{"id":18569,"date":"2011-11-16T11:32:00","date_gmt":"2011-11-16T11:32:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=18569"},"modified":"2011-11-16T11:32:00","modified_gmt":"2011-11-16T11:32:00","slug":"em-prol-de-uma-ecologia-da-pessoa-humana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/em-prol-de-uma-ecologia-da-pessoa-humana\/","title":{"rendered":"Em prol de uma ecologia da pessoa humana"},"content":{"rendered":"<p>Os movimentos ecol\u00f3gicos acordaram, em comum, para a resposta \u00e0 interpela\u00e7\u00e3o urgente de um sinal dos tempos, que se pode traduzir pelo grito de respeito e defesa da natureza criada, amea\u00e7ada e, em muitos casos, j\u00e1 destru\u00edda, pelos atropelos que contra ela muitas pessoas fazem. Justifica-se a preocupa\u00e7\u00e3o, dado que se trata de um bem de todos e a todos necess\u00e1rio. O que j\u00e1 se conseguiu neste campo, sobretudo com as crian\u00e7as e a gente mais nova, \u00e9 impressionante. Muito \u00e9 o que se tem feito atrav\u00e9s da educa\u00e7\u00e3o nas escolas, das campanhas publicit\u00e1rias e da multiplica\u00e7\u00e3o dos meios adequados e acess\u00edveis que ajudam a respeitar ambiente natural e a saber classificar e recolher res\u00edduos e desperd\u00edcios. Se recordarmos o que entre n\u00f3s se passava h\u00e1 trinta ou quarenta anos, vemos uma diferen\u00e7a abissal neste aspecto, hoje com proveito para toda a gente.<\/p>\n<p>Acontece, por\u00e9m, que natureza criada \u00e9, tamb\u00e9m, a natureza humana, a pessoa concreta e, no respeito por ela, h\u00e1 ainda muito caminho para andar. \u00c9 verdade que a defesa da natureza criada e do que ela comporta e significa faz-se em raz\u00e3o das pessoas. Mas n\u00e3o podem parar a\u00ed os cuidados comuns. H\u00e1, segundo o que vemos e sentimos, a urg\u00eancia de uma defesa clara da natureza humana, ou seja, das pessoas concretas, frente \u00e0s agress\u00f5es graves contra as leis que regem a sua vida. Pensemos, por exemplo, na distribui\u00e7\u00e3o, nos centros de sa\u00fade p\u00fablicos, de anticonceptivos qu\u00edmicos que bloqueiam, interrompem e desviam o curso normal das leis da natureza, muitas vezes com consequ\u00eancias graves na sa\u00fade da mulher. Cientistas de grande valor internacional, defendem e provam que os m\u00e9todos naturais, n\u00e3o por raz\u00f5es morais ou religiosas, mas por raz\u00f5es cient\u00edficas provadas, s\u00e3o os \u00fanicos que respeitam a sequ\u00eancia normal das leis da natureza em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 concep\u00e7\u00e3o de novas vidas.<\/p>\n<p>Atento, desde h\u00e1 muitos anos, a este problema, nunca vi os movimentos de ecologistas preocupados com o que se faz em rela\u00e7\u00e3o ao aborto e com a destrui\u00e7\u00e3o das mulheres, protagonistas de primeira import\u00e2ncia, humana e social, na procria\u00e7\u00e3o. Os racioc\u00ednios correntes s\u00e3o redutores e parece interessar mais a efic\u00e1cia, o imediato sem esfor\u00e7o, que o respeito pela natureza humana e suas leis, em ordem \u00e0 vida procurada e defendida. Dir\u00e3o que a ci\u00eancia tem, tamb\u00e9m, a sua palavra. Pois que a diga, ao servi\u00e7o da vida, n\u00e3o da sua destrui\u00e7\u00e3o. A educa\u00e7\u00e3o sexual promovida e programada, que se d\u00e1 a crian\u00e7as e adolescentes nas escolas, onde leva ou pode levar esta gente indefesa?<\/p>\n<p>Noutro campo em aberto, n\u00e3o parece haver especial cuidado educar no respeito pelos outros, em atitudes e gestos de conc\u00f3rdia e paz. A viol\u00eancia nas escolas cresce e ganha cada dia formas novas e requintadas. Assim o dizem os servi\u00e7os do Estado, preocupados com o que se passa e com as consequ\u00eancias que da\u00ed derivam. Mas, j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 apenas o espa\u00e7o escolar, mas, tamb\u00e9m se verifica no espa\u00e7o familiar e no espa\u00e7o p\u00fablico, que s\u00e3o bens e direitos de todos n\u00f3s. H\u00e1 desprezo pela vida, agressividade incontrolada, viol\u00eancia cheia de consequ\u00eancias. Matam-se pessoas como se fossem coelhos, dentro lar e com filhos menores por testemunhas. Muita gente anda armada com armas de morte, porque tem a viol\u00eancia a encher-lhe o cora\u00e7\u00e3o. As pessoas valem menos que os gatos, os c\u00e3es e os touros de lide. E porqu\u00ea? Quantos s\u00e3o os que se preocupam, denunciam e clamam?<\/p>\n<p>Medidas contra a pessoa humana s\u00e3o ainda as leis que banalizam o div\u00f3rcio que n\u00e3o respeitam, antes destroem, impunemente, a institui\u00e7\u00e3o do casamento e os direitos da crian\u00e7a, traduzidos em cuidados que devem defender e garantir o seu equil\u00edbrio afectivo e emotivo, propiciando uma vida tranquila, fomentada, diariamente, pelo amor insubstitu\u00edvel e simult\u00e2neo do pai e da m\u00e3e.  Muitas crian\u00e7as s\u00e3o for\u00e7adas a viver um presente sem futuro, sem que deixemos de reconhecer que h\u00e1 casais divorciados que olham para os filhos, em comum, como a grande riqueza da sua vida. Quantas crian\u00e7as, por\u00e9m, se tornam violentas, caminham cedo j\u00e1 para psic\u00f3logos e psiquiatras! \u00c9 muito dif\u00edcil a uma crian\u00e7a crescer e viver pacificada, se o clima em que \u00e9 criada, e trocada nos fins de semana, n\u00e3o lhes propicia uma ambiente sereno e o amor efectivo e afectivo, a que tem direito. Que respeito existe por uma crian\u00e7a que tem direitos, mais do que os legais, mas nem sempre promovidos e defendidos eficazmente, num per\u00edodo fundamental do desenvolvimento das suas capacidades, sentimentos e integra\u00e7\u00e3o social? Medidas e tutelas legais s\u00e3o, por vezes, farisaicas e f\u00e1ceis de driblar.<\/p>\n<p>As viola\u00e7\u00f5es da pessoa humana s\u00e3o mais numerosas e graves que as viola\u00e7\u00f5es da restante natureza. Delas passam ao lado muitos ecologistas, delas se ocupa o Estado com mezinhas jur\u00eddicas. A sociedade foi-se deixando anestesiar e para tudo encontra justifica\u00e7\u00e3o? Kabril Gibran, um profeta dos tempos novos, escreveu:  \u201cOs homens n\u00e3o t\u00eam a felicidade nos l\u00e1bios, nem a verdade nas suas entranhas, porque a felicidade \u00e9 filha das l\u00e1grimas e a verdade \u00e9 gerada pela dor\u201d. Quando as pessoas n\u00e3o valem, todas as coisas sobram.<\/p>\n<p>Uma ecologia a favor da pessoa humana n\u00e3o pode ser fruto de facilidades, de distrac\u00e7\u00f5es, de prazeres imediatos. \u00c9 uma luta di\u00e1ria. A natureza \u00e9 para as pessoas e s\u00e3o as pessoas que lhe d\u00e3o sentido e valor consistente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os movimentos ecol\u00f3gicos acordaram, em comum, para a resposta \u00e0 interpela\u00e7\u00e3o urgente de um sinal dos tempos, que se pode traduzir pelo grito de respeito e defesa da natureza criada, amea\u00e7ada e, em muitos casos, j\u00e1 destru\u00edda, pelos atropelos que contra ela muitas pessoas fazem. 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