{"id":19002,"date":"2012-01-18T15:27:00","date_gmt":"2012-01-18T15:27:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=19002"},"modified":"2012-01-18T15:27:00","modified_gmt":"2012-01-18T15:27:00","slug":"os-ossos-e-os-seus-males","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/os-ossos-e-os-seus-males\/","title":{"rendered":"Os ossos e os seus males"},"content":{"rendered":"<p>Sa\u00fade <!--more--> Mais de 100 mil portugueses sofrem de doen\u00e7as relacionadas com os ossos, mas sabia que \u00e9 errado dizer que d\u00f3i este ou aquele osso? O que fazer para ter ossos fortes e saud\u00e1veis? A estas e outras quest\u00f5es sobre os ossos, responde o m\u00e9dico Jos\u00e9 Carlos A. Costa.<\/p>\n<p>Ossos. O que s\u00e3o?<\/p>\n<p>O esqueleto humano integra 206 ossos, constitu\u00eddos por duas importantes c\u00e9lulas: os osteoblastos e os osteoclastos. Os osteoblastos promovem a deposi\u00e7\u00e3o do mineral fosfato de c\u00e1lcio na rede proteica do osso, enquanto os osteoclastos retiram o mineral do osso. O crescimento do tecido \u00f3sseo resulta do equil\u00edbrio entre a atividade destas duas c\u00e9lulas. A din\u00e2mica destas c\u00e9lulas \u00e9 controlada por hormonas segregadas pelas gl\u00e2ndulas da hip\u00f3fise, suprarrenais, tiroide e gl\u00e2ndulas sexuais. As hormonas produzidas por estas gl\u00e2ndulas mant\u00eam o n\u00edvel de c\u00e1lcio no sangue dentro de estreitos limites (9 a 11 mg\/dl) e nos ossos o equivalente ao necess\u00e1rio. A diminui\u00e7\u00e3o destes valores abaixo do n\u00edvel normal compromete a fun\u00e7\u00e3o dos tecidos nervosos e m\u00fasculos. Os ossos est\u00e3o revestidos por uma membrana chamada peri\u00f3steo.<\/p>\n<p>Para que servem?<\/p>\n<p>Os ossos est\u00e3o articulados por estruturas m\u00f3veis (articula\u00e7\u00f5es), estando todos ligados entre si atrav\u00e9s de ligamentos, tend\u00f5es e m\u00fasculos. O osso \u00e9 o tecido mais duro do corpo humano. N\u00e3o tem sensibilidade \u00e0 dor. Por isso, \u00e9 errado dizer-se que d\u00f3i este ou aquele osso. Qualquer sensa\u00e7\u00e3o prov\u00e9m dos nervos peri\u00f3sticos e de outros tecidos moles e n\u00e3o do osso. Para al\u00e9m de constitu\u00edrem a estrutura r\u00edgida do corpo humano e de proteger alguns \u00f3rg\u00e3os (cora\u00e7\u00e3o, pulm\u00f5es, c\u00e9rebro, espinal medula, \u00fatero e rins), quando associados aos m\u00fasculos, proporcionam a execu\u00e7\u00e3o de movimentos e garantem a sustenta\u00e7\u00e3o de todo o corpo. Com as articula\u00e7\u00f5es, os ossos formam o aparelho locomotor. S\u00e3o produtores de c\u00e9lulas sangu\u00edneas importantes e funcionam como dep\u00f3sito de minerais, nomeadamente do c\u00e1lcio e magn\u00e9sio. <\/p>\n<p>Porque \u00e9 que adoecem <\/p>\n<p>os ossos?<\/p>\n<p>Os ossos iniciam o seu crescimento no embri\u00e3o, a partir da quinta ou sexta semanas de gesta\u00e7\u00e3o, sob a forma de cartilagem. Esta cartilagem \u00e9 substitu\u00edda por osso, atrav\u00e9s de um processo chamado ossifica\u00e7\u00e3o (processo biol\u00f3gico por meio do qual o osso se forma, se renova e se regenera), que come\u00e7a no embri\u00e3o e continua por toda a vida. <\/p>\n<p>O tecido \u00f3sseo n\u00e3o \u00e9 est\u00e1tico, mas din\u00e2mico. Tem um dinamismo constante e permanente, quer na produ\u00e7\u00e3o de c\u00e9lulas sangu\u00edneas, como j\u00e1 foi referido, quer na rece\u00e7\u00e3o e fixa\u00e7\u00e3o de c\u00e1lcio e de outros minerais. O c\u00e1lcio, assim como os demais minerais constituintes do osso, entram e saem dos ossos permanentemente. Em situa\u00e7\u00e3o normal, a quantidade de c\u00e1lcio que retorna ao sangue dever\u00e1 ser inferior \u00e0 quantidade que entra nos ossos. O c\u00e1lcio que entra nos ossos tem como principal objetivo repor os gastos, reparar as perdas e nivelar os valores, contando, para isso, com a participa\u00e7\u00e3o ativa das c\u00e9lulas respons\u00e1veis pelo dep\u00f3sito, armazenamento e fixa\u00e7\u00e3o deste mineral: os osteoblastos. Quando a perda \u00e9 superior ao c\u00e1lcio depositado, o osso enfraquece, definha e adoece. Altura para se olhar com maior aten\u00e7\u00e3o para o mecanismo respons\u00e1vel pela elimina\u00e7\u00e3o do c\u00e1lcio da massa \u00f3ssea: os osteoclastos. Estas c\u00e9lulas constituintes do tecido \u00f3sseo entram em disfun\u00e7\u00e3o (desregulam-se), quando existe um descontrolo hormonal, principalmente daquelas que t\u00eam um papel fundamental no aproveitamento e fixa\u00e7\u00e3o do c\u00e1lcio, nomeadamente os estrog\u00e9nios e testosterona.<\/p>\n<p>Como se alimentam <\/p>\n<p>os ossos?<\/p>\n<p>O tecido \u00f3sseo, \u00e0 semelhan\u00e7a dos demais tecidos do corpo humano, necessita de uma eficiente rede circulat\u00f3ria que garanta a irriga\u00e7\u00e3o (sangu\u00ednea e linf\u00e1tica) total e permanente de todas as c\u00e9lulas do organismo. Os nutrientes necess\u00e1rios \u00e0 constru\u00e7\u00e3o e preserva\u00e7\u00e3o da sa\u00fade dos ossos prov\u00eam dos alimentos ingeridos, absorvidos, lan\u00e7ados no plasma e transportados pela corrente sangu\u00ednea e linf\u00e1tica at\u00e9 aos locais de destino. Este transporte s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel quando existe um sistema circulat\u00f3rio saud\u00e1vel, sem barreiras aterog\u00e9nicas (subst\u00e2ncias gordas, resultantes do excesso de colesterol) e isento de les\u00f5es vasculares (varizes e tromboflabites). Um tecido mal irrigado \u00e9 tamb\u00e9m mal nutrido. A subnutri\u00e7\u00e3o ou nutri\u00e7\u00e3o deficiente \u00e9 caminho para se obterem doen\u00e7as ou situa\u00e7\u00f5es an\u00f3malas.<\/p>\n<p>O sinal vis\u00edvel mais frequente de alerta para anomalias vasculares com influ\u00eancia na sa\u00fade dos ossos \u00e9 o edema articular (dilata\u00e7\u00e3o dos tecidos moles da articula\u00e7\u00e3o). Os edemas significam congestionamento e tumefa\u00e7\u00e3o tecidual localizada, denunciando situa\u00e7\u00f5es de inflama\u00e7\u00e3o. Estas inflama\u00e7\u00f5es s\u00e3o muitas vezes iniciadas no sistema circulat\u00f3rio intr\u00ednseco ao osso (rede vascular do interior do osso) ou noutro(s) vaso(s) da rede geral, com influ\u00eancia direta na regi\u00e3o (articula\u00e7\u00e3o) afetada. Alguns tipos de edemas, devido \u00e0 patologia (doen\u00e7a\/anomalia) associada, poder\u00e3o evidenciar sinais reveladores de deforma\u00e7\u00e3o da estrutura articular afetada. Estes sintomas s\u00e3o quase sempre acompanhados de maior dificuldade na execu\u00e7\u00e3o de movimentos, s\u00e3o sinais de alerta para a pessoa intervir e pedir ajuda.<\/p>\n<p>Quais as doen\u00e7as<\/p>\n<p>reum\u00e1ticas <\/p>\n<p>mais recorrentes?<\/p>\n<p>As doen\u00e7as do foro reumatol\u00f3gico de maior incid\u00eancia na popula\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea s\u00e3o as doen\u00e7as e altera\u00e7\u00f5es funcionais do sistema m\u00fasculoesquel\u00e9tico de causa n\u00e3o traum\u00e1tica, onde se incluem as doen\u00e7as inflamat\u00f3rias do tecido conjuntivo e dos vasos, as doen\u00e7as degenerativas (localizadas nas articula\u00e7\u00f5es perif\u00e9ricas e da coluna vertebral), as altera\u00e7\u00f5es metab\u00f3licas (\u00f3sseas e articulares) e as altera\u00e7\u00f5es dos tecidos moles periarticulares. <\/p>\n<p>As doen\u00e7as reum\u00e1ticas mais incomodativas s\u00e3o aquelas que originam as s\u00edndromes dolorosas localizadas. Tais doen\u00e7as poder\u00e3o ser agudas, recorrentes ou cr\u00f3nicas e atingem pessoas de todas as idades. S\u00e3o causa frequente de incapacidade e, quando n\u00e3o identificadas ou tratadas atempada e corretamente, podem proporcionar graves e indesej\u00e1veis repercuss\u00f5es f\u00edsicas, psicol\u00f3gicas, familiares, sociais e econ\u00f3micas. Constituem a primeira causa de reforma antecipada por doen\u00e7a. <\/p>\n<p>Existem mais de uma centena de doen\u00e7as reum\u00e1ticas, incluindo as doen\u00e7as periarticulares dos tecidos moles das articula\u00e7\u00f5es, as osteoartroses, as raquialgias (dor na coluna vertebral), gota \u00farica, as osteoartrites t\u00edpicas da coluna cervical, ombros e m\u00e3os, as espondilartrires anquilosantes e demais artrites reativas frequentes nas articula\u00e7\u00f5es da coluna tor\u00e1cica e lombar, as osteoartroses comuns das articula\u00e7\u00f5es dos joelhos e cabe\u00e7a do f\u00e9mur, as fibromialgias dos tend\u00f5es e m\u00fasculos, as doen\u00e7as reum\u00e1ticas sist\u00e9micas, as tendinites, nevralgias, a osteoporose (perda irrevers\u00edvel de massa \u00f3ssea) e a doen\u00e7a reum\u00e1tica inflamat\u00f3ria cr\u00f3nica. Estas patologias exigem maior controlo e rigor terap\u00eautico, sabendo que a melhor terapia para o reumatismo \u00e9 a preven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Como se manifestam<\/p>\n<p>as doen\u00e7as reum\u00e1ticas?<\/p>\n<p>As formas mais comuns de manifesta\u00e7\u00e3o das doen\u00e7as de \u00edndole reumatismal s\u00e3o a dor, a tumefa\u00e7\u00e3o (aumento de volume, incha\u00e7o\/edema patol\u00f3gico, provocado por um processo inflamat\u00f3rio) e a limita\u00e7\u00e3o da mobilidade. Estes sinais e\/ou sintomas dever\u00e3o ser avaliados imediatamente ap\u00f3s o seu aparecimento, porque quanto mais cedo se iniciar a terap\u00eautica adequada, maior ser\u00e1 a efic\u00e1cia do tratamento, no abrandamento da dor, na redu\u00e7\u00e3o da incapacidade, na obten\u00e7\u00e3o da melhoria do bem-estar f\u00edsico e da qualidade de vida da pessoa doente.<\/p>\n<p>Como conseguir <\/p>\n<p>ossos fortes <\/p>\n<p>e saud\u00e1veis?<\/p>\n<p>O exerc\u00edcio f\u00edsico, quando executado corretamente e de forma ajustada \u00e0 situa\u00e7\u00e3o concreta \u00e9 o melhor meio para prevenir e\/ou tratar a maior parte das doen\u00e7as reum\u00e1ticas. A efic\u00e1cia do exerc\u00edcio f\u00edsico, n\u00e3o est\u00e1 no esfor\u00e7o aplicado de forma abrupta e dessincronizada, intensa e prolongada, em experi\u00eancias realizadas durante alguns dias ou semanas, mas naquele que \u00e9 executado de forma suave, progressivo, continuado, tecnicamente bem executado e durante a vida toda. A pr\u00e1tica di\u00e1ria de exerc\u00edcio f\u00edsico ajuda a corrigir as deforma\u00e7\u00f5es desviantes da coluna vertebral, nomeadamente das cifoses, escolioses e lordoses. Pode tamb\u00e9m evitar as h\u00e9rnias discais ou ajud\u00e1-las a corrigir. O sedentarismo e a inatividade m\u00fasculo-esquel\u00e9tico-articular reduz a capacidade de mobilidade, diminui a irriga\u00e7\u00e3o e aumenta a rigidez dos m\u00fasculos e articula\u00e7\u00f5es.        <\/p>\n<p>A alimenta\u00e7\u00e3o \u00e9 outro meio para se conseguirem ossos fortes e saud\u00e1veis. Uma alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel e equilibrada consiste na proeza em reunir, na mesma refei\u00e7\u00e3o, os alimentos adequados \u00e0s necessidades do organismo, de modo a fornecer todos os nutrientes indispens\u00e1veis e em quantidades ajustadas a cada pessoa. Devem-se reduzir os alimentos proteicos (carne, peixe e feij\u00e3o) para se evitar as uricemias (n\u00edveis elevados de \u00e1cido \u00farico no sangue. Os valores normais s\u00e3o: 6mg\/100ml na mulher e 7mg\/100ml no homem) e aumentar os alimentos fornecedores de vitaminas e minerais, entre eles o c\u00e1lcio, magn\u00e9sio e as vitaminas A e D, cujas principais fontes s\u00e3o os alimentos l\u00e1cteos, ovos, fruta e vegetais verdes. A \u00e1gua \u00e9 muito importante para o tratamento dos ossos, conserva\u00e7\u00e3o da elasticidade e for\u00e7a muscular. \u00c9 muito importante tamb\u00e9m na depura\u00e7\u00e3o do sangue e  na elimina\u00e7\u00e3o do \u00e1cido \u00farico. Uma alimenta\u00e7\u00e3o carente de c\u00e1lcio potencia as desmineraliza\u00e7\u00f5es \u00f3sseas e o aparecimento de doen\u00e7as reum\u00e1ticas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sa\u00fade<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-19002","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-destaque"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19002","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19002"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19002\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19002"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19002"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19002"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}