{"id":18974,"date":"2012-01-11T14:40:00","date_gmt":"2012-01-11T14:40:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=18974"},"modified":"2012-01-11T14:40:00","modified_gmt":"2012-01-11T14:40:00","slug":"temos-de-ser-responsaveis-ante-a-criacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/temos-de-ser-responsaveis-ante-a-criacao\/","title":{"rendered":"Temos de ser respons\u00e1veis ante a Cria\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Aben\u00e7oando-os, Deus disse-lhes: <\/p>\n<p>Crescei e multiplicai-vos, enchei e dominai a terra. Dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves do c\u00e9u e sobre todos os animais que se movem na terra. <\/p>\n<p>\u2026Deus disse: <\/p>\n<p>Tamb\u00e9m vos dou todas as ervas com sementes que existem \u00e0 superf\u00edcie da terra, assim como todas as \u00e1rvores de fruto com semente, para que vos sirvam de alimento\u2026. <\/p>\n<p>\u2026Deus vendo toda a sua obra, considerou-a muito boa\u201d (Gn 1). <\/p>\n<p>Se a liga\u00e7\u00e3o entre a Cria\u00e7\u00e3o, a Justi\u00e7a e a Paz n\u00e3o for, porventura, clara, para alguns de n\u00f3s, o pr\u00f3prio Papa Bento XVI, num encontro realizado no passado m\u00eas de Novembro, no \u00e2mbito de uma iniciativa da funda\u00e7\u00e3o italiana \u201cIrm\u00e3 Natureza\u201d, em que estiveram presentes cerca de 7000 jovens, alerta: <\/p>\n<p>\u201cSe o homem se esquece de ser colaborador de Deus no seu trabalho, pode causar viol\u00eancia \u00e0s coisas criadas e provocar estragos que t\u00eam sempre consequ\u00eancias negativas, inclusive sobre o homem\u201d. <\/p>\n<p>\u201c\u00c9 j\u00e1 evidente que n\u00e3o existe um bom futuro para a humanidade sobre a terra se n\u00e3o nos educamos todos num estilo de vida mais respons\u00e1vel ante a Cria\u00e7\u00e3o\u201d, que se \u201caprende antes de tudo na fam\u00edlia e na escola\u201d. <\/p>\n<p>De facto, o respeito pela Cria\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o o uso desenfreado dos bens que Deus nos legou, asseguraria o equil\u00edbrio e a sustentabilidade da Terra, bem como uma distribui\u00e7\u00e3o justa da sua riqueza. Atualmente, o consumo de recursos naturais ultrapassa em 20%, por ano, a capacidade do Planeta para a sua regenera\u00e7\u00e3o. Por exemplo, a disponibilidade de \u00e1gua pot\u00e1vel passou de 17.000 metros c\u00fabicos per capita em 1950, para os atuais 7.000 metros c\u00fabicos. O estado do Planeta Terra, e da Cria\u00e7\u00e3o, neste in\u00edcio de mil\u00e9nio, est\u00e1 relacionado com o desenvolvimento do mundo ocidental desde a revolu\u00e7\u00e3o industrial, e reflete desequil\u00edbrios marcados entre regi\u00f5es do nosso Planeta, com excesso de consumo (n\u00e3o somos n\u00f3s uma sociedade de consumo?) por um lado, e pobreza extrema pelo outro. Apenas cerca de 30% da popula\u00e7\u00e3o mundial consegue assegurar as suas necessidades b\u00e1sicas, ocorrendo 86% do total de compras nos pa\u00edses \u201cricos\u201d. \u00c0 ilus\u00e3o de bem-estar criada pelos elevados n\u00edveis de consumo, est\u00e3o associados novos problemas da nossa sociedade, tais como altos n\u00edveis de obesidade, d\u00edvidas pessoais e menos tempo livre. <\/p>\n<p>Por outro lado, a estrutura socioecon\u00f3mica dos pa\u00edses industrializados, ditos desenvolvidos ou em vias de desenvolvimento, se adotada pelos pa\u00edses mais pobres, poder\u00e1 ser catastr\u00f3fica para o Planeta. Pense-se no crescimento veloz da China e da \u00cdndia, baseado nos mesmos par\u00e2metros de consumo que nos regeram durante o s\u00e9culo XX. Onde est\u00e1 o cuidado e o respeito pela Cria\u00e7\u00e3o? Continuamos a aprofundar o fosso entre os ditos \u201cricos\u201d e os ditos \u201cpobres\u201d? Qual a justi\u00e7a no uso dos bens que Deus deixou a todos? Como garantir a justi\u00e7a e a paz no uso em caridade dos recursos? <\/p>\n<p>Vinte anos depois da Cimeira da Terra vai realizar-se em Junho de 2012, no Rio de Janeiro, a Cimeira Rio+20, organizada pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU). No atual contexto de crise financeira, e de reflex\u00e3o sobre o tipo de desenvolvimento que a humanidade pretende e precisa, esta cimeira dever\u00e1, \u00e0 semelhan\u00e7a do not\u00e1vel marco da anterior Rio\u201992, que resultou na implementa\u00e7\u00e3o de diversas conven\u00e7\u00f5es mundiais fundamentais, relembre-se a Conven\u00e7\u00e3o Quadro sobre as Altera\u00e7\u00f5es Clim\u00e1ticas, ou a Conven\u00e7\u00e3o para a Biodiversidade, ser tamb\u00e9m um marco que estabelecer\u00e1 e guiar\u00e1 o futuro do nosso Planeta no s\u00e9culo XXI, combinando efici\u00eancia econ\u00f3mica, com justi\u00e7a social e o futuro ecol\u00f3gico do planeta. Tal n\u00e3o ser\u00e1 mais do que assumir e p\u00f4r em pr\u00e1tica o conceito de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel, proposto por Gro Brutland no livro \u201cO Nosso Futuro Comum\u201d, em 1987. Mas, como dizia Jo\u00e3o Paulo II, \u201c\u00e9 necess\u00e1rio que, duma vez por todas, o homem d\u00ea uma volta de mentalidade de 180 graus. O homem deve aprender a respeitar a vida e construir uma morada digna de toda a fam\u00edlia humana. Ter cuidado da Terra \u00e9 para o homem uma obriga\u00e7\u00e3o moral\u201d. Se subjacente \u00e0 mudan\u00e7a de paradigma de desenvolvimento estiver, pois, o respeito pela Cria\u00e7\u00e3o, estaremos no bom caminho. <\/p>\n<p>Todavia, n\u00e3o pensemos n\u00f3s que estas s\u00e3o quest\u00f5es demasiado grandes e que n\u00e3o podemos fazer nada, nem para elas temos contribu\u00eddo. N\u00e3o \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o atual do mundo ocidental o resultado do nosso tipo de vida, em que o importante \u00e9 Ter e n\u00e3o Ser? Ser\u00e1 que ao deixar uma luz acesa, sem necessidade, nos lembramos que estamos a usufruir descuidadamente da Cria\u00e7\u00e3o, consumindo recursos e poluindo? E o par de sapatos que compr\u00e1mos sem precisar? E a comida que continua, apesar da crise, a ir para o lixo? Estamos a educar os nossos filhos na e para a sobriedade? Talvez este per\u00edodo de dificuldade nos fa\u00e7a valorizar de novo os bens que o Senhor nos deixou. Talvez os domingos deixem de ser uma ida ao centro comercial para passarem a incluir um passeio ao jardim\/parque\/bosque mais pr\u00f3ximo. <\/p>\n<p>Precisamos de nos reaproximar da Natureza, de voltar a sentir o dom imenso duma flor a desabrochar, de ser felizes com um c\u00e9u cheio de estrelas\u2026 Talvez a\u00ed possamos dizer como S. Francisco: <\/p>\n<p>\u201cLouvado sejas, meu Senhor, pela irm\u00e3 nossa m\u00e3e terra, que nos sustenta e governa, e produz diversos frutos com coloridas flores e relva\u201d. <\/p>\n<p>Isabel Miranda <\/p>\n<p>Comiss\u00e3o Diocesana Justi\u00e7a e Paz de Aveiro<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aben\u00e7oando-os, Deus disse-lhes: Crescei e multiplicai-vos, enchei e dominai a terra. 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