{"id":18606,"date":"2011-11-23T10:13:00","date_gmt":"2011-11-23T10:13:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=18606"},"modified":"2011-11-23T10:13:00","modified_gmt":"2011-11-23T10:13:00","slug":"a-sentinela-que-lia-poemas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/a-sentinela-que-lia-poemas\/","title":{"rendered":"A sentinela que lia poemas"},"content":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu <!--more--> N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil \u00abser sentinela\u00bb (\u00abestar de sentinela\u00bb \u00e9 uma express\u00e3o menos dura, pois lembra o car\u00e1cter provis\u00f3rio da fun\u00e7\u00e3o). Ao desconforto f\u00edsico e \u00e0 frequente solid\u00e3o junta-se a pesada responsabilidade pelo que pode acontecer e o medo de amea\u00e7as ocultas.<\/p>\n<p>E a nenhuma sentinela militar seria permitido \u00abp\u00f4r o esp\u00edrito em sentinela\u00bb, com as lufadas frescas de um livro de poemas sobre \u00aba arte de ser sentinela\u00bb.<\/p>\n<p>A sentinela n\u00e3o pode fixar o olhar num s\u00f3 ponto, pois arrisca-se a uma esp\u00e9cie de alucina\u00e7\u00f5es e aumento de ang\u00fastia. Por isso, o seu olhar vai varrendo o horizonte com a maior calma poss\u00edvel, para que nada lhe escape, sem perturbar a capacidade de aten\u00e7\u00e3o. Mant\u00e9m a esperan\u00e7a de ser ajudada e em breve substitu\u00edda \u2013 quem sabe se por um amigo\u2026 Mas nunca deixa de avaliar cuidadosamente quem quer que se aproxime.<\/p>\n<p>As leituras deste domingo lembram que \u00e9 bom e vantajoso \u00abser sentinela\u00bb \u2013 que saiba \u00abler poemas\u00bb e meditar em palavras amigas.<\/p>\n<p>O Livro de Isa\u00edas \u00e9 rico em poemas de esperan\u00e7a \u2013 num salvador que nos guie pelos bons caminhos, sem nos abandonar quando somos imprudentes. Tamb\u00e9m s\u00e3o poemas de admira\u00e7\u00e3o por um Deus que parece ausente, justamente quando mais sofremos, quando a situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica leva os melhores a desanimar.<\/p>\n<p>Mas o amigo veio, diz o poema. Corre ao encontro daqueles que n\u00e3o sabem por onde ir \u2013 as encruzilhadas s\u00e3o ardilosas e os que deslizam para os trilhos do deserto correm o risco de ser como \u00e1rvores moribundas deixando cair as folhas no solo \u00e1rido. (Ser\u00e1 porque preferem viver perdidos? Por ignor\u00e2ncia ou porque \u00e9 mais c\u00f3modo ser ignorante? Ou receiam travar amizade com esse amigo misterioso? A verdade \u00e9 que a sentinela tem sempre algum medo de quem vem\u2026).<\/p>\n<p>A passagem do evangelho como a da carta de S. Paulo reflectem as ideias naturalmente confusas sobre a rela\u00e7\u00e3o de Jesus com os conceitos de \u00abFilho do homem\u00bb, \u00abFilho de Deus\u00bb e textos apocal\u00edpticos (a literatura apocal\u00edptica tinha muita influ\u00eancia na \u00e9poca de Jesus Cristo). Por isso se fala da nova vinda de Cristo, como salvador e juiz. De facto, ambas as leituras indiciam a cren\u00e7a de que \u00abo fim do mundo\u00bb (quer dizer, a realiza\u00e7\u00e3o perfeita, e portanto final, do \u00abreino de Deus\u00bb) est\u00e1 para muito breve, talvez no espa\u00e7o de uma gera\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, os pr\u00f3prios textos do Novo Testamento v\u00e3o esclarecendo, ao longo do tempo, que a \u00abvinda de Cristo\u00bb n\u00e3o tem um tempo marcado: \u00e9 o encontro com ele, nas mais diversas situa\u00e7\u00f5es da vida. <\/p>\n<p>Jesus revelou que Deus vem ao nosso encontro de bra\u00e7os aberto como um pai (Lucas 15,20-24) \u2013 que tamb\u00e9m ele est\u00e1 de sentinela \u00e0 espera de muitos encontros e do encontro festivo em que n\u00e3o h\u00e1 rel\u00f3gios para avisar da hora da separa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Revelou que vale a pena viver, pesem os problemas e ang\u00fastias da vida. Porque afinal de contas nunca estamos s\u00f3s \u2013 basta n\u00e3o ter medo de ser encontrado.<\/p>\n<p>Tudo no mundo pode ser um poema da \u00abarte de ser sentinela\u00bb: os espantos do universo e da maravilha do ser humano; os nossos amores e desilus\u00f5es; os nossos prazeres e desgra\u00e7as\u2026 N\u00e3o nos podemos \u00e9 fixar num s\u00f3 ponto, como a sentinela, para que possamos ajuizar com bom senso sobre tudo o que se passa \u00e0 nossa volta. E assim fazendo aquilo de que mais gostamos ou que tem que ser feito \u2013 estamos sempre vigilantes.<\/p>\n<p>\u00abQuem vem l\u00e1?\u00bb \u2013 \u00e9 o grito tradicional da sentinela. Algu\u00e9m que nos causa problemas? Ou um amigo e um aliado?  <\/p>\n<p>Manuel Alte da Veiga<\/p>\n<p>m.alteveiga@netcabo.pt<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-18606","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18606","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18606"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18606\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18606"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18606"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18606"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}