{"id":18817,"date":"2011-12-21T09:41:00","date_gmt":"2011-12-21T09:41:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=18817"},"modified":"2011-12-21T09:41:00","modified_gmt":"2011-12-21T09:41:00","slug":"os-diocesanos-perguntam-o-sr-bispo-responde","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/os-diocesanos-perguntam-o-sr-bispo-responde\/","title":{"rendered":"Os diocesanos perguntam, o Sr. Bispo responde"},"content":{"rendered":"<p>De alguma forma assinalando os cinco anos de D. Ant\u00f3nio Francisco como Bispo de Aveiro (8-12-2006 &#8211; 2011), o Correio do Vouga pediu aos seus leitores que formulassem perguntas ao Bispo de Aveiro. Sugiram 28 quest\u00f5es, algumas focando os mesmos assuntos, de dez pessoas. Seleccionamos dez quest\u00f5es, uma por autor, e demo-las ao Sr. Bispo, que respondeu por escrito, no meio de uma agenda ainda mais preenchida nesta altura do ano.<\/p>\n<p>LEITORES DO CORREIO DO VOUGA &#8211; D. Ant\u00f3nio, como sucessor apost\u00f3lico com a miss\u00e3o de santificar, ensinar e governar e sendo um dos Bispos com responsabilidades a n\u00edvel nacional, pretendia saber qual \u00e9 a sua vis\u00e3o da Igreja para daqui a 5 anos ao n\u00edvel, pastoral, teol\u00f3gico, eclesial e laical? Mais concretamente, permita-me tamb\u00e9m nesta linha saber a sua perspectiva futura para a nossa Diocese? (Fernando Cassola, Aveiro)<\/p>\n<p>D. ANT\u00d3NIO FRANCISCO &#8211; A resposta que de imediato esta quest\u00e3o me sugere firma-se na f\u00e9. Acredito na Igreja, nesta Igreja que sirvo com alegria e com entrega. Acredito na Igreja sonhada por Deus, fundada em Jesus Cristo, vivo e ressuscitado, como sua pedra angular, e animada pelo Esp\u00edrito. Sei, tamb\u00e9m, que o homem \u00e9 o caminho da Igreja e que a Igreja deve percorrer este caminho como peregrina, sem parar no tempo, atenta a novos desafios e realidades, sem se limitar \u00e0s fronteiras estreitas desta Europa cheia de incertezas quanto ao seu futuro ou da cultura do Ocidente dominada pelo relativismo.<\/p>\n<p>Confio que o futuro nos dir\u00e1 com mais coer\u00eancia, clareza e ousadia prof\u00e9tica o valor do Conc\u00edlio Vaticano II e do muito que dele ainda falta cumprir em tantas \u00e1reas como seja, por exemplo, na descoberta da dimens\u00e3o da Igreja como Povo de Deus, na diversidade e na complementaridade dos minist\u00e9rios, no assumir dos crist\u00e3os da ordem temporal, no di\u00e1logo ecum\u00e9nico e inter-religioso, no sentido da comunh\u00e3o, da fraternidade e do desafio da miss\u00e3o, para que o rosto desta Igreja que amo seja cada vez mais belo. <\/p>\n<p>Olhando para Portugal, demos recentemente alguns passos no sentido do \u00abRepensar juntos a pastoral da Igreja em Portugal\u00bb, que mobilizou pessoas e inst\u00e2ncias de participa\u00e7\u00e3o e de corresponsabilidade a v\u00e1rios n\u00edveis, nas par\u00f3quias, nas dioceses, nos institutos religiosos e nos movimentos apost\u00f3licos. Importa agora ser consequente e prosseguir este caminho que se inscreve na din\u00e2mica sinodal de nova evangeliza\u00e7\u00e3o e de comunh\u00e3o da Igreja.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 nossa Diocese, sempre lembrada do dia primeiro da sua restaura\u00e7\u00e3o, dos dois S\u00ednodos realizados e de t\u00e3o belo caminho j\u00e1 andado, a palavra que me ressalta, espont\u00e2nea e primeira, \u00e9 uma palavra de gratid\u00e3o a todos quantos nestes setenta e tr\u00eas anos foram as pedras vivas desta Igreja que hoje somos: bispos, sacerdotes, di\u00e1conos, consagrados (as) e leigos(as). <\/p>\n<p>Vejo estes pr\u00f3ximos anos animados e dinamizados pela Miss\u00e3o Jubilar. O Jubileu dos 75 anos da restaura\u00e7\u00e3o da nossa Diocese que nos vai envolver e mobilizar ser\u00e1 para todos n\u00f3s um tempo de b\u00ean\u00e7\u00e3o e de renova\u00e7\u00e3o eclesial, de forma\u00e7\u00e3o da f\u00e9, de \u00e2nimo, de ora\u00e7\u00e3o mais intensa, de viv\u00eancia crescente da caridade e da comunh\u00e3o fraterna e tempo de abrir novos caminhos e oportunidades de di\u00e1logo com o mundo. O mundo \u00e9 nosso campo de miss\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 tempo de reorganiza\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os e estruturas pastorais que configurem e agilizem a nossa ac\u00e7\u00e3o evangelizadora e o nosso modo de servir. \u00c9 ainda uma oportunidade de novo impulso e de maior sentido de comunh\u00e3o dados aos movimentos apost\u00f3licos existentes e actuantes na nossa Diocese. Este tempo centrado na Miss\u00e3o Jubilar e a partir dela \u00e9 um tempo de grande esperan\u00e7a e permanente e crescente compromisso em que sentiremos a alegria de sermos Igreja em Aveiro e faremos desta Igreja Diocesana, sinal da presen\u00e7a de Cristo e Tenda de Deus neste ch\u00e3o da nossa Terra e no cora\u00e7\u00e3o do mundo. \u00c9 tempo aben\u00e7oado para \u00abevangelizar\u00bb com palavras e vidas inspiradas no Evangelho das Bem-aventuran\u00e7as, para \u00abcelebrar\u00bb com alegria os mist\u00e9rios da nossa f\u00e9 e a Igreja que somos e para \u00abServir\u00bb fazendo irromper um sentido de plenitude a dar \u00e1 vida e ao mundo, certos de que como lembrava Bento XVI na Alemanha, sua terra natal: \u201cOnde h\u00e1 Deus h\u00e1 futuro\u201d.<\/p>\n<p>Acredito que seremos, assumindo dia-a-dia o projecto do nosso Plano Diocesano de Pastoral, \u00abIgreja renovada na Caridade, servidora dos mais pobres, educadora da f\u00e9, orante e fraternidade de fam\u00edlias\u00bb. Nesta Igreja todos temos lugar e miss\u00e3o, todos somos necess\u00e1rios e todos nos devemos sentir envolvidos, para que sejamos uma \u00abIgreja diocesana que vive e celebra na alegria o seu crescimento na f\u00e9 e na caridade e se abre ao mundo com \u00e2nimo evangelizador\u00bb. Uma Igreja que seja rosto de esperan\u00e7a neste mundo tantas vezes \u00e0 procura de raz\u00f5es de esperan\u00e7a e que seja sinal vis\u00edvel da presen\u00e7a e do amor de Deus para todos. Uma Igreja \u00ab\u00e2ncora e farol para os crentes ou n\u00e3o crentes\u00bb retomando as palavras e o compromisso que me acompanham desde o in\u00edcio do meu minist\u00e9rio.<\/p>\n<p>Numa altura em que os tempos mudam, em que a forma das pessoas comunicar, a linguagem que utilizam se alteram\u2026 compreende que a Igreja em geral, a Diocese em particular, se deve manter fiel ao seu estilo eclesial de comunica\u00e7\u00e3o que funciona, ou deve procurar estilos e posturas que v\u00e3o ao encontro daqueles que vivem no nosso meio mas n\u00e3o s\u00e3o crist\u00e3os em convic\u00e7\u00e3o, porque nunca ningu\u00e9m lhes conseguiu chegar ao cora\u00e7\u00e3o, \u00e0 vida deles, onde eles est\u00e3o? Corremos o risco de, ao fechar-nos, evangelizarmos evangelizados e n\u00e3o conseguirmos chegar a tanta gente que vive ao nosso lado? Ser\u00e1 que corremos riscos de sair da \u201ccorrecta\u201d Teologia, de sermos melhores ou piores crist\u00e3os se comunicarmos de modo eficaz, ou seja\u2026 chegar \u00e0s pessoas, a todas e n\u00e3o apenas \u00e0s que est\u00e3o perto? (Pedro Neto, Santa Catarina &#8211; Vagos)<\/p>\n<p>Nestes setenta e tr\u00eas anos de vida e de hist\u00f3ria da Igreja de Aveiro foi grande o percurso feito na organiza\u00e7\u00e3o interna, na inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3, na forma\u00e7\u00e3o da f\u00e9, no ardor apost\u00f3lico, na abertura de canais de comunica\u00e7\u00e3o, no acolhimento dado, na busca de novos espa\u00e7os de presen\u00e7a e de an\u00fancio da f\u00e9, na beleza das celebra\u00e7\u00f5es, nas iniciativas sociais e nas formas novas de voluntariado, de presen\u00e7a e de comunica\u00e7\u00e3o em v\u00e1rios \u00e2mbitos e horizontes.<\/p>\n<p>Em ordem ao futuro, urge incentivar a forma\u00e7\u00e3o dos agentes de pastoral, valorizar o acolhimento dado \u00e0 Palavra de Deus, com grupos b\u00edblicos e n\u00facleos de evangeliza\u00e7\u00e3o a partir da Palavra rezada, reflectida e testemunhada. Importa dar mais centralidade \u00e0 Eucaristia na vida da comunidade e na sua ac\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Sou sens\u00edvel e estou atento a esta nova realidade de tanta gente que procura Deus por caminhos que n\u00e3o s\u00e3o os mais frequentes ou habituais e que precisam de encontrar nos crist\u00e3os e nas estruturas da Igreja portas abertas para este encontro com Deus. Vejo que, tamb\u00e9m aqui, h\u00e1 uma Igreja a nascer, aberta \u00e0 juventude e \u00e0s fam\u00edlias, atenta aos mais pobres e exclu\u00eddos, preocupada com a forma\u00e7\u00e3o dos leigos, dos sacerdotes, dos di\u00e1conos e dos (as) consagrados(as), receptiva a novos carismas de consagra\u00e7\u00e3o e testemunhos de servi\u00e7o apost\u00f3lico, dispon\u00edvel para a nova evangeliza\u00e7\u00e3o e preocupada em encontrar novas formas e diferentes espa\u00e7os de encontro das pessoas,  de congrega\u00e7\u00e3o da Igreja e de celebra\u00e7\u00e3o da f\u00e9.<\/p>\n<p>Os meios de comunica\u00e7\u00e3o social, e tamb\u00e9m a\u00ed estamos a dar passos significativos, intensificando e diversificando a presen\u00e7a e ac\u00e7\u00e3o da Igreja de Aveiro, s\u00e3o novos instrumentos e espa\u00e7os de evangeliza\u00e7\u00e3o e de servi\u00e7o ao mundo.<\/p>\n<p>Preparamo-nos para comemorar os 75 anos da restaura\u00e7\u00e3o da Diocese de Aveiro. Como o Sr. Bispo gostaria de ser recordado pelos diocesanos aveirenses daqui a 75 anos? (Lu\u00eds Silva, Estarreja)<\/p>\n<p>Como bispo irm\u00e3o, servidor humilde da esperan\u00e7a e ap\u00f3stolo da bondade, que nunca se cansou de agradecer o amor de Deus pela Igreja de Aveiro e de bendizer os dons por Deus concedidos a esta Igreja, nos seus bispos, presb\u00edteros, di\u00e1conos, consagrados(as) e leigos(as). <\/p>\n<p>Um bispo que gostou das Terras de Aveiro e que amou as suas Gentes e por umas e por outras deu a sua vida com paix\u00e3o pela miss\u00e3o, assumindo com alegria este minist\u00e9rio de comunh\u00e3o, de esperan\u00e7a e de bondade.<\/p>\n<p>Um bispo feliz, por ser chamado a servir a Diocese no Jubileu e a partir da\u00ed relan\u00e7ar com ardor e encanto esta Igreja em caminhos de maior amor a Deus e de renovado servi\u00e7o a Aveiro e ao mundo, como lembra o nosso lema \u00abAmar a Deus \u00e9 Servir\u00bb e nos anima a nossa Padroeira, Santa Joana Princesa, com o seu exemplo.<\/p>\n<p>Como se pode perceber o fen\u00f3meno de alguns jovens \u00e0 procura de uma voca\u00e7\u00e3o virada para Deus na clausura, quando h\u00e1 tanto que fazer no mundo? Ser\u00e1 mais f\u00e1cil viver fora do mundo, rezando por ele? (Teresa Correia, Aveiro)<\/p>\n<p>A voca\u00e7\u00e3o \u00e9 sempre um misto de mist\u00e9rio, que nasce do cora\u00e7\u00e3o de Deus, e de generosidade, que brota do cora\u00e7\u00e3o do homem. Talvez, hoje, se d\u00ea mais conta da voca\u00e7\u00e3o para a vida contemplativa do que anteriormente, porque a rela\u00e7\u00e3o proporcional entre esta e as voca\u00e7\u00f5es para a vida activa alterou-se, com surpresa de muitos. Esta surpresa provoca interesse at\u00e9 nos meios de comunica\u00e7\u00e3o social e interpela-nos a todos. <\/p>\n<p>Contemplar \u00e9 uma forma de ac\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica e a vida contemplativa faz parte da hist\u00f3ria multissecular da Igreja. H\u00e1 quem o fa\u00e7a em alguns momentos inspiradores dos seus dias. H\u00e1 quem o fa\u00e7a uma vida inteira para inspirar todo o viver da Igreja ao longo de todos os seus dias. N\u00e3o esque\u00e7amos que a ora\u00e7\u00e3o \u00e9 a alma do culto e agir crist\u00e3o e \u00e9, no dizer de Bento XVI, o primeiro lugar de esperan\u00e7a. <\/p>\n<p>A voca\u00e7\u00e3o para a vida consagrada n\u00e3o \u00e9 uma fuga do mundo. Se assim fosse nem seria voca\u00e7\u00e3o nem consagra\u00e7\u00e3o. Rezar e agir s\u00e3o duas formas complementares de amar a Deus e servir o mundo. Nem a contempla\u00e7\u00e3o nos faz esquecer o mundo nem t\u00e3o pouco a ac\u00e7\u00e3o pastoral nos dispensa da ora\u00e7\u00e3o e da contempla\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Os jovens que seguem o caminho do sacerd\u00f3cio ou da consagra\u00e7\u00e3o procuram a verdade para as suas vidas, de acordo com o projecto que sentem ser o sonho de Deus para eles. Esta verdade de vidas dadas passa muitas vezes por uma radicalidade de entrega tal, que humanamente nos surpreende e causa estranheza, mas que os faz felizes e faz feliz a Igreja, as comunidades que os acolhem e o mundo e a quem eles s\u00e3o chamados a servir.<\/p>\n<p>Este ano do plano pastoral \u00e9 dedicado \u00e0 fam\u00edlia. H\u00e1 um ano e meio publiquei um artigo neste jornal desafiando a Diocese a implementar alguma iniciativa em rela\u00e7\u00e3o a todas aquelas fam\u00edlias que n\u00e3o vivem em comunh\u00e3o matrimonial. N\u00e3o s\u00f3 os recasados como as fam\u00edlias monoparentais e, porque n\u00e3o, os que vivem em uni\u00e3o de facto. E constato que a pastoral familiar tinha este ano uma grande oportunidade de fazer alguma coisa para os tirar do gueto, que n\u00e3o foi aproveitada. Ainda vamos a tempo, Sr. Bispo? (Jo\u00e3o Manuel Querido, Aveiro)<\/p>\n<p>A centralidade que queremos dar \u00e0 fam\u00edlia nesta IV Etapa do nosso Plano Diocesano de pastoral, vivido neste caminho que nos propusemos realizar rumo ao Jubileu, n\u00e3o esquece as situa\u00e7\u00f5es que refere, nem marginaliza ou exclui ningu\u00e9m. Queremos centrar-nos na visibilidade a dar \u00e0s fam\u00edlias crist\u00e3s e real\u00e7ar a partir delas o valor do sacramento do matrim\u00f3nio e da educa\u00e7\u00e3o crist\u00e3 transmitida de av\u00f3s, a pais, filhos e netos. N\u00e3o o fazemos por facilidade ou por circunst\u00e2ncia, mas sim por convic\u00e7\u00e3o de f\u00e9 e compromisso pastoral, porque importa propor, atrav\u00e9s do testemunho crist\u00e3o destas fam\u00edlias, o caminho aos mais jovens neste horizonte e sentido. <\/p>\n<p>O acolhimento, o acompanhamento espiritual, a partilha fraterna de realidades, preocupa\u00e7\u00f5es e op\u00e7\u00f5es diferentes t\u00eam o seu lugar natural no \u00e2mbito das comunidades paroquiais, dos movimentos apost\u00f3licos e em tantos outros momentos e espa\u00e7os da vida da Igreja onde estes membros da Igreja se sintam integrados e acolhidos. <\/p>\n<p>As forma\u00e7\u00f5es propostas, como momentos de reflex\u00e3o e de partilha (a pr\u00f3xima ser\u00e1 sobre a Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica \u201cFamiliaris Consortio\u201d) est\u00e3o abertas a todos.<\/p>\n<p>O muito que h\u00e1 a fazer neste campo passa por uma cont\u00ednua reflex\u00e3o da Igreja no seu todo, como Povo de Deus que somos, mas passa em muito, tamb\u00e9m, pela rela\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima, acolhedora e fraterna de cada um de n\u00f3s com aqueles que vivem nas situa\u00e7\u00f5es referidas.<\/p>\n<p>Os futuros sacerdotes recebem alguma forma\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica em rela\u00e7\u00f5es humanas? S\u00e3o preparados para enfrentar conflitos sem desanimar nem p\u00f4r achas na fogueira? Al\u00e9m da disposi\u00e7\u00e3o moral, s\u00e3o formados em t\u00e9cnicas adequadas a essas situa\u00e7\u00f5es? Nomeadamente, dominam t\u00e9cnicas de din\u00e2mica de grupos? S\u00e3o preparados para tratar toda a gente educadamente, dominando preconceitos? Ao longo do munus sacerdotal, disp\u00f5em de ac\u00e7\u00f5es de \u00abreciclagem\u00bb? (Manuel Alte da Veiga, Aveiro)<\/p>\n<p>A forma\u00e7\u00e3o dos futuros sacerdotes tem hoje percursos que s\u00e3o comuns aos dos jovens estudantes da sua idade e t\u00eam percursos pr\u00f3prios da miss\u00e3o e espec\u00edficos do minist\u00e9rio para que se preparam nas v\u00e1rias vertentes: humana, acad\u00e9mica, espiritual e pastoral. A dimens\u00e3o humana, a que alude, \u00e9 fundamental e os aspectos referidos constituem elementos estruturantes quer da personalidade quer da prepara\u00e7\u00e3o s\u00f3lida e equilibrada que o minist\u00e9rio nos exige como sacerdotes. O equil\u00edbrio pessoal, a abertura aos outros, o relacionamento com as pessoas, o viver em comunidade e o trabalhar em equipa constituem alguns dos tra\u00e7os fundamentais que desenham o nosso ser e o nosso viver como sacerdotes.<\/p>\n<p>A experi\u00eancia trazida da Fam\u00edlia, a vida em Comunidade, a forma\u00e7\u00e3o recebida ao longo do tempo de Semin\u00e1rio, a abertura \u00e0 vida pastoral e a participa\u00e7\u00e3o em movimentos juvenis e din\u00e2micas de anima\u00e7\u00e3o dos seus projectos, ainda em tempo de forma\u00e7\u00e3o, s\u00e3o valores essenciais para moldar em cada um as capacidades e as virtudes que refere.<\/p>\n<p>A forma\u00e7\u00e3o \u00e9 cont\u00ednua, tamb\u00e9m, nestas vertentes enunciadas, fortalecida com a vida e consolidada atrav\u00e9s do exerc\u00edcio do minist\u00e9rio. <\/p>\n<p>Hoje, h\u00e1 em todas as dioceses e institutos de vida religiosa propostas concretas de forma\u00e7\u00e3o permanente, permitindo juntar \u00e0 forma\u00e7\u00e3o inicial o necess\u00e1rio contributo para uma forma\u00e7\u00e3o cont\u00ednua ao longo de toda a vida.<\/p>\n<p>O que pensa da juventude da nossa diocese? E o que deseja dos jovens do futuro? Ser\u00e3o capazes de vivenciar e testemunhar Jesus Cristo? (Ana Patr\u00edcia Carvalho, Aradas)<\/p>\n<p>Os jovens s\u00e3o como as pontes que unem pelo menos duas margens. Os jovens ligam o passado ao futuro. Trazem consigo os seus pais e av\u00f3s, as suas fam\u00edlias, que se projectam neles. Os jovens sonham e antev\u00eaem o futuro melhor do que n\u00f3s adultos. O Santo Padre Bento XVI dedica a sua Mensagem para o Dia Mundial da Paz de 2012 aos jovens como educadores da justi\u00e7a e da paz. Eles s\u00e3o muito sens\u00edveis a estes valores da justi\u00e7a e da paz e a tantos outros \u00e0s vezes j\u00e1 t\u00e3o distanciados do cora\u00e7\u00e3o de muitos adultos.<\/p>\n<p>A nossa Diocese, dada a sua situa\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica, o seu desenvolvimento econ\u00f3mico e a sua Universidade \u00e9 uma Diocese em crescimento demogr\u00e1fico com muitas fam\u00edlias novas e com muita juventude. Dou gra\u00e7as a Deus por isso, tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>Ao n\u00edvel da f\u00e9 e do dinamismo pastoral dos jovens muitos lembram a caminhada sinodal com os jovens e todos reconhecemos o trabalho que desde h\u00e1 muitos anos se faz e que agora se prossegue e desenvolve com alegria, criatividade e entusiasmo. Encontramos jovens e grupos empenhados nas suas comunidades crist\u00e3s, corajosos e criativos em t\u00e3o belas experi\u00eancias de voluntariado mission\u00e1rio, presentes, dispon\u00edveis e interventivos nas v\u00e1rias inst\u00e2ncias e iniciativas da pastoral diocesana e sempre acolhedores de novos desafios para a miss\u00e3o. <\/p>\n<p>As v\u00e1rias iniciativas da Igreja diocesana, a participa\u00e7\u00e3o nas actividades e itiner\u00e1rios do Secretariado Diocesano de Pastoral Juvenil e Vocacional, o Movimento do Escutismo Cat\u00f3lico e outros e as \u00faltimas Jornadas Mundiais da Juventude, em Madrid, onde tantos jovens da nossa diocese estiveram presentes, entre muitas outras iniciativas, dizem-nos da firmeza esclarecida da sua f\u00e9 e anunciam tempos de crescente empenhamento por parte dos jovens na vida da Igreja. <\/p>\n<p>Temos, felizmente, jovens dispon\u00edveis para escutar a voz e o chamamento de Deus com vontade de O seguirem na sua voca\u00e7\u00e3o. Sinto que a Igreja pode contar com eles para a miss\u00e3o como verdadeiros disc\u00edpulos e testemunhas felizes de Jesus Cristo.<\/p>\n<p>Para quando um secretariado diocesano, que se dedique aos ex-seminaristas e ex-padres, na nossa diocese de Aveiro? Por que \u00e9 que, quando passam a \u201cex\u201d, a diocese os esquece, marginaliza e afasta? Porventura n\u00e3o seriam sempre uma mais-valia diocesana? (Joaquim Carinha Horta, Murtosa) <\/p>\n<p>Conhe\u00e7o e agrade\u00e7o o testemunho de muitos, o seu empenhamento apost\u00f3lico, a disponibilidade para tantas miss\u00f5es assumidas em Igreja. Mais do que um servi\u00e7o diocesano organizado, tenho priorizado o contacto pessoal que desde o in\u00edcio do meu minist\u00e9rio procurei ter, quer com os sacerdotes que n\u00e3o est\u00e3o no exerc\u00edcio do minist\u00e9rio quer com muitos dos alunos que ao longo do tempo frequentaram os nossos Semin\u00e1rios. Pouco a pouco, vou conhecendo uns e outros e sentindo quanto de bem realizam em tantos lugares da miss\u00e3o da Igreja e do servi\u00e7o ao mundo.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o aos antigos seminaristas h\u00e1 uma estrutura associativa a que me vinculei desde in\u00edcio com alegria e com dedica\u00e7\u00e3o. Reconhe\u00e7o, por experi\u00eancia de longos anos, que o trabalho dos Semin\u00e1rios nunca se circunscreveu apenas \u00e0queles que se ordenaram presb\u00edteros, sabendo muito embora que \u00e9 essa a sua primeira finalidade e miss\u00e3o. O trabalho do Semin\u00e1rio est\u00e1 presente no bem realizado na fam\u00edlia, na sociedade e na Igreja por todos n\u00f3s, que ao Semin\u00e1rio devemos muito do que hoje somos.<\/p>\n<p>Procurarei sempre, tamb\u00e9m neste sector espec\u00edfico da minha miss\u00e3o, estar atento, ser pr\u00f3ximo e viver e agir como irm\u00e3o de todos. Penso que por aqui passa muito do que em comum podemos fazer para que uns e outros tomemos as medidas que a cada momento e com cada pessoa se revelem adequadas e necess\u00e1rias.  <\/p>\n<p>Durante dois tri\u00e9nios o Sr. Bispo presidiu \u00e0 Comiss\u00e3o Episcopal das Voca\u00e7\u00f5es e Minist\u00e9rios, desenvolvendo um trabalho reconhecido por todos a n\u00edvel nacional. Em Novembro foi eleito para a Comiss\u00e3o Episcopal da Educa\u00e7\u00e3o Crist\u00e3 e Doutrina da F\u00e9. Que trabalhos o esperam nesta comiss\u00e3o? (Jorge Ferreira, Gafanha da Nazar\u00e9)<\/p>\n<p>N\u00e3o escondo que foi com muita alegria que fiz parte da Comiss\u00e3o Episcopal das Voca\u00e7\u00f5es e Minist\u00e9rios. Sempre me animou na vida a certeza de que Deus chama, muitas vezes em tempos diferentes e de modos novos e surpreendentes, e tenho a firme convic\u00e7\u00e3o de que os jovens de hoje s\u00e3o t\u00e3o generosos e dispon\u00edveis como outrora. Partindo desta certeza e firmado nesta convic\u00e7\u00e3o senti que importava apelar para um maior dinamismo das comunidades crist\u00e3s e mais transparente testemunho dos chamados. Estou convicto de que uma renovada cultura vocacional est\u00e1 a crescer em Portugal.<\/p>\n<p>Recebi a nova miss\u00e3o, que agora a Confer\u00eancia Episcopal me confia, com apreens\u00e3o. S\u00e3o muitos os desafios. A nova organiza\u00e7\u00e3o das Comiss\u00f5es Episcopais e a imperiosa articula\u00e7\u00e3o entre estas, para que a comunh\u00e3o da Igreja se fortale\u00e7a, exigem uma adequa\u00e7\u00e3o dos seus objectivos, concretamente na Comiss\u00e3o da Educa\u00e7\u00e3o Crist\u00e3 que agora integra, tamb\u00e9m, a Doutrina da F\u00e9. <\/p>\n<p>A Catequese, a Escola Cat\u00f3lica, a Educa\u00e7\u00e3o Moral e Religiosa Cat\u00f3lica, o Catecumenato dos Adultos, as Publica\u00e7\u00f5es s\u00e3o departamentos que integram esta Comiss\u00e3o e exigem uma vis\u00e3o coerente e um trabalho coordenado. Importa investir na forma\u00e7\u00e3o dos agentes de pastoral nestas v\u00e1rias \u00e1reas e estar aberto aos caminhos novos que a experi\u00eancia dos \u00faltimos anos e alguma avalia\u00e7\u00e3o j\u00e1 feita nos indicam. Ser\u00e1 em sede de Comiss\u00e3o e em \u00e2mbito alargado a novas inst\u00e2ncias de colabora\u00e7\u00e3o ao n\u00edvel das dioceses que desenharemos o rumo do futuro. <\/p>\n<p>As Comiss\u00f5es Episcopais n\u00e3o se devem substituir ao trabalho pastoral das dioceses e das comunidades crist\u00e3s. \u00c9 aqui que a vida da Igreja se faz. As Comiss\u00f5es Episcopais s\u00e3o um servi\u00e7o de subsidiariedade, de est\u00edmulo e de apoio. E as dioceses podem e devem contar com a Comiss\u00e3o de Educa\u00e7\u00e3o Crist\u00e3 e Doutrina da F\u00e9. H\u00e1 muitos caminhos que se abrem hoje a esta \u00edntima articula\u00e7\u00e3o e criativa colabora\u00e7\u00e3o. Queremos ser presentes, activos e criativos. Mas sobretudo dispon\u00edveis e colaborantes com as Dioceses. <\/p>\n<p>Qual o melhor caminho para subir \u00e0 montanha e ir ao encontro de Jesus? (Tiago Santos, Santa Joana &#8211; Aveiro)<\/p>\n<p>\u00c9 muito curiosa esta quest\u00e3o. Se me respaldar no Evangelho direi que o caminho para subir \u00e0 montanha \u00e9 sempre um caminho estreito e \u00edngreme, mas tamb\u00e9m entusiasmante e feliz. As refer\u00eancias b\u00edblicas \u00e0 montanha s\u00e3o muitas. A montanha \u00e9 para o Povo de Israel o lugar por excel\u00eancia do encontro com Deus. \u00c9 o lugar da Presen\u00e7a, da Palavra e da Profecia. Na vida de Jesus encontramos a montanha do Tabor, das Bem-aventuran\u00e7as, do Calv\u00e1rio e da Ascens\u00e3o. <\/p>\n<p>Cada montanha tem o seu fasc\u00ednio e de cada encontro com Jesus ressalta uma mensagem a acolher, a rezar e a viver. Sei que a pergunta usa a montanha apenas como imagem, como met\u00e1fora ou at\u00e9 como par\u00e1bola. Na procura de Jesus e neste encontro com Ele h\u00e1 um caminho para cada um de n\u00f3s, para cada comunidade crist\u00e3 e para a Igreja: \u00e9 sempre um caminho de disc\u00edpulo: Vinde e vede; Vem e segue-Me; Quem quiser ser meu disc\u00edpulo, tome a sua cruz e siga-Me; Vinde a mim todos v\u00f3s que andais sobrecarregados e eu vos aliviarei, porque sou manso e humilde de cora\u00e7\u00e3o; Felizes sereis (segundo o belo e t\u00e3o necess\u00e1rio Serm\u00e3o da Montanha das Bem-aventuran\u00e7as); Vinde benditos de Meu Pai e tantos outros convites por Jesus deixados como sinaliza\u00e7\u00e3o deste caminho a percorrer para ir ao seu encontro.<\/p>\n<p>A montanha lembra-nos que somos peregrinos, com necessidade de nos despojarmos do peso de muitas bagagens que retardam tantas vezes o avan\u00e7o no caminho e na escalada. O peregrino olha mais al\u00e9m e v\u00ea mais longe. \u00c9 essa a miss\u00e3o do disc\u00edpulo de Jesus. E aqui se encontra tamb\u00e9m o lugar e a miss\u00e3o do bispo e pastor: ser disc\u00edpulo de Jesus, o Mestre e Bom Pastor e ser guia e condutor do seu povo que \u00e9 a Igreja que lhe foi confiada para servir.<\/p>\n<p>Sei, e sabemos todos, que neste caminhar n\u00e3o vamos s\u00f3s. Caminhamos e avan\u00e7amos juntos. Este caminhar de uma Igreja peregrina, em estado permanente de miss\u00e3o, \u00e9 tamb\u00e9m o nosso conforto e est\u00edmulo. E neste caminhar em Igreja sabemo-nos inseridos como fermento na sociedade de quem partilhamos alegrias e esperan\u00e7as, dores e tristezas e que ser\u00e1 tanto mais uma sociedade nova quanto mais conhecer a beleza de Deus e viver as bem-aventuran\u00e7as que Jesus o seu Filho nos trouxe.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De alguma forma assinalando os cinco anos de D. Ant\u00f3nio Francisco como Bispo de Aveiro (8-12-2006 &#8211; 2011), o Correio do Vouga pediu aos seus leitores que formulassem perguntas ao Bispo de Aveiro. Sugiram 28 quest\u00f5es, algumas focando os mesmos assuntos, de dez pessoas. 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