{"id":1878,"date":"2010-06-23T15:30:00","date_gmt":"2010-06-23T15:30:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=1878"},"modified":"2010-06-23T15:30:00","modified_gmt":"2010-06-23T15:30:00","slug":"felicidade-o-que-onde-como","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/felicidade-o-que-onde-como\/","title":{"rendered":"Felicidade: O qu\u00ea? Onde? Como?"},"content":{"rendered":"<p>Livro <!--more--> A mais bela hist\u00f3ria da felicidade<\/p>\n<p>Andr\u00e9 Comte-Sponville, Jean Delumeau e Arlette Farge<\/p>\n<p>Texto &#038; Grafia<\/p>\n<p>146 p\u00e1ginas<\/p>\n<p>Um historiador perito em hist\u00f3ria da Igreja Cat\u00f3lica e das mentalidades, uma historiadora especialista no Iluminismo e um fil\u00f3sofo ateu falam da felicidade, essa ditadura do tempo presente, o misterioso Graal que o ser humano persegue, mas que n\u00e3o deixa de permanentemente se esquivar. Jean Delumeau, Andr\u00e9 Comte-Sponville e Arlette Fargue respondem \u00e0s quest\u00f5es de Alice Germain neste livro de entrevistas.<\/p>\n<p>O que \u00e9 a felicidade? Epicuro dizia que era o que se alcan\u00e7ava com uma rigorosa dieta (prescri\u00e7\u00e3o controlada) de prazeres. Os est\u00f3icos abominavam o prazer e substitu\u00edam-no pela virtude moral. C\u00e1lides, o advers\u00e1rio do fil\u00f3sofo S\u00f3crates, dizia que ser feliz consiste em satisfazer as paix\u00f5es, os desejos, mesmo os mais loucos. Como os desejos s\u00e3o um po\u00e7o sem fundo, S\u00f3crates abominava tal ideia. Mas Kant n\u00e3o. Para o iluminista, a felicidade est\u00e1 em satisfazer os desejos, mais do que isso, e as propens\u00f5es.<\/p>\n<p>Para uns, \u00e9 a vida em fam\u00edlia; para outros, a solid\u00e3o. Aproveitar a sorte e o que a vida nos d\u00e1? Construir e conquistar, numa atitude prometaica? Empurrar a pedra para cima do monte sem reparar no absurdo e imaginar-se feliz, como S\u00edsifo? H\u00e1 quem tome a felicidade por divertimentos \u2013 critica Pascal. Est\u00e1 no ter? \u00caxito profissional, reconhecimento social, rela\u00e7\u00e3o amorosa, sa\u00fade, honra, bens? Est\u00e1 no ser? Que ser? \u201cFa\u00e7amos a experi\u00eancia, como Pascal convida a fazer\u201d, conta Comte-Sponville. \u201cInstalemo-nos no nosso quarto, permane\u00e7amos l\u00e1 vinte e quatro horas sem fazer nada, e veremos que o simples facto de ser n\u00e3o chega para a felicidade, mas leva, pelo contr\u00e1rio, ao t\u00e9dio, \u00e0 ang\u00fastia, \u00e0 insatisfa\u00e7\u00e3o, \u00e0 tristeza\u2026 A felicidade n\u00e3o est\u00e1 no ter mas tamb\u00e9m n\u00e3o est\u00e1 no ser. Est\u00e1 no agir: o homem s\u00f3 pode usufruir verdadeiramente daquilo que faz. A \u00fanica felicidade humana \u00e9 uma felicidade em acto, uma felicidade na ac\u00e7\u00e3o\u201d (p\u00e1g. 44).<\/p>\n<p>A religi\u00e3o fornece igualmente \u201ca sua pedra para o edif\u00edcio\u201d, colocando a felicidade no centro das suas preocupa\u00e7\u00f5es. Felicidade nesta vida? Felicidade fora desta vida? No \u00c9den, Para\u00edso, Jardim das Del\u00edcias? Mas a ideia de para\u00edso evoluiu. A felicidade secularizou-se. Para o cristianismo, o inferno n\u00e3o s\u00e3o os outros. O para\u00edso \u00e9 reencontrarem-se uns com os outros e com o Outro.<\/p>\n<p>A felicidade tornou-se um dever. \u201cSer \u00e9 poder aceder \u00e0 felicidade; existir \u00e9 obrigar-se a ser feliz\u201d. Diz-se que a felicidade n\u00e3o est\u00e1 nas posses (\u00eaxito, dinheiro, beleza), mas nas disposi\u00e7\u00f5es (serenidade, tranquilidade, harmonia). Mas parece que s\u00e3o poucos os que levam a s\u00e9rio este ensinamento. \u201cO paradoxo dos nossos tempos modernos consiste em inventar uma felicidade \u00abinterior\u00bb e propor sempre mais prazeres para consumir e produtos para supostamente ser feliz\u201d (p\u00e1g. 14).<\/p>\n<p>O segredo da felicidade est\u00e1 no fazer-se da felicidade. \u201cA felicidade n\u00e3o \u00e9 o fim do caminho, mas o pr\u00f3prio caminho\u201d. \u201cA felicidade n\u00e3o \u00e9 um sossego, mas um esfor\u00e7o bem sucedido ou um fracasso superado\u201d (p\u00e1g. 141).<\/p>\n<p>Este livro a tr\u00eas vozes tem hist\u00f3ria, filosofia, teologia e bom senso comum. N\u00e3o \u00e9 um manual nem um livro de auto-ajuda. Mas ajuda a esclarecer. E nisto todos concordam: n\u00e3o h\u00e1 felicidade sem sabedoria.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Livro<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[59],"tags":[],"class_list":["post-1878","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-formacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1878","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1878"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1878\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1878"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1878"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1878"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}