d\u00e9bil ingl\u00eas, pedi-lhe que me dissesse onde era um tal hotel. Ele, ainda muito jovem, respondeu-me em escorreito portugu\u00eas, d\u00e1-me um grande abra\u00e7o e leva-me ao meu dormit\u00f3rio. Que emo\u00e7\u00f5es me vieram \u00e0 mente, destes portugueses espalhados pelos cinco cantos do mundo. <\/p>\n<p>Tive outras recorda\u00e7\u00f5es, noutras paragens, como os casos dos \u201cbidonsvilles\u201d, nos arredores de Paris, nas favelas do Brasil, na Venezuela. Em todos, por\u00e9m, pulula a aventura dos her\u00f3is portugueses.<\/p>\n<p>Mas voltemos a Joanesburgo, em tempos de novas odisseias, que os nossos emigrantes, os nossos portugueses est\u00e3o a saborear, descendo ou subindo aos est\u00e1dios de multid\u00f5es de portugueses, agora, infelizmente, com riscos, mas eles n\u00e3o se cansam de clamar bem alto: \u201cPortugal\u201d, \u201cPortugal\u201d, sabendo, embora, os perigos que correm. Que o digam os nossos jornalistas que ali est\u00e3o destacados.<\/p>\n<p>Mas demos mais um passo e recordemos outra aventura. Ousei penetrar na regi\u00e3o do \u201capartheid\u201d, mas tive de ficar a v\u00ea-lo ao longe. O condutor do carro de aluguer disse-me categoricamente que l\u00e1 n\u00e3o me levava. \u201cQuer l\u00e1 ficar morto e eu?\u201d Parei, contemplei e, sem vergonha, chorei. Ali trabalhadores das minas de ouro tiravam fortuna. Mas nessas preciosidades, nesses man\u00e1s n\u00e3o podiam tocar. Queimavam-lhe as m\u00e3os!<\/p>\n<p>Para terminar, \u00e9 bom evocar e prestar vassalagem a essa figura impar, a esse santo da Liberdade e dos Direitos Humanos que se chama Nelson Mandela, o homem da queda do \u201capartheid\u201d.<\/p>\n<p>Daniel Rodrigues <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Colabora\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[48],"tags":[],"class_list":["post-1855","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espaco-comum"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1855","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1855"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1855\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1855"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1855"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1855"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}