{"id":18977,"date":"2012-01-18T14:34:00","date_gmt":"2012-01-18T14:34:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=18977"},"modified":"2012-01-18T14:34:00","modified_gmt":"2012-01-18T14:34:00","slug":"a-verdade-das-palavras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/a-verdade-das-palavras\/","title":{"rendered":"A verdade das palavras"},"content":{"rendered":"<p>As palavras t\u00eam um conte\u00fado, um sentido, sob pena de n\u00e3o cumprirem a sua fun\u00e7\u00e3o de canal de comunica\u00e7\u00e3o. Sentido que pode ser recriado sob m\u00faltiplas formas, sem deixar nunca de ter subjacente um referente, que permitir\u00e1 ao receptor interpretar o pensamento do emissor.<\/p>\n<p>Vem isto a prop\u00f3sito da express\u00e3o Comunidade Internacional. Diz-se que a Comunidade Internacional deve apoiar isto ou aquilo, que n\u00e3o pode ficar indiferente em rela\u00e7\u00e3o a situa\u00e7\u00f5es concretas, que tem obriga\u00e7\u00e3o de intervir em circunst\u00e2ncias espec\u00edficas\u2026<\/p>\n<p>Mas, afinal, o que \u00e9, o que faz, quem coordena\u2026 essa Comunidade Internacional? O que tem de verdade de coopera\u00e7\u00e3o, de interc\u00e2mbio, de comunh\u00e3o? Por onde passam as fronteiras da sua internacionalidade?&#8230;<\/p>\n<p>Apela-se a ela para intervir na L\u00edbia. E uns tantos pa\u00edses concertam uma interven\u00e7\u00e3o militar para ajudar a derrubar um ditador. Depois, fica um povo \u00e0 merc\u00ea de quem, sujeito a que interesses, com refer\u00eancias solid\u00e1rias com que consist\u00eancia? Uma alian\u00e7a militar programa uma invas\u00e3o em nome da defesa da humanidade. Movida por que reais interesses, submetida a que objectivos? Destacam-se contingentes para \u201cmanter a paz\u201d entre nacionalismos recentes. Criam-se miss\u00f5es para refrear guerras civis. Perpetuam-se presen\u00e7as: para salvaguardar a seguran\u00e7a e o progresso das popula\u00e7\u00f5es?<\/p>\n<p>Fica, quase sempre, a impress\u00e3o de que h\u00e1 intervenientes, em nome dessa Comunidade Internacional, apenas veios de transmiss\u00e3o de ideologias, de radicalismos religiosos, sobretudo de interesses financeiros.<\/p>\n<p>Aquelas organiza\u00e7\u00f5es que procuram minimizar cat\u00e1strofes humanit\u00e1rias, envolver as popula\u00e7\u00f5es desfavorecidas na busca da sua autonomia, pela educa\u00e7\u00e3o, pela implementa\u00e7\u00e3o de estruturas b\u00e1sicas que confiram patamares de vida dignos\u2026 t\u00eam sempre dificuldades de recursos, humanos e materiais, em detrimento dos arsenais militares, a viver do subdesenvolvimento, da desumanidade dos povos.<\/p>\n<p>Pretextos \u00e9tnicos e religiosos s\u00e3o, n\u00e3o raras vezes, o f\u00f3sforo que incendeia as regi\u00f5es. Ergue-se o \u00f3dio entre vizinhos, porque \u00e9 mais f\u00e1cil ter na m\u00e3o os desentendidos!<\/p>\n<p>Ser\u00e1 dif\u00edcil conciliar uma Comunidade Internacional com as leg\u00edtimas soberanias nacionais. O mundo \u00e9 um mosaico de culturas, ra\u00e7as, religi\u00f5es, projectos sociais e pol\u00edticos. Mas n\u00e3o haver\u00e1 modo de instituir um conjunto sum\u00e1rio de princ\u00edpios, que ergam a pessoa humana como o ponto de partida para toda a org\u00e2nica e estrutura social? Um conjunto de regras, que submetam a finan\u00e7a ao servi\u00e7o da pessoa e de todas as pessoas? E ent\u00e3o sim, algumas estruturas m\u00ednimas, reconhecidas pelas suas \u201cm\u00e3os limpas\u201d, para moderar e concertar a diversidade de interesses? <\/p>\n<p>Ent\u00e3o, talvez se possa come\u00e7ar a falar de Comunidade Internacional, sem se confundir com o poderio e a gan\u00e2ncia de alguns, armados em tutores de todos os outros. Urge a verdade das palavras!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As palavras t\u00eam um conte\u00fado, um sentido, sob pena de n\u00e3o cumprirem a sua fun\u00e7\u00e3o de canal de comunica\u00e7\u00e3o. Sentido que pode ser recriado sob m\u00faltiplas formas, sem deixar nunca de ter subjacente um referente, que permitir\u00e1 ao receptor interpretar o pensamento do emissor. Vem isto a prop\u00f3sito da express\u00e3o Comunidade Internacional. 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