{"id":18976,"date":"2012-01-11T14:41:00","date_gmt":"2012-01-11T14:41:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=18976"},"modified":"2012-01-11T14:41:00","modified_gmt":"2012-01-11T14:41:00","slug":"acontecimento-desejado-e-esperado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/acontecimento-desejado-e-esperado\/","title":{"rendered":"Acontecimento desejado e esperado"},"content":{"rendered":"<p>O Concilio Vaticano II foi, no s\u00e9culo XX, o maior acontecimento da hist\u00f3ria da Igreja. Passados cinquenta anos, \u00e9 importante voltar atr\u00e1s, ver o que, ent\u00e3o, se passou, avaliar os avan\u00e7os alcan\u00e7ados e, ao mesmo tempo, tentar perceber porque muitas orienta\u00e7\u00f5es conciliares est\u00e3o por cumprir, e se nota um lament\u00e1vel retrocesso em alguns campos pastorais importantes e concretos.<\/p>\n<p>Soube-se que Pio XII j\u00e1 tinha pensado em convocar um conc\u00edlio. Por\u00e9m, os influentes da C\u00faria Romana, que depois se vieram a mostrar como trav\u00f5es nos trabalhos conciliares, levaram-no a desistir desse intento. As raz\u00f5es ent\u00e3o aduzidas, traduzem-se nestes pontos: um conc\u00edlio n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio, s\u00f3 viria trazer problemas \u00e0 Igreja, muitas coisas controladas agora, se tornariam incontrol\u00e1veis, pela dificuldade de se conseguir uma vis\u00e3o comum com bispos vindos de todo o mundo\u2026<\/p>\n<p>A experi\u00eancia romana era, fundamentalmente, administrativa, e os problemas mais  urgentes, de ordem pastoral, passavam-lhe ao lado. Jo\u00e3o XXIII surge inesperadamente. N\u00e3o era o candidato desejado para o prest\u00edgio da Igreja. Logo foi considerado um papa de transi\u00e7\u00e3o dada a sua idade, pelo facto de n\u00e3o ser romano e ter passado muitos anos da sua vida fora da It\u00e1lia\u2026 Mal se pensava que todas as raz\u00f5es para um pontificado, curto e an\u00f3dino, seriam determinantes para um pontificado marcante, na hist\u00f3ria da Igreja e nas rela\u00e7\u00f5es desta com o mundo.<\/p>\n<p>A Igreja recebera um safan\u00e3o renovador com o Conc\u00edlio de Trento, realizado em 1545, como resposta \u00e0 Reforma protestante e a uma situa\u00e7\u00e3o ca\u00f3tica em que havia mergulhado a cristandade. Foi, por isso, o conc\u00edlio da Contra-Reforma e da procura de solu\u00e7\u00f5es para problemas graves da Igreja. A partir dele se fortaleceu a Igreja e o poder do Papa, se determinaram caminhos para a forma\u00e7\u00e3o do clero, se institu\u00edram os Semin\u00e1rios, se procurou a liberta\u00e7\u00e3o do poder feudal e pol\u00edtico, se programou uma catequese sistem\u00e1tica a n\u00edvel universal. A Igreja viveu, assim, quatro s\u00e9culos sob a for\u00e7a renovadora de Trento.<\/p>\n<p>Por outro lado, desde algumas dezenas de anos de antes do Vaticano II, haviam nascido e se desenvolveram os movimentos b\u00edblico, lit\u00fargico, ecum\u00e9nico e o pensamento teol\u00f3gico contou com o trabalho de te\u00f3logos de grande m\u00e9rito. Iniciativas novas e corajosas haviam surgido, como as primeiras enc\u00edclicas sobre a Doutrina Social da Igreja. Acordara-se para o lugar do Esp\u00edrito Santo na comunidade eclesial. A Ac\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica Oper\u00e1ria, a Miss\u00e3o de Paris, a Miss\u00e3o de Fran\u00e7a, o movimento dos padres oper\u00e1rios foram fermento forte para levedar a massa amorfa.  A partir de Roma, o Movimento por um Mundo Melhor com o Padre Lombardi, teve acolhimento geral. Este surto inovador n\u00e3o se processou com favores e apoios. Pelo contr\u00e1rio, sempre foi visto, por alguns sectores da C\u00faria Romana, com uma suspei\u00e7\u00e3o que gerou dificuldades e provocou algumas interven\u00e7\u00f5es, impeditivas de qualquer renova\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>As enc\u00edclicas de Pio XII sobre o Corpo M\u00edstico e a Liturgia deram, tamb\u00e9m,  um contributo positivo para os trabalhos conciliares. O que faltava, ainda, em muitos respons\u00e1veis da Igreja e nas suas estruturas cimeiras, era a sensibilidade \u00e0 nova realidade, quer da pr\u00f3pria Igreja, quer da sociedade, e \u00e0 caminhada impar\u00e1vel de um mundo novo, com novos problemas e novos e irrevers\u00edveis desafios \u00e0 a\u00e7\u00e3o pastoral e apost\u00f3lica. O novo Papa trazia consigo essa sensibilidade, fruto da sua experi\u00eancia como n\u00fancio apost\u00f3lico na Bulg\u00e1ria e em Fran\u00e7a, e, finalmente, como bispo na cosmopolita cidade e diocese de Veneza. Ao mesmo tempo, incarnava as preocupa\u00e7\u00f5es por um novo rosto e modo de agir da Igreja, que lhe permitisse realizar a sua miss\u00e3o evangelizadora. <\/p>\n<p>A proclama\u00e7\u00e3o de um conc\u00edlio ecum\u00e9nico parecia ser o caminho necess\u00e1rio e urgente. Menos de quatro meses depois da sua elei\u00e7\u00e3o, na Bas\u00edlica de S. Paulo Fora de Muros, Jo\u00e3o XXIII d\u00e1 a conhecer, sem aviso pr\u00e9vio, a sua decis\u00e3o de convocar um conc\u00edlio. Conta ele mesmo, no seu di\u00e1rio pessoal, que, ao faz\u00ea-lo, se sentiu impelido por uma for\u00e7a interior irresist\u00edvel, mas sem se aperceber dos problemas que tal facto podia significar. Numa noite de ins\u00f3nia na qual sentiu, em catadupa, todas as dificuldades originadas pelo seu gesto e decis\u00e3o, o sono voltou quando ele disse, com o seu bom humor: \u201c Mas n\u00e3o \u00e9 o Esp\u00edrito Santo que governa a Igreja? Ent\u00e3o, dorme Jo\u00e3o\u201d. A Igreja precisava, assim, de um Papa simples, verdadeiro crente, corajoso e capaz de romper muros. E Deus deu-lhe esse Papa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Concilio Vaticano II foi, no s\u00e9culo XX, o maior acontecimento da hist\u00f3ria da Igreja. 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