{"id":18615,"date":"2011-11-30T11:37:00","date_gmt":"2011-11-30T11:37:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=18615"},"modified":"2011-11-30T11:37:00","modified_gmt":"2011-11-30T11:37:00","slug":"a-responsabilidade-do-bispo-esta-ligada-a-sua-missao-nao-ao-cargo-que-exerce-por-um-tempo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/a-responsabilidade-do-bispo-esta-ligada-a-sua-missao-nao-ao-cargo-que-exerce-por-um-tempo\/","title":{"rendered":"&#8220;A responsabilidade do bispo est\u00e1 ligada \u00e0 sua miss\u00e3o, n\u00e3o ao cargo que exerce por um tempo&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>D. Ant\u00f3nio Marcelino acaba de publicar um livro de \u201ctestemunhos muitos ricos\u201d, recebidos ao longo da vida, que, por n\u00e3o lhe pertencerem, est\u00e3o agora \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o de todos, para que se sintam \u201canimados e atentos \u00e0 ac\u00e7\u00e3o de Deus\u201d. O livro \u201cPeda\u00e7os de vida que geram vida\u201d, nas edi\u00e7\u00f5es Paulinas, j\u00e1 est\u00e1 \u00e0 venda e ser\u00e1 apresentado publicamente, na Biblioteca Municipal de Aveiro, no dia 12 de Dezembro, pelas 18h. Nesta entrevista, o bispo em\u00e9rito de Aveiro, fala de outros projectos de escrita, mostra-se preocupado com o esquecimento do Conc\u00edlio Vaticano II e sublinha que sempre quis estar na pra\u00e7a p\u00fablica com \u201cpropostas, cr\u00edticas e opini\u00f5es sobre assuntos e acontecimentos de interesse social e eclesial\u201d. Entrevista conduzida por Jorge Pires Ferreira.<\/p>\n<p>CORREIO DO VOUGA &#8211; Fale-nos da g\u00e9nese deste seu livro, \u201cPeda\u00e7os de vida que geram vida\u201d. H\u00e1 muito tempo que o tinha em mente?<\/p>\n<p>D. ANT\u00d3NIO MARCELINO &#8211; Fui-me apercebendo, ao longo da vida, que, por for\u00e7a do meu minist\u00e9rio, era benefici\u00e1rio de testemunhos muitos ricos que, s\u00f3 por mim, nunca teria recebido. N\u00e3o me pertenciam e havia que transmiti-los, para que outros se sentissem animados e atentos \u00e0 ac\u00e7\u00e3o de Deus nas suas vidas. N\u00e3o bastava cont\u00e1-los de vida voz. Era preciso que mais os pudessem conhecer. Por isso escrevi. Os testemunhos que v\u00e3o chegando dizem do bem que os leitores v\u00e3o beneficiando. A Igreja \u00e9, tamb\u00e9m, este partilhar.<\/p>\n<p>N\u00e3o refere, nos casos que conta, nomes de pessoas, lugares, datas, embora por vezes os leitores possam sempre supor que foi com este ou aquele que o epis\u00f3dio se passou. Porqu\u00ea estas omiss\u00f5es?<\/p>\n<p>Mantenho o anonimato poss\u00edvel dos protagonistas porque me pareceu que assim n\u00e3o se admirariam apenas as pessoas que os viveram, mas se tomaria consci\u00eancia de que, em cada cruz que se leva, Deus \u00e9 cireneu que no-la ajuda a levar. E \u00e9 a Deus que \u00e9 preciso estar atento. Maior aten\u00e7\u00e3o, quando se v\u00ea que Deus revela coisas grandes aos pequeninos e humildes e as esconde aos que presumem de si, do seu saber e da sua grandeza pessoal.<\/p>\n<p>Podemos dizer que estas s\u00e3o as suas pequenas mem\u00f3rias. Pequenas, n\u00e3o certamente em import\u00e2ncia. Pensa em escrever as outras, as que falam mais do seu protagonismo na diocese, no pa\u00eds, na Igreja em Portugal e no mundo?<\/p>\n<p>Estas s\u00e3o mem\u00f3rias de grande densidade espiritual e quis, por isso, dar-lhe prioridade na publica\u00e7\u00e3o. Sim, tenho em m\u00e3os outros escritos de \u201cmem\u00f3rias\u201d de outro tipo por julgar que \u00e9 importante que a hist\u00f3ria se fa\u00e7a tamb\u00e9m a partir de realidades vividas por aqueles que, em tempos bem determinados, nelas tiveram algum protagonismo.<\/p>\n<p>Tem algum projecto de escrita mais imediato que nos possa revelar?<\/p>\n<p>Estou a trabalhar uma confer\u00eancia que proferi em 1962, poucos dias antes da abertura do Vaticano II, na I Semana Nacional de Estudos Mission\u00e1rios. Porque mant\u00e9m, a meu ver, grande actualidade e \u00e9 tema que tem de ser de novo reflectido, a Editorial das Miss\u00f5es aceitou a proposta da sua republica\u00e7\u00e3o, com alguma actualiza\u00e7\u00e3o e propostas para hoje. Tamb\u00e9m tenho como projecto publicar em 2012 a minha aprecia\u00e7\u00e3o da recep\u00e7\u00e3o, pela Igreja em Portugal, do Vaticano II, cinquenta anos depois. Vou-me apercebendo que muitas coisas est\u00e3o em aberto e que j\u00e1 se sentem nostalgias e se v\u00eaem tenta\u00e7\u00f5es de voltar ao pr\u00e9-Conc\u00edlio. Isso preocupa-me muito.<\/p>\n<p>Deixou a diocese h\u00e1 cinco anos. Nunca deixamos de ter contacto consigo, porque semanalmente escreve neste jornal. Em grandes linhas, como s\u00e3o agora os seus dias?<\/p>\n<p>Certamente que estou mais livre para estudar, reflectir, avaliar a vida da Igreja, e isso me ajuda a rever a minha vida pessoal e o meu permanente compromisso apost\u00f3lico, porque n\u00e3o se \u00e9 bispo por um tempo, nem a dispensa do governo diocesano me poderia tornar um in\u00fatil ou um instalado, que julgo n\u00e3o ter sido. Embora n\u00e3o me falte que fazer, continuo dispon\u00edvel para o que me pedem, e penso que, nestes cinco anos, me podiam ter pedido mais. N\u00e3o perco a liga\u00e7\u00e3o com as pessoas e as coisas, tento estar actualizado e dispon\u00edvel e os dias por vezes s\u00e3o j\u00e1 pequenos e breves, para o que desejo fazer e penso que \u00e9 importante ou pelo menos \u00fatil que eu fa\u00e7a ainda.<\/p>\n<p>Certamente j\u00e1 ouviu este coment\u00e1rio: Agora que est\u00e1 sem a responsabilidade de uma diocese est\u00e1 mais livre nas palavras que escreve e, logo, mais cr\u00edtico, ou at\u00e9 mais prof\u00e9tico. Concorda?<\/p>\n<p>Sim, tenho ouvido esse coment\u00e1rio que tem alguma raz\u00e3o de ser. Por\u00e9m, o que tenho dito e escrito, desde 1981, est\u00e1 publicado nos tr\u00eas volumes de \u201cA vida tamb\u00e9m se l\u00ea\u201d (o quarto est\u00e1 a\u00ed a rebentar). A\u00ed se pode ver, de modo muito claro, que nunca deixei de estar na pra\u00e7a p\u00fablica com propostas, cr\u00edticas e opini\u00f5es sobre assuntos e acontecimentos de interesse social e eclesial. N\u00e3o falo mais agora porque me sinto liberto de responsabilidade. A responsabilidade do bispo est\u00e1 ligada \u00e0 sua miss\u00e3o, n\u00e3o ao cargo que exerce por um tempo. O profetismo do bispo tem a ver com esta miss\u00e3o e as suas urg\u00eancias. Mais serenidade pode dar mais lucidez. Procuro que assim seja. Este \u00e9, talvez, ao lado da ora\u00e7\u00e3o e da disponibilidade, o que mais posso dar \u00e0 Igreja Diocesana e \u00e0 Igreja em Portugal.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D. Ant\u00f3nio Marcelino acaba de publicar um livro de \u201ctestemunhos muitos ricos\u201d, recebidos ao longo da vida, que, por n\u00e3o lhe pertencerem, est\u00e3o agora \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o de todos, para que se sintam \u201canimados e atentos \u00e0 ac\u00e7\u00e3o de Deus\u201d. 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