{"id":186,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=186"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"missao-entre-nos-14","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/missao-entre-nos-14\/","title":{"rendered":"Miss\u00e3o entre n\u00f3s &#8211; 14"},"content":{"rendered":"<p>De Capadinha &#8211;  Brasil <!--more--> O que caminha para a frente sempre<\/p>\n<p>Li e medito o texto muito sugestivo de Frei Betto, \u201cO que n\u00e3o se recupera\u201d, ou seja, aquilo que nos faz seres futur\u00edveis. O conte\u00fado reflexivo era explanado pelo autor a partir das seguintes afirma\u00e7\u00f5es de princ\u00edpio. \u201cExistem quatro coisas na vida que n\u00e3o se recuperam: a pedra, depois de atirada; a palavra, depois de proferida; a ocasi\u00e3o, depois de perdida; e o tempo, depois de passado\u201d (in brasileira, Ano I, n\u00ba10, Abril, 2003, p.19).<\/p>\n<p>Pergunta-dinamite a que tenho de responder, presentemente: a maioria dos meus sentimentos negativos s\u00e3o ressacas emocionais de experi\u00eancias vividas? Na inf\u00e2ncia, \u201cacho\u201d que fui uma crian\u00e7a com vida de alguma grata austeridade, muito feliz. Uma adolesc\u00eancia onde a vida se complicou atempadamente (portugues\u00edssimo adv\u00e9rbio). No processo de matura\u00e7\u00e3o adulta tudo continuamente se joga, mas como ainda sou terrivelmente ponderado, a aus\u00eancia de risco revela a evidente mediocridade. Em que \u00e9 que ficamos? Em quase nada. Sempre um nada que \u00e9 todo o existir. Nada m\u00edstico e n\u00e3o niilista. <\/p>\n<p>Alguma sabedoria provis\u00f3ria se cola \u00e0s minhas pr\u00e1ticas e aos meus pensamentos sempre dispersos. A t\u00edtulo de exemplo: a) O sil\u00eancio algumas vezes \u00e9 calar, e \u00e9 sempre escuta. Meu paradoxo espiritual preferido: se tivesses realmente experimentado Deus, tua vida teria sido t\u00e3o transformada que n\u00e3o terias nada a dizer; b) O que torna um vaso \u00fatil \u00e9 o seu vazio. A escolha \u00e9 entre ser possuidor ou possu\u00eddo; c) Porque n\u00e3o temos um s\u00edmbolo de Cristo ressuscitado. Prefiro imaginar o Cristo ressuscitado como o Cristo que dan\u00e7a: que dan\u00e7a  na vit\u00f3ria, dan\u00e7a na morte, dan\u00e7a na liberdade. Estou longe, sou (in)capaz de dan\u00e7ar.<\/p>\n<p>Se a vida for uma sequ\u00eancia constante no amor; o porqu\u00ea das irrup\u00e7\u00f5es de consequ\u00eancias n\u00e3o-amadas pelo vazio existencial? Sofro de um desvirtuamento da Cruz libertadora; aquela (e s\u00f3 aquela) que nos persegue no luminoso caminho da Ressurrei\u00e7\u00e3o. Haver\u00e1 ainda tempo para me explicar&#8230; pedir desculpas!? Decididamente n\u00e3o quero estar envolvido em uma luta pelo poder. Como \u00e9 dif\u00edcil viver despossu\u00eddo do poder sagrado. Deus n\u00e3o tem nenhuma necessidade. Exercito-me na arte da aten\u00e7\u00e3o, para viver cada instante em sua plenitude.<\/p>\n<p>Com a ajuda perigosa de Jean-Yves Leloup, sinto que outras descobertas existenciais amadurecem, vertiginosamente, para minha convers\u00e3o pessoal. \u201cSer ou n\u00e3o ser, essa n\u00e3o \u00e9 a quest\u00e3o! J\u00e1 que, de qualquer forma, existimos nem que seja para nos formularmos a quest\u00e3o&#8230;Mas esperar ou n\u00e3o esperar, essa \u00e9 a quest\u00e3o! Tamb\u00e9m essa \u00e9 a nossa liberdade: entristecer-nos ou regozijar-nos com o que \u00e9.<\/p>\n<p>Ser triste ou n\u00e3o ser triste&#8230; essa \u00e9 a quest\u00e3o, n\u00e3o quest\u00e3o de humor, mas de vontade.<\/p>\n<p>Eu o amo\/eu n\u00e3o o amo; sou feliz\/sou infeliz: nesse aspecto, nada tenho a ver com isso&#8230;<\/p>\n<p>Em compensa\u00e7\u00e3o, eu quero amar voc\u00ea\/eu quero ser feliz: ent\u00e3o, tenho algo a ver com isso\u201d (in A Arte da Aten\u00e7\u00e3o, Verus Editora, 2002, p.47). Ao contr\u00e1rio de muita \u201cf\u00e9-devo\u00e7\u00e3o\u201d, ou de muita \u201cespiritualidade-new age\u201d, o autor inspirado na melhor Tradi\u00e7\u00e3o, ao mesmo tempo, abertura a outras Tradi\u00e7\u00f5es, liberta-nos do medo da contamina\u00e7\u00e3o, dos impuros, dos her\u00e9ticos, e livra-nos de sermos meros papagaios que se limitam a repetir a sua (que \u00e9 sempre a melhor!) doutrina. Autor perigoso, mas n\u00e3o de vias perigosas que merece a dedica\u00e7\u00e3o do nosso tempo. Fico por aqui&#8230; este ficar por aqui nas \u201cM\u00e3os Dadas\u201d, postal de poesia a todos que me escrevem sem distin\u00e7\u00e3o, e porventura me lembram em suas \u201cora\u00e7\u00f5es particulares\u201d, num mundo que s\u00f3 consome poesia se lhe for servida numa dose de boa publicidade. Carlos Drummond felizmente n\u00e3o precisa da nossa publicidade.<\/p>\n<p>M\u00c3OS DADAS<\/p>\n<p>N\u00e3o serei o poeta de um mundo caduco.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m n\u00e3o cantarei o mundo futuro.<\/p>\n<p>Estou preso \u00e0 vida e olho meus companheiros.<\/p>\n<p>Est\u00e3o taciturnos mas nutrem grandes esperan\u00e7as.<\/p>\n<p>Entre eles, considero a enorme realidade.<\/p>\n<p>O presente \u00e9 t\u00e3o grande, n\u00e3o nos afastemos.<\/p>\n<p>N\u00e3o nos afastemos muito, vamos de m\u00e3os dadas.<\/p>\n<p>N\u00e3o serei o cantor de uma mulher, de uma hist\u00f3ria,<\/p>\n<p>n\u00e3o direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,<\/p>\n<p>n\u00e3o distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,<\/p>\n<p>n\u00e3o fugirei para ilhas nem serei raptado por serafins.<\/p>\n<p>O tempo \u00e9 a minha mat\u00e9ria, o tempo presente, os homens presentes,<\/p>\n<p>a vida presente.                                     <\/p>\n<p>Carlos Drummond de Andrade, in Antologia po\u00e9tica, <\/p>\n<p>Editora Record, 2001, p.158.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De Capadinha &#8211; Brasil<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[66],"tags":[],"class_list":["post-186","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cultura"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/186","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=186"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/186\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=186"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=186"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=186"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}