{"id":18566,"date":"2011-11-16T11:29:00","date_gmt":"2011-11-16T11:29:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=18566"},"modified":"2011-11-16T11:29:00","modified_gmt":"2011-11-16T11:29:00","slug":"democracia-qual-democracia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/democracia-qual-democracia\/","title":{"rendered":"Democracia?! Qual democracia?"},"content":{"rendered":"<p>Ponta de Lan\u00e7a <!--more--> O in\u00edcio da segunda d\u00e9cada de XXI permite experienciar viv\u00eancias de ambiguidades hist\u00f3ricas que t\u00eam reflexo em toda a organiza\u00e7\u00e3o social, independentemente do modelo ou corrente ideol\u00f3gica que a suporta.<\/p>\n<p>Sobre a hist\u00f3ria da democracia, bem o sabemos, tudo isto \u00e9 um movimento constante que se atualiza no tempo, qual Pedra Filosofal, \u201csempre que o homem sonha, o mundo pula e avan\u00e7a como bola colorida entre as m\u00e3os duma crian\u00e7a\u201d, escrita por Ant\u00f3nio Gede\u00e3o, pseud\u00f3nimo do Dr R\u00f3mulo de Carvalho, musicada e cantada por Manuel Freire.<\/p>\n<p>O sonho dos homens e das mulheres possibilita, umas vezes mais c\u00e9lere outras mais lentamente, que o poder do povo (do \u201cdemos\u201d  + \u201cKratos\u201d grego)  fa\u00e7a um grande percurso; percurso sinuoso, dif\u00edcil, talhado por v\u00e1rias m\u00e3os, escrito por uns, cantado por outros, refundando-se, evoluindo no essencial.<\/p>\n<p>Apesar do discurso acerca da dificuldade na defini\u00e7\u00e3o de democracia h\u00e1 algum consenso acerca do justifica\u00e7\u00e3o  do conceito de comunidade pol\u00edtica, aquela unidade ou comunh\u00e3o de unidades nas quais todas as pessoas possuem o direito de participar dos processos da vida p\u00fablica, de debater ou decidir, que se baseia em direitos universais a partir dos princ\u00edpios de liberdade de express\u00e3o, igualdade  e dignidade humana. <\/p>\n<p>Por tudo isto, o que potencialmente somos, enquanto comunidades democr\u00e1ticas, estaremos muito pr\u00f3ximo de um est\u00e1dio que poderemos intitular de democracia feudal, a era do feudalismo financeiro. No s\u00e9culo III, quando o sistema esclavagista de produ\u00e7\u00e3o do Imp\u00e9rio Romano entrou em decad\u00eancia, com a crise econ\u00f3mica gerada pelas invas\u00f5es germ\u00e2nicas, muitos dos grandes senhores romanos abandonaram as cidades e foram viver nas suas propriedades. Surgiram os feudos medievais. Romanos, gregos, \u00edtalos, iberos, celtas,\u2026 povos menos ricos procuraram prote\u00e7\u00e3o e trabalho nas terras desses senhores. Mas, para poderem existir nessas terras, eram obrigados a entregar ao propriet\u00e1rio parte do que produziam. Progressivamente os anteriores escravos foram substitu\u00eddos pelo sistema servil de produ\u00e7\u00e3o, que predominou na Europa. Os senhores feudais, propriet\u00e1rios, podiam aumentar o jugo e o juro. O trabalhador, iludido com o sonho de vida melhor atrav\u00e9s de alguma concess\u00e3o, trabalhava toda a vida apenas para servir. O resto desta democracia medieval \u00e9 hist\u00f3ria contempor\u00e2nea que temos na mem\u00f3ria.<\/p>\n<p>E letrando ou cantando, n\u00e3o pode o homem e a mulher deixar de sonhar; isso matar\u00e1 a can\u00e7\u00e3o e deixa de fazer que o mundo pule e avance.<\/p>\n<p>Quando deixar de haver lugar ao sonho, a democracia, com base no argumento constitucional de letra morta que o povo tem poder (talvez o \u201cpoder estar calado\u201d), esta democracia \u00e9 reproduzida como legitimada mas ser\u00e1 uma democracia un\u00edvoca, pre-feudal! E ainda corremos o risco de chegar ao per\u00edodo mais puro deste percurso, resumido na \u201c Ora\u00e7\u00e3o f\u00fanebre\u201d de P\u00e9ricles!<\/p>\n<p>Desportivamente\u2026 <\/p>\n<p>&#8230; pelo desporto!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ponta de Lan\u00e7a<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-18566","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18566","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18566"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18566\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18566"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18566"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18566"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}