{"id":18780,"date":"2011-01-19T10:23:00","date_gmt":"2011-01-19T10:23:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=18780"},"modified":"2011-01-19T10:23:00","modified_gmt":"2011-01-19T10:23:00","slug":"domingo-dia-para-ser-mais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/domingo-dia-para-ser-mais\/","title":{"rendered":"Domingo, dia para ser mais"},"content":{"rendered":"<p>III Etapa Pastoral <!--more--> A terceira etapa pastoral da Diocese de Aveiro aponta como objectivo a valoriza\u00e7\u00e3o do domingo, um dia que precisamos de redescobrir para que todos os outros sejam de liberta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cNunca mais \u00e9 s\u00e1bado\u201d. Quem nunca soltou este desabafo no meio de uma semana cansativa? E no entanto, para os crist\u00e3os, a \u00e2nsia devia ser pelo domingo, o dia do Senhor, primeiro dia, o da Cria\u00e7\u00e3o, e dia da ressurrei\u00e7\u00e3o, que inaugurou um tempo inesperado, um nova cria\u00e7\u00e3o, o dia pleno, promessa do dia sem fim da felicidade eterna.<\/p>\n<p>Talvez no desejo do s\u00e1bado haja reminisc\u00eancias de outros tempos e sintomas de um tempo actual algo doente.<\/p>\n<p>As reminisc\u00eancias v\u00eam do tempo em que o s\u00e1bado era o dia do descanso, o que ainda hoje acontece para os judeus, mas aconteceu igualmente no Imp\u00e9rio Romano. Durante v\u00e1rios s\u00e9culos de cristianismo, o dia de descanso e o dia de culto n\u00e3o coincidiam, como explica o Papa Jo\u00e3o Paulo II, na carta que escreveu sobre a santifica\u00e7\u00e3o do domingo: \u201cDurante alguns s\u00e9culos, os crist\u00e3os viveram o domingo apenas como dia do culto, sem poderem juntar-lhe tamb\u00e9m o significado espec\u00edfico de descanso sab\u00e1tico. S\u00f3 no s\u00e9culo IV \u00e9 que a lei civil do Imp\u00e9rio Romano reconheceu o ritmo semanal, fazendo com que, no \u00abdia do sol\u00bb, os ju\u00edzes, os habitantes das cidades e as corpora\u00e7\u00f5es dos diversos of\u00edcios parassem de trabalhar. Grande contentamento sentiram os crist\u00e3os ao verem assim afastados os obst\u00e1culos que, at\u00e9 ent\u00e3o, tinham tornado por vezes her\u00f3ica a observ\u00e2ncia do dia do Senhor. Podiam agora dedicar-se \u00e0 ora\u00e7\u00e3o comum, sem qualquer impedimento\u201d (\u201cDies Domini\u201d, n.\u00ba 64).<\/p>\n<p>Mas o desejo do s\u00e1bado pode revelar tamb\u00e9m uma viv\u00eancia pouco saud\u00e1vel do ritmo semanal. O s\u00e1bado como v\u00e1lvula de escape de uma semana cheia de stresse, vivida num escrit\u00f3rio ou numa reparti\u00e7\u00e3o, com desloca\u00e7\u00f5es enervantes, e que se deseja que passe num \u00e1pice. N\u00e3o \u00e9 raro encontrar quem usa o s\u00e1bado para passear e descansar, depois dos cinco dias de trabalho, e aproveita o domingo para ficar recluso, fazendo as lidas da casa, num dia tornado triste, antecipando mais uma semana igual a tantas outras.<\/p>\n<p>A qualidade de cada dia<\/p>\n<p>Precisamos da cura do tempo? O monge alem\u00e3o Anselm Grun, um dos mais populares autores espirituais, defende uma compreens\u00e3o do tempo que alguns diriam rotineira, mas que permite revelar a qualidade pr\u00f3pria de cada dia. Seguindo a tradi\u00e7\u00e3o da Igreja, a segunda-feira \u00e9 dia da Sant\u00edssima Trindade. \u201cSei que n\u00e3o trabalho a partir de uma fonte de energia pr\u00f3pria, mas a partir da fonte do Esp\u00edrito Santo\u201d. Na ter\u00e7a, \u201crecordamos que n\u00e3o percorremos o dia sozinhos, mas que o anjo nos acompanha\u201d. \u00c0 quarta, recorda-se S. Jos\u00e9. A quinta \u00e9 o dia da Eucaristia, onde se celebra a transforma\u00e7\u00e3o do trabalho. A sexta \u00e9 o dia da morte de Jesus, o \u201ctempo em que o Deus eterno produziu em n\u00f3s a prosperidade, atrav\u00e9s da morte de Jesus\u201d. O s\u00e1bado \u00e9 sempre consagrado a Maria. E a culminar a semana, o dia do Senhor. \u201cA semana tem, assim, uma estrutura. O ritmo sempre igual que nela penetra, vindo de fora, confere \u00e0 semana a sua marca e n\u00e3o permite que o aborrecimento surja. Na heterogeneidade dos dias encontramos uma tens\u00e3o e vitalidade interiores. Sinto que este ritmo me \u00e9 ben\u00e9fico. D\u00e1-me vida e \u00e2nimo, n\u00e3o s\u00f3 para trabalhar, mas tamb\u00e9m para ter tempo suficiente para ler, rezar e descansar. Depois do domingo, come\u00e7o o trabalho na segunda-feira de manh\u00e3 com um novo entusiasmo. N\u00e3o h\u00e1 qualquer relut\u00e2ncia, mas sim o sentimento de que tudo est\u00e1 certo. E nunca fico com a sensa\u00e7\u00e3o de que tudo \u00e9 um exagero\u201d, afirma Anselm Grun no livro \u201cAo ritmo do tempo dos monges\u201d, que, ao contr\u00e1rio do que o t\u00edtulo sugere, \u00e9 uma partilha para que os leigos, que n\u00e3o vivem em conventos nem em mosteiros, vivam o tempo n\u00e3o como um peso, mas como o acontecer da salva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Criatividade <\/p>\n<p>para valorizar o domingo<\/p>\n<p>Para valorizar o domingo, reconhecendo que n\u00e3o pode ser para todos um tempo de descanso (al\u00e9m de haver ind\u00fastrias que n\u00e3o podem parar, pensemos em fornos que demoram dias a ligar e desligar; e se queremos tomar um caf\u00e9 ou ir ao cinema, algu\u00e9m tem de trabalhar\u2026), os bispos portugueses, num documento de 1994, dizem que \u00e9 preciso uma \u201cgrande criatividade\u201d, num clima s\u00f3cio-cultural diferente e em constante muta\u00e7\u00e3o: \u201cCriatividade pastoral, que, sem trair a sua ess\u00eancia, adapte a catequese e a liturgia ao domingo \u00e0s novas maneiras de sentir e viver o quotidiano da exist\u00eancia\u201d; e \u201ccriatividade social, que favore\u00e7a a subordina\u00e7\u00e3o dos interesses da produ\u00e7\u00e3o e comercializa\u00e7\u00e3o de bens e servi\u00e7os aos valores espirituais, culturais e sociais do domingo\u201d.<\/p>\n<p>A Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa real\u00e7a que \u201cn\u00e3o s\u00e3o apenas raz\u00f5es de ordem religiosa\u201d que a movem na defesa do domingo. Exige-a \u201co servi\u00e7o da humanidade e, concretamente, da vida das pessoas, das fam\u00edlias e da pr\u00f3pria sociedade\u201d. N\u00e3o se pense, contudo, que o domingo \u00e9 o dia de n\u00e3o fazer nada. \u00c9, se tivermos em conta as sugest\u00f5es dos bispos (ver destaque), o dia de fazer tudo.<\/p>\n<p>Sete temas da etapa pastoral<\/p>\n<p>1. Domingo \u2013 19 de Janeiro<\/p>\n<p>2. O que s\u00e3o sacramentais? \u2013 16 de Fevereiro<\/p>\n<p>3. Religiosidade popular \u2013 16 de Mar\u00e7o<\/p>\n<p>4. Ora\u00e7\u00e3o e ora\u00e7\u00f5es \u2013 20 de Abril<\/p>\n<p>5. Grupos de ora\u00e7\u00e3o \u2013 18 de Maio<\/p>\n<p>6. Lectio Divina \u2013 15 de Junho<\/p>\n<p>7. Equipas de Pastoral Lit\u00fargica \u2013 20 de Julho<\/p>\n<p>Muito mais do que descansar<\/p>\n<p>Segundo o documento \u201cO Domingo numa Sociedade em Mudan\u00e7a\u201d, dos bispos portugueses, o domingo \u00e9 para:<\/p>\n<p>&#8211; viver a missa como uma festa, o que implica \u201ccalor humano\u201d na celebra\u00e7\u00e3o e uma \u201cinteligente sintonia da missa com a vida das pessoas\u201d;<\/p>\n<p>&#8211; descansar, ainda que alguns troquem o descanso semanal por um \u201ccomplemento de sal\u00e1rio, pela \u00e2nsia de ter mais ou pela fuga ao t\u00e9dio\u201d;<\/p>\n<p>&#8211; ser livre, ocupando-se com desporto, jogos, contactos com a natureza, leitura, m\u00fasica, arte, visita a museus e monumentos, festas, divers\u00f5es; <\/p>\n<p>&#8211; ser mais fam\u00edlia, pois o descanso \u201coferece larga possibilidade de encontros\u201d;<\/p>\n<p>&#8211; ser solid\u00e1rio, empenhando-se nas obras de miseric\u00f3rdia, devidamente actualizadas, e no voluntariado, isto \u00e9, a \u201centrega generosa a servi\u00e7os gratuitos em institui\u00e7\u00f5es e actividades de assist\u00eancia e promo\u00e7\u00e3o social e cultural\u201d.<\/p>\n<p>Sabia que&#8230;?<\/p>\n<p>* Nas principais l\u00ednguas, a palavra \u201cdomingo\u201d tem sempre origem em duas ideias. Ou \u201cdia do Senhor\u201d (portugu\u00eas, \u201cdomingo\u201d; franc\u00eas, \u201cdimanche\u201d; italiano, \u201cdomenica\u201d; grego, \u201ckyriak\u00e9\u201d; turco, \u201cpazar\u201d\u2026) ou \u201cdia do sol\u201d (ingl\u00eas, \u201csunday\u201d; alem\u00e3o, \u201csonntag\u201d; chin\u00eas, \u201cx&#299;ng q&#299; r\u00ec\u201d\u2026). <\/p>\n<p>* Os mu\u00e7ulmanos observam a sexta-feira, os judeus guardam o s\u00e1bado, os crist\u00e3os santificam o domingo.<\/p>\n<p>Como ficar pobre <\/p>\n<p>\u201cAo domingo, \u00e9 o bem de Deus; \u00e9 o seu dia, o dia do Senhor. Ele fez todos os dias da semana; ele podia guard\u00e1-los a todos; deu-vos seis e n\u00e3o reservou para si sen\u00e3o o s\u00e9timo. Com que direito tocais v\u00f3s naquilo que n\u00e3o vos pertence? Eu conhe\u00e7o dois meios certos de se ficar pobre: \u00e9 trabalhar ao domingo e tomar o bem de outra pessoa\u201d.<\/p>\n<p>Jean-Maria Vianney, <\/p>\n<p>cura d\u2019Ars (1786-1859)<\/p>\n<p>Documentos de refer\u00eancia sobre o domingo<\/p>\n<p>\u2022 \u201cInstru\u00e7\u00e3o Pastoral Sobre o Domingo e a Sua Celebra\u00e7\u00e3o\u201d (1978), da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa; <\/p>\n<p>\u2022 \u201cO Domingo numa Sociedade em Mudan\u00e7a\u201d (1994), da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa; <\/p>\n<p>\u2022 \u201cDies Domini, Carta Apost\u00f3lica Sobre a Santifica\u00e7\u00e3o do Domingo\u201d (31 de Maio de 1998), de Jo\u00e3o Paulo II<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>III Etapa Pastoral<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-18780","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-destaque"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18780","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18780"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18780\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18780"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18780"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18780"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}