{"id":18727,"date":"2011-11-30T11:33:00","date_gmt":"2011-11-30T11:33:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=18727"},"modified":"2011-11-30T11:33:00","modified_gmt":"2011-11-30T11:33:00","slug":"surpresa-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/surpresa-2\/","title":{"rendered":"Surpresa"},"content":{"rendered":"<p>A surpresa repete-se. O Banco Alimentar promoveu a sua recolha de Natal e os portugueses responderam generosamente ao apelo \u00e0 solidariedade, apesar dos tempos de aguda crise que atravessamos. Os pobres sabem sempre repartir!<\/p>\n<p>Sim! Os pobres sabem sempre repartir! Se fosse poss\u00edvel fazer a estat\u00edstica de quem ofereceu, n\u00e3o tenho d\u00favidas: encontrar\u00edamos muitas \u201cvi\u00favas do evangelho\u201d a dar daquilo que lhes faz falta, enquanto, daqueles que deram sobras, a maioria ter\u00e1 dado o m\u00ednimo do sup\u00e9rfluo, n\u00e3o arriscando libertar-se das algemas do ter.<\/p>\n<p>As injusti\u00e7as subsistem. Numa sociedade de ra\u00edzes crist\u00e3s, o fermento do Evangelho tem dificuldades em progredir, porque a pandemia do individualismo consumista, a febre do lucro e idolatria do ter bloqueiam o cora\u00e7\u00e3o humano, tornando-o indiferente aos outros, retirando-lhe a capacidade de partilha.<\/p>\n<p>\u00c9, na verdade, surpreendente a cifra da tonelagem de g\u00e9neros recolhidos para repartir com a crescente multid\u00e3o dos famintos. \u00c9 essa generosidade que continua a salvar de cat\u00e1strofes humanit\u00e1rias ou a dar-lhes rem\u00e9dio. E, porque se repete, n\u00e3o \u00e9 apenas \u201cbal\u00e3o de oxig\u00e9nio\u201d ocasional, mas esperan\u00e7a de sucessivas supera\u00e7\u00f5es dos estados de car\u00eancia.<\/p>\n<p>Mas isto n\u00e3o dispensa dos esfor\u00e7os na mudan\u00e7a de paradigma de organiza\u00e7\u00e3o social e econ\u00f3mica. Porque essa ser\u00e1 a atmosfera que consagrar\u00e1 a civiliza\u00e7\u00e3o da partilha, vencendo definitivamente os h\u00e1bitos de ego\u00edsmo divisionista. A hist\u00f3ria j\u00e1 comprovou, de forma clara, a pervers\u00e3o quer do colectivismo marxista quer do capitalismo liberal. A inspira\u00e7\u00e3o operativa que brota da Doutrina Social da Igreja, ao colocar a inviol\u00e1vel dignidade da pessoa humana no centro e como referencial de toda a programa\u00e7\u00e3o social, econ\u00f3mica e pol\u00edtica, \u00e9 a via justa para a posse e uso dos bens materiais.<\/p>\n<p>Multiplicam-se as iniciativas de solidariedade, em diversos c\u00edrculos, sob diferentes formas. Tamb\u00e9m numa universidade surgiu uma ac\u00e7\u00e3o de cariz semelhante. Louv\u00e1vel, sem d\u00favida, pois sabemos que, no mundo universit\u00e1rio, vive hoje muita gente de parcos recursos, proveniente de fam\u00edlias muito modestas. E as circunst\u00e2ncias presentes imp\u00f5em dr\u00e1sticos limites \u00e0 capacidade de sustentar filhos na universidade.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m aqui haveria que mudar alguns paradigmas, desde a atribui\u00e7\u00e3o de bolsas, viciada n\u00e3o poucas vezes por esquemas de oculta\u00e7\u00e3o de rendimentos, at\u00e9 aos h\u00e1bitos dos pr\u00f3prios estudantes, os quais nem sempre se pautam por comportamentos de sobriedade. Tamb\u00e9m \u00e9 certo que uma falsa ideia de igualdade generalizou a ideia de que \u201cou pagam todos ou n\u00e3o paga nenhum\u201d. Que pague quem pode, para que tamb\u00e9m possa estudar quem n\u00e3o tem meios! Esse seria o paradigma de justi\u00e7a social, porque os bens, mesmo de propriedade privada, t\u00eam, no projecto de Deus, uma finalidade social.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A surpresa repete-se. O Banco Alimentar promoveu a sua recolha de Natal e os portugueses responderam generosamente ao apelo \u00e0 solidariedade, apesar dos tempos de aguda crise que atravessamos. Os pobres sabem sempre repartir! Sim! Os pobres sabem sempre repartir! 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