{"id":18661,"date":"2011-12-07T09:24:00","date_gmt":"2011-12-07T09:24:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=18661"},"modified":"2011-12-07T09:24:00","modified_gmt":"2011-12-07T09:24:00","slug":"a-ousadia-do-elogio-a-fraternidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/a-ousadia-do-elogio-a-fraternidade\/","title":{"rendered":"A ousadia do elogio \u00e0 fraternidade"},"content":{"rendered":"<p>Di\u00e1logo na Cidade <!--more--> Maria do Ros\u00e1rio Carneiro, professora da Universidade Cat\u00f3lica e deputada at\u00e9 as \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es, e Manuel Carvalho da Silva, sindicalista, protagonizaram o mais recente \u201cdi\u00e1logo na cidade\u201d, na noite de 22 de Novembro, no Teatro Aveirense. Numa organiza\u00e7\u00e3o da Comiss\u00e3o Diocesana da Cultura, com a colabora\u00e7\u00e3o da C\u00e2mara Municipal de Aveiro, a sess\u00e3o teve como tema a \u201cousadia do elogio da fraternidade na fam\u00edlia e no trabalho\u201d. Antes do di\u00e1logo, a m\u00e9dica Marta Parada brindou os presentes com melodias brasileiras e o \u201cPoema do Autocarro\u201d, de Ant\u00f3nio Gede\u00e3o. Ideias principais resumidas por Jorge Pires Ferreira, que moderou o di\u00e1logo.<\/p>\n<p>Maria do Ros\u00e1rio Carneiro<\/p>\n<p>Fam\u00edlia e fraternidade<\/p>\n<p>Abertura \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o dos outros<\/p>\n<p>Fraternidade na fam\u00edlia? Pais e filhos s\u00f3 t\u00eam exist\u00eancia gra\u00e7as aos v\u00ednculos fechados, mas participam na vida de todos os seres da natureza. Segundo o princ\u00edpio do bem comum, cada um n\u00e3o se realiza se n\u00e3o se abrir \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o dos outros. A fam\u00edlia tem uma fun\u00e7\u00e3o humanizadora. O amor fraterno, gratuito, solid\u00e1rio, abre para a constru\u00e7\u00e3o de projecto de vida com todos.<\/p>\n<p>Pensamento econ\u00f3mico<\/p>\n<p>A vida econ\u00f3mica dificulta a vida da fam\u00edlia, quando tudo \u00e9 pensado em termos de custo-benef\u00edcio: \u201cQuanto vale? A que pre\u00e7o fica isto?\u201d Quando predominam estas perguntas, percebe-se o porqu\u00ea de t\u00e3o poucos filhos. Ter filhos torna-se uma proposta ousada por n\u00e3o haver retaguarda de seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>Valores vividos<\/p>\n<p>Mais fraternidade e mais solidariedade, porque somos todos membros de uma comunidade em constru\u00e7\u00e3o. O caldo dos valores transmite-se porque s\u00e3o vividos e n\u00e3o por serem ditos. O que os nossos filhos aprendem \u00e9 o que vivemos e n\u00e3o os nossos discursos. Aprendem a solidariedade porque fazem parte de uma comunidade onde t\u00eam responsabilidades. A fam\u00edlia \u00e9 servi\u00e7o e exige esp\u00edrito se servi\u00e7o, sempre gratuito.<\/p>\n<p>Assimetria na fam\u00edlia<\/p>\n<p>A fam\u00edlia n\u00e3o \u00e9 uma comunidade de pap\u00e9is e fun\u00e7\u00f5es iguais. \u00c9 assim\u00e9trica. A fam\u00edlia aprende-se na assimetria dos pap\u00e9is. Repete-se por todo o lado que os pais s\u00e3o como que uns amigos mais velhos dos filhos. \u00c9 errado. H\u00e1 diferen\u00e7a de poderes na fam\u00edlia, mas isso n\u00e3o \u00e9 desigualdade.<\/p>\n<p>Manuel Carvalho da Silva<\/p>\n<p>Trabalho e fraternidade<\/p>\n<p>Seis quest\u00f5es prementes do trabalho<\/p>\n<p>H\u00e1 seis quest\u00f5es prementes que devem ser colocadas a partir do trabalho: 1) Discutir e encontrar novos paradigmas para a empresa e o trabalho no contexto das mudan\u00e7as da economia; 2) Valorizar o trabalho para que n\u00e3o se caia na mera subsist\u00eancia; 3) Repensar o tempo, porque tirar o controlo do tempo \u00e9 \u201cinfernalizar\u201d a vida toda; 4) Construir seguran\u00e7a e estabilidade no trabalho, contra a precariedade; 5) Regularizar a rela\u00e7\u00e3o capital\/ trabalho para sustentar a seguran\u00e7a social; 6) Refor\u00e7ar a constata\u00e7\u00e3o de que nada contribuiu mais do que o trabalho, em especial a contrata\u00e7\u00e3o colectiva, para a uma distribui\u00e7\u00e3o mais equitativa da riqueza na segunda metade do s\u00e9c. XX.<\/p>\n<p>Sindicalismo e democracia<\/p>\n<p>O sindicalismo esteve em todas as conquistas pol\u00edticas e \u00e9 fundador da democracia. Se o Estado social entra em crise, perdem-se as conquistas e entra-se numa crise de dimens\u00f5es impens\u00e1veis. Os sindicatos est\u00e3o no sistema, participam no sistema, p\u00f5em o sistema em causa e chamam a aten\u00e7\u00e3o para novas situa\u00e7\u00f5es. H\u00e1 a ilus\u00e3o de que \u00e9 poss\u00edvel substituir o Estado social. \u00c9 uma ilus\u00e3o perigosa.<\/p>\n<p>Crise como oportunidade<\/p>\n<p>A crise \u00e9 financeira, econ\u00f3mica, pol\u00edtica, social, energ\u00e9tica, clim\u00e1tica. Requer uma solu\u00e7\u00e3o abrangente. A fraternidade tem fortes ra\u00edzes nas corpora\u00e7\u00f5es religiosas. Mais do que fal\u00eancia, h\u00e1 uma reposi\u00e7\u00e3o dos valores. A n\u00e3o-ideologia \u00e9 a ideologia das ideologias. As crises n\u00e3o trazem apenas dificuldades. S\u00e3o oportunidades de mudan\u00e7a.<\/p>\n<p>Os grandes fogem \u00e0 responsabilidade<\/p>\n<p>\u00c9 preciso muita discuss\u00e3o social e pol\u00edtica para trazer as pessoas \u00e0 participa\u00e7\u00e3o. Os grandes efeitos est\u00e3o sem respons\u00e1veis. Os grandes poderes fogem \u00e0 responsabilidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Di\u00e1logo na Cidade<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-18661","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-destaque"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18661","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18661"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18661\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18661"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18661"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18661"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}