{"id":1876,"date":"2010-06-23T15:28:00","date_gmt":"2010-06-23T15:28:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=1876"},"modified":"2010-06-23T15:28:00","modified_gmt":"2010-06-23T15:28:00","slug":"quem-marca-o-penalty-nao-olha-para-tras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/quem-marca-o-penalty-nao-olha-para-tras\/","title":{"rendered":"Quem marca o penalty n\u00e3o olha para tr\u00e1s&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu <!--more--> DOMINGO XIIi do tempo comum &#8211; Ano C<\/p>\n<p>O Evangelho de hoje baralha o jogo por completo: como conciliar a bondade de Jesus e a sua mensagem de que somos \u00abfilhos\u00bb de Deus, com a exig\u00eancia de nem sequer voltar atr\u00e1s, por uns momentos, para nos despedirmos carinhosamente da fam\u00edlia e amigos? <\/p>\n<p>Uma longa e certamente bem intencionada tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3 (particularmente nas ordens religiosas) provocou um clima de conflito entre \u00abseguir Jesus\u00bb e os la\u00e7os afectivos com os amigos e a fam\u00edlia mais chegada. De facto, este grupo, justamente porque tende (e ainda bem!) a defender a estabilidade e equil\u00edbrio dos seus elementos, op\u00f5e-se por vezes duramente \u00e0 escolha de uma voca\u00e7\u00e3o original \u2013 ora porque n\u00e3o traz dinheiro, ora porque \u00e9 francamente esquisita e quem sabe se perigosa, ora porque d\u00e1 falat\u00f3rio\u2026 (\u00e9 claro, se ao menos trouxer import\u00e2ncia, a cantiga \u00e9 outra!). Na \u00f3ptica da maioria das institui\u00e7\u00f5es religiosas, impunham-se cortes radicais numa rela\u00e7\u00e3o potencialmente \u201cperigosa\u201d para o seguimento de Jesus.<\/p>\n<p> A imagem de Cristo surgia totalmente avassaladora. E quem dela despegasse os olhos, seria semelhante ao lavrador que perdia a m\u00e3o do arado, s\u00f3 por \u00abolhar para tr\u00e1s\u00bb e chorar de saudades.<\/p>\n<p>Os tr\u00eas prov\u00e9rbios usados por Jesus, totalmente extremistas e at\u00e9 chocantes, cumprem o objectivo de p\u00f4r em quest\u00e3o muitos preconceitos e ideias correntes, que, no melhor dos casos, apenas levam \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o de uma vida mediana. <\/p>\n<p>Jesus lembra que a luta pelo bem das pessoas concretas (o projecto de Deus) pode exigir, de vez em quando, que n\u00e3o se saiba onde e quando se pode repousar; e que n\u00e3o se deve esconder a fraqueza de esp\u00edrito ou interesses maldosos nas manifesta\u00e7\u00f5es de carinho; e que o projecto de vida \u00e9 como o rude e pesado arado do seu tempo, que exige, a quem quiser abrir os sulcos com proveito, pulso forte e olhar bem \u00e0 frente \u2013 n\u00e3o v\u00e1 o arado rasgar a terra por onde n\u00e3o deve\u2026<\/p>\n<p>A interpreta\u00e7\u00e3o comum seria de puro estilo oriental: \u00e9 preciso concentrar-se, concentrar-se, concentrar-se\u2026 naquilo que descobrimos ser o que d\u00e1 sentido \u00e0 nossa vida, que nos faz realmente felizes.<\/p>\n<p>Esta concentra\u00e7\u00e3o \u00e9 que nos liberta para a planifica\u00e7\u00e3o prudente de todas as nossas ac\u00e7\u00f5es, desde as mais comezinhas. Nem condena que a gente pare e aprecie o trabalho feito \u2013 o que d\u00e1 prazer e possibilita melhoramentos. Se Eliseu n\u00e3o tivesse \u00abolhado para tr\u00e1s\u00bb antes de seguir Elias (para se despedir dos pais), n\u00e3o tiraria proveito do velho arado nem de uma das suas juntas de bois, fazendo uma boa fogueira e um belo assado, com que festejou e ganhou for\u00e7as para o novo tipo de miss\u00e3o\u2026<\/p>\n<p>O que Jesus frisa claramente \u00e9 que o Reino de Deus n\u00e3o permite confus\u00f5es entre o sim e o n\u00e3o (Mateus 5,37). Seja qual for o nosso estilo de vida, n\u00e3o nos podemos fingir descomprometidos com a justi\u00e7a: \u00e0 mesa da fam\u00edlia e quando \u201cvamos \u00e0 missa\u201d; no trabalho e na ora\u00e7\u00e3o; nos divertimentos, quando namoramos e fazemos amor\u2026 \u00c9 assim que o \u00abEsp\u00edrito de Deus\u00bb tudo transforma em energia para o bem da humanidade.<\/p>\n<p>Para S. Paulo, s\u00f3 ganha esta energia quem queira \u00abviver segundo o esp\u00edrito\u00bb, e n\u00e3o como animaizinhos de olhos fechados como os que ainda \u00abvivem segundo a carne\u00bb. S\u00e3o dois modos de viver. Mas s\u00f3 quem \u00e9 livre com \u00aba verdadeira liberdade\u00bb, \u00e9 que \u00e9 capaz de tomar decis\u00f5es, procurando libertar-se tanto das injusti\u00e7as sociais como de perigosos caprichos. O progresso real exige uma vontade cada vez mais global e efectiva para estudar e aplicar o que \u00e9 verdadeiramente o bem comum \u2013 para al\u00e9m do nosso pequeno espa\u00e7o e tempo; e como eliminar as maneiras anti-humanas de obter certos lucros materiais, pondo o maior prazer em descobrir para onde conv\u00e9m apontar o arado. S\u00f3 assim compreendemos que o campo \u00e9 para todas as gera\u00e7\u00f5es e que ningu\u00e9m pode matar a esperan\u00e7a de que, mesmo devagarinho, o arado pode ir em boas m\u00e3os\u2026<\/p>\n<p>Jesus queria que os seus disc\u00edpulos compreendessem que a todos compete lan\u00e7ar m\u00e3o ao arado e que n\u00e3o se pode hesitar perante o que \u00e9 mesmo bom para fazer. <\/p>\n<p>Pois se nos distra\u00edmos na hora, l\u00e1 se perde o penalty\u2026<\/p>\n<p>Manuel Alte da Veiga<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-1876","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1876","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1876"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1876\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1876"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1876"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1876"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}