{"id":18608,"date":"2011-11-23T10:17:00","date_gmt":"2011-11-23T10:17:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=18608"},"modified":"2011-11-23T10:17:00","modified_gmt":"2011-11-23T10:17:00","slug":"indignacao-e-educacao-nao-se-excluem-uma-a-outra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/indignacao-e-educacao-nao-se-excluem-uma-a-outra\/","title":{"rendered":"Indigna\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o se excluem uma \u00e0 outra"},"content":{"rendered":"<p>Quando h\u00e1 pouco tempo Bento XVI visitou a Alemanha, o seu pa\u00eds natal, como estava previsto ser recebido no Parlamento, logo umas dezenas de deputados protestaram e, quando o Papa chegou, abandonaram ruidosamente a sala com palavras de protesto. Os jornalistas perguntaram ao Papa como via e classificava esta atitude por parte de compatriotas seus e ele respondeu que eles tinham todo o direito de sair e de protestar, mas que tudo se deve fazer de uma maneira educada e respeitosa. Com o Papa ou com qualquer outra pessoa de quem se discorda.<\/p>\n<p>Esta maneira clara e sem ressentimentos de apreciar uma atitude de que o mundo teve conhecimento tem-me vindo \u00e0 mem\u00f3ria ao ver as contesta\u00e7\u00f5es de rua, greves ou outras, que entre n\u00f3s t\u00eam abundado no decorrer da democracia. O direito a protestar, ou \u00e0 indigna\u00e7\u00e3o, \u00e9 um direito leg\u00edtimo. Neg\u00e1-lo ou dificult\u00e1-lo seria p\u00f4r em causa uma liberdade democr\u00e1tica, coisa que ningu\u00e9m hoje admite.<\/p>\n<p>Mas, fica de p\u00e9 o modo de o fazer, que, muitas vezes, se faz com ataques pessoais, gestos impr\u00f3prios, ju\u00edzos de inten\u00e7\u00e3o, express\u00f5es sujas e irrespeitosas. At\u00e9 na discord\u00e2ncia h\u00e1 lugar para a boa educa\u00e7\u00e3o e para o respeito que devemos uns aos outros. Parece que quanto pior, melhor, como se a vit\u00f3ria ou o resultado pretendido com a manifesta\u00e7\u00e3o de protesto dependesse dos gritos soezes e dos ataques pessoais de quem se pode pensar que n\u00e3o tem limpos, nem o cora\u00e7\u00e3o, nem a l\u00edngua.<\/p>\n<p>N\u00e3o tenho procura\u00e7\u00e3o para defender quem quer que seja, nem governantes, nem sindicatos ou outros grupos de protesto. Compreendo que quando as dificuldades apertam e o horizonte se torna mais sombrio, gritar pode aliviar e, faz\u00ea-lo com outros, d\u00e1 mais for\u00e7a aos gritos de cada um. Compreendo at\u00e9 que uma multid\u00e3o que se junta com o mesmo objectivo e \u00e9 comandada por outrem d\u00e1 por si a dizer o que n\u00e3o seria capaz de dizer uma pessoa sozinha e noutras circunst\u00e2ncias. Mas a maturidade tamb\u00e9m se manifesta na capacidade de n\u00e3o se deixar manietar, nem telecomandar como se fosse marioneta. A pessoa \u00e9 sempre pessoa e deixar-se anestesiar \u00e9 sempre poss\u00edvel se falta o respeito de quem se quer aproveitar.<\/p>\n<p>Fazem-se manifesta\u00e7\u00f5es ordenadas e respeitosas e nem por isso perdem a for\u00e7a do direito que os seus participantes julgam ter e, por isso, se manifestam, por uma ac\u00e7\u00e3o p\u00fablica comum.<\/p>\n<p>As op\u00e7\u00f5es de quem decide certamente que, na sua inten\u00e7\u00e3o, visam o bem comum poss\u00edvel. N\u00e3o creio que se decida com a inten\u00e7\u00e3o mal\u00e9fica de prejudicar uns para beneficiar outros. Governar, hoje, n\u00e3o \u00e9 honra que compense e mal vai a quem n\u00e3o tem bem clara esta certeza. A actividade pol\u00edtica, porque necess\u00e1ria, \u00e9, em si mesma, uma actividade respeit\u00e1vel. Pode sempre acontecer que, por imaturidade ou ambi\u00e7\u00e3o, haja gente menos v\u00e1lida em lugares de decis\u00e3o. Se as pessoas em causa n\u00e3o tiverem humildade e vergonha para o reconhecerem e declinarem o convite, a sua incompet\u00eancia provocar\u00e1 curto-circuito na ac\u00e7\u00e3o  governativa.  Quem escolhe tem de prestar aten\u00e7\u00e3o, porque quem se p\u00f5e no bico dos p\u00e9s ou conquista a aten\u00e7\u00e3o do chefe dobrando sempre a cabe\u00e7a n\u00e3o serve, nem nunca servir\u00e1. Um governo n\u00e3o se forma para pagar favores ou fazendo crescer a pir\u00e2mide dos incapazes de dissentir e de pensar pela sua cabe\u00e7a.<\/p>\n<p>No momento dif\u00edcil que vivemos, facilmente se v\u00ea que h\u00e1 gente que entrou no governo por sentir o dever de servir, ainda que com sacrif\u00edcios pr\u00f3prios e de v\u00e1ria ordem. Governar nas actuais circunst\u00e2ncias \u00e9 mais uma tortura di\u00e1ria que uma honra. E isso merece a gratid\u00e3o dos cidad\u00e3os, sem que deixem de ser participativos nem se sintam obrigados a concordar com tudo quanto se decide e se faz.  Mas parece ser presun\u00e7\u00e3o pensar-se que, estando de fora a opinar, algu\u00e9m faria sempre melhor do que aquele que tem na m\u00e3o a responsabilidade de fazer andar o barco.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 agrad\u00e1vel verificar-se como s\u00e3o curtos os horizontes de quem pensa s\u00f3 em si. Por dever de solidariedade, o pa\u00eds por inteiro e, muito especialmente, os menos favorecidos, que s\u00e3o muitos, s\u00e3o prioridade de quem governa e de quem protesta.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando h\u00e1 pouco tempo Bento XVI visitou a Alemanha, o seu pa\u00eds natal, como estava previsto ser recebido no Parlamento, logo umas dezenas de deputados protestaram e, quando o Papa chegou, abandonaram ruidosamente a sala com palavras de protesto. 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