{"id":18572,"date":"2011-11-09T10:47:00","date_gmt":"2011-11-09T10:47:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=18572"},"modified":"2011-11-09T10:47:00","modified_gmt":"2011-11-09T10:47:00","slug":"uma-desmotivacao-perigosa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/uma-desmotivacao-perigosa\/","title":{"rendered":"Uma desmotiva\u00e7\u00e3o perigosa"},"content":{"rendered":"<p>Refiro-me \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e \u00e0 escola. Uma desmotiva\u00e7\u00e3o que pode afectar alunos, pais, professores, governantes e a pr\u00f3pria sociedade.  <\/p>\n<p>A escola, espa\u00e7o-tempo cada vez mais indispens\u00e1vel, no presente e no futuro, necessita do amor, da paix\u00e3o e da compet\u00eancia de todos os que a ela est\u00e3o ligados e, muito justamente, integram uma desej\u00e1vel comunidade educativa. \u00c9 uma institui\u00e7\u00e3o diferente de uma m\u00e1quina de produzir coisas. A m\u00e1quina s\u00f3 precisa de ser alimentada e orientada em fun\u00e7\u00e3o do que produz. A escola \u00e9, por sua vez, um espa\u00e7o humano de rela\u00e7\u00f5es pessoais e institucionais, com objectivos definidos. Se estas rela\u00e7\u00f5es perdem o equil\u00edbrio ou deixam empobrecer os la\u00e7os comuns necess\u00e1rios, todo o processo se desvirtua e entra em perigosa derrapagem. Ent\u00e3o, nem se ensina, nem se educa.<\/p>\n<p>Um preocupante abandono da escola e o insucesso escolar, ainda verificado em grau elevado, as reac\u00e7\u00f5es violentas dos alunos e dos pais de \u201cfilhos sem defeitos\u201d, para com os professores, a escola e quem a dirige, um desprezo alargado, por parte dos alunos, do esfor\u00e7o necess\u00e1rio e da disciplina indispens\u00e1vel, um n\u00famero elevado de professores, com frequ\u00eancia enrodilhados nos seus problemas profissionais, a comunidade envolvente que s\u00f3 se queixa do que sopra dos lados da escola, o Estado, sempre distante das pessoas e dos problemas, a baralhada de ordens e contra ordens dos \u00faltimos anos, sem que se consiga ver o porqu\u00ea, tudo isto s\u00e3o ingredientes perigosos, que podem fazer explodir um sistema, j\u00e1 de si fr\u00e1gil e melindroso.<\/p>\n<p>H\u00e1 escolas que funcionam bem, professores exemplares, alunos brilhantes e cumpridores, pais abertos e pr\u00f3ximos, comunidades colaborantes, gente do governo, atenta, que sofre e n\u00e3o desiste. Por\u00e9m, a escola ser\u00e1 sempre o ponto de encontro e o eco inevit\u00e1vel das fam\u00edlias desestruturadas, dos filhos n\u00e3o amados, das crises sociais, dos professores sem seguran\u00e7a, das metodologias de ocasi\u00e3o, de uma sociedade sem rumo, de acontecimentos inesperados. Todos os ventos borrascosos que se levantam na sociedade a\u00e7oitam duramente as fam\u00edlias e entram, na escola, por portas e janelas. N\u00e3o os impedem os seguran\u00e7as contratados, nem lhes muda o rumo a simples boa vontade de esfor\u00e7os isolados.<\/p>\n<p>A educa\u00e7\u00e3o e a escola s\u00e3o uma causa nacional premente, a pedir urg\u00eancia de reflex\u00e3o e decis\u00e3o. De quando em quando, surgem por a\u00ed, vindos de longe e com prest\u00edgio garantido, soci\u00f3logos e fil\u00f3sofos, educadores e pol\u00edticos, com reflex\u00f5es sobre a escola, no contexto de um projecto educativo realista. Ainda h\u00e1 pouco, em Lisboa, um soci\u00f3logo americano trouxe ao Centro de Investiga\u00e7\u00e3o e Estudos de Sociologia, propostas concretas e avaliadas para se ir ao encontro das dificuldades de comunica\u00e7\u00e3o entre a escola e a fam\u00edlia, entre a escola e a sociedade local. Li, com interesse, o relato alargado dos jornais, e fiquei a pensar se o que se reflectiu parou nos que participaram, ou chegou a quem tem de experimentar, avaliar e decidir.<\/p>\n<p>Fam\u00edlia e escola n\u00e3o podem ser realidades em tens\u00e3o permanente a acusarem-se mutuamente e a defenderem-se como indiferentes ou mesmo inimigas. Custe o que custar, t\u00eam de comunicar entre si, fazer rede, ir al\u00e9m dos preconceitos e das desconfian\u00e7as. A escola, por meios adequados, pode educar a fam\u00edlia, e a fam\u00edlia pode, ao mesmo tempo, a ajudar a escola a ser melhor escola. Quem est\u00e1 em causa s\u00e3os os filhos, preocupa\u00e7\u00e3o primeira e permanente, dos pais, e os alunos, raz\u00e3o de ser dos professores e da escola. N\u00e3o h\u00e1 pais sem filhos, nem professores sem alunos.<\/p>\n<p>A educa\u00e7\u00e3o escolar, como a educa\u00e7\u00e3o em geral, tornou-se uma actividade social cada vez mais complexa e dif\u00edcil, qualquer que seja o espa\u00e7o onde se realiza e os agentes que a assumem, como encargo ou tarefa de vida. N\u00e3o pode, por isso, realizar-se no meio de escaramu\u00e7as ou de indiferen\u00e7as. Se o objectivo \u00e9 formar pessoas para uma vida respons\u00e1vel, a colabora\u00e7\u00e3o vai mais longe que a procura de bons resultados escolares. Se fora apenas isto, os professores e a escola dir\u00e3o que n\u00e3o recebem li\u00e7\u00f5es de quem n\u00e3o compet\u00eancia para as dar. J\u00e1 se perdeu demasiado tempo com horizontes t\u00e3o limitados. Pouco mais se tem procurado nos encontros com os pais, provocados pela escola, e com as reivindica\u00e7\u00f5es dos pais que raramente franqueiam as portas da mesma por outros motivos que n\u00e3o sejam as classifica\u00e7\u00f5es escolares dos filhos.<\/p>\n<p>S\u00f3 rompendo um c\u00edrculo t\u00e3o pobre, se podem encontrar caminhos novos. Este s\u00f3 se romper\u00e1 com pessoas motivadas, abertas a novos horizontes educativos e dispostas a colaborar. E tudo isto, s\u00f3 se faz, fazendo-se.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Refiro-me \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e \u00e0 escola. Uma desmotiva\u00e7\u00e3o que pode afectar alunos, pais, professores, governantes e a pr\u00f3pria sociedade. A escola, espa\u00e7o-tempo cada vez mais indispens\u00e1vel, no presente e no futuro, necessita do amor, da paix\u00e3o e da compet\u00eancia de todos os que a ela est\u00e3o ligados e, muito justamente, integram uma desej\u00e1vel comunidade educativa. 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