{"id":19004,"date":"2012-01-18T15:31:00","date_gmt":"2012-01-18T15:31:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=19004"},"modified":"2012-01-18T15:31:00","modified_gmt":"2012-01-18T15:31:00","slug":"10-factos-do-vaticano-pouco-noticiados-em-2011","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/10-factos-do-vaticano-pouco-noticiados-em-2011\/","title":{"rendered":"10 factos do Vaticano pouco noticiados em 2011"},"content":{"rendered":"<p>Em 2011 houve not\u00edcias relativas \u00e0 Igreja Cat\u00f3lica e ao Vaticano que obtiveram amplo destaque na imprensa internacional. A beatifica\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o Paulo II foi uma delas. Outras foram claramente \u201csobrenoticiadas\u201d \u2013 como o s\u00e3o geralmente os esc\u00e2ndalos com figuras da Igreja. Mas h\u00e1 ainda uma terceira categoria de not\u00edcias: as que, sendo importantes, n\u00e3o obtiveram o devido espa\u00e7o na imprensa internacional. John L. Allen Jr., do seman\u00e1rio cat\u00f3lico norte-americano \u201cNational Catholic Reporter\u201d selecionou dez factos subnoticiados. Mois\u00e9s Sbardelotto traduziu.  J.P.F. adaptou.<\/p>\n<p>1. Scola para Mil\u00e3o<\/p>\n<p>O cardeal Angelo Scola, 70 anos, j\u00e1 era candidato papal antes da sua nomea\u00e7\u00e3o, no dia 28 de junho, para arcebispo de Mil\u00e3o. Durante o s\u00e9culo XX, dois papas foram eleitos de Mil\u00e3o, Pio XI e Paulo VI, e v\u00e1rios outros arcebispos de Mil\u00e3o foram considerados formid\u00e1veis concorrentes. Scola, oriundo do movimento Comunh\u00e3o e Liberta\u00e7\u00e3o, \u00e9 um feroz defensor da identidade cat\u00f3lica, mas prefere p\u00f4r o acento \u201cno que a Igreja \u00e9\u201d em vez de \u201ccontra quem ela \u00e9\u201d.<\/p>\n<p>2. \u00c1trio dos Gentios<\/p>\n<p>O \u201c\u00c1trio dos Gentios\u201d de 24 e 25 de mar\u00e7o, em Paris, foi um grande sucesso no mundo de l\u00edngua francesa. Organizado pelo Conselho Pontif\u00edcio para a Cultura, presidido pelo hipererudito cardeal italiano Gianfranco Ravasi, o encontro levou crist\u00e3os, ateus e agn\u00f3sticos a um s\u00e9rio di\u00e1logo. Um sinal do sucesso \u00e9 que o reputado fil\u00f3sofo agn\u00f3stico franc\u00eas Jean-Luc Ferry ficou t\u00e3o impressionado que pediu uma reuni\u00e3o urgente com Ravasi para propor uma colabora\u00e7\u00e3o a dois sobre o Evangelho de Jo\u00e3o. O encontro de Paris foi o primeiro de uma s\u00e9rie de \u201c\u00c1trio dos Gentios\u201d.<\/p>\n<p>3. Assis<\/p>\n<p>O encontro de 300 l\u00edderes religiosos na cidade natal de S\u00e3o Francisco, promovido por Bento XVI, no dia 27 de outubro, n\u00e3o atraiu um interesse semelhante ao que cercou a primeira c\u00fapula inter-religiosa promovida pelo Papa Jo\u00e3o Paulo II em 1986. No entanto, assinalar com um encontro inter-religioso o 25.\u00ba anivers\u00e1rio do evento de Jo\u00e3o Paulo II foi, sem d\u00favida, algo de extrema import\u00e2ncia pelo que simboliza: a convoca\u00e7\u00e3o dos l\u00edderes religiosos do mundo em prol da paz n\u00e3o era simplesmente um capricho pessoal de Jo\u00e3o Paulo II. Pelo contr\u00e1rio, tornou-se parte do trabalho do papado, algo que os futuros papas dever\u00e3o repetir.<\/p>\n<p>4. A viagem ao Benim<\/p>\n<p>Na aus\u00eancia de um novo tumulto em torno dos preservativos e da Sida, a viagem de Bento XVI ao Benim, nos dias 18 a 20 de novembro, n\u00e3o foi uma sensa\u00e7\u00e3o medi\u00e1tica. No entanto, os papas votam com os p\u00e9s, ou seja, as suas prioridades pastorais e geopol\u00edticas s\u00e3o muitas vezes reveladas pelos locais que escolhem para visitar. \u00c1frica \u00e9 o segundo continente mais visitado depois da Europa. Bento XVI apresentou um documento contendo as conclus\u00f5es de um S\u00ednodo dos Bispos para a \u00c1frica, de 2009, constituindo um plano papal para o continente onde o catolicismo cresceu quase 7.000% durante o s\u00e9culo XX, alertou para a corrup\u00e7\u00e3o e desafiou os bispos a arrumarem a sua pr\u00f3pria casa em termos de responsabilidade, transpar\u00eancia e bom governo. <\/p>\n<p>5. Vigan\u00f2 para os Estados Unidos<\/p>\n<p>A nomea\u00e7\u00e3o do dia 19 de outubro do arcebispo italiano Carlo Maria Vigan\u00f2 como o novo n\u00fancio ou embaixador papal para os Estados Unidos tem um significado negativo e outro positivo. Durante o seu per\u00edodo no governo da cidade do Vaticano, Vigan\u00f2 foi uma reformador financeiro, instaurando procedimentos eficientes de contabilidade entre os pequenos feudos independentes do Vaticano. No entanto, n\u00e3o terminou o que come\u00e7ou. O facto de estar agora nos EUA significa que est\u00e1 posicionado para ajudar os bispos norte-americanos a seguir em frente na boa gest\u00e3o do dinheiro, num momento em que se teme que os esc\u00e2ndalos financeiros possam tornar-se o segundo \u201cround\u201d da crise dos abusos sexuais enquanto fonte cr\u00f3nica de desordens.<\/p>\n<p>6. Tagle para Manila<\/p>\n<p>Assim como Mil\u00e3o na It\u00e1lia, Manila nas Filipinas \u00e9 mais uma daquelas megadioceses cujo l\u00edder se torna automaticamente um ponto de refer\u00eancia global e geralmente atrai pelo menos um olhar enquanto concorrente papal. S\u00f3 isso j\u00e1 tornaria importante a nomea\u00e7\u00e3o do arcebispo D. Luis Antonio Tagle, 54 anos, no dia 13 de outubro. Tagle \u00e9 conhecido como um talentoso te\u00f3logo, uma personalidade extremamente n\u00e3o clerical, um bom ouvinte e algu\u00e9m totalmente desinteressado pela constru\u00e7\u00e3o de imp\u00e9rios eclesiais \u2013  n\u00e3o muito diferente da reputa\u00e7\u00e3o de Joseph Ratzinger antes se eleito. Com a tenra idade de 54 anos, est\u00e1 posicionado para ser durante um bom tempo um grande rosto e voz do catolicismo asi\u00e1tico.<\/p>\n<p>7. A proeza de quatro volumes de Bento XVI<\/p>\n<p>Bento XVI \u00e9 um papa ensinante, um ponto que ficou muito claro nas suas 22 viagens ao exterior. Os observadores sabem que o grande momento de cada viagem provavelmente ocorrer\u00e1 num discurso para o \u201cmundo da cultura\u201d, com dignit\u00e1rios pol\u00edticos, intelectuais e espirituais. No dia 22 de setembro, no parlamento alem\u00e3o, aconteceu mais um desses momentos. O papel dos grupos religiosos numa democracia, afirmou o papa, n\u00e3o \u00e9 \u201cpropor uma lei revelada ao Estado e \u00e0 sociedade\u201d, mas sim sustentar a \u201cnatureza e a raz\u00e3o\u201d como fontes confi\u00e1veis de escolhas morais \u2013 incluindo o respeito pelo pluralismo e pela diversidade. A revista \u201cDer Spiegel\u201d disse que o discurso foi \u201ccorajoso\u201d e \u201cbrilhante\u201d, enquanto o jornal londrino de esquerda \u201cThe Guardian\u201d encorajou os \u201cverdes\u201d laicos a esquecer os estere\u00f3tipos do papa como \u201cum professor alem\u00e3o puritano e reprimido\u201d. Somado a discursos anteriores em Ratisbona (2006), no Coll\u00e8ge des Bernardins, em Paris (2008), e no Westminster Hall, em Londres (2010), o discurso no Bundestag completa uma proeza de reflex\u00e3o papal sobre a f\u00e9, a raz\u00e3o e a democracia em quatro volumes.<\/p>\n<p>8. O \u201cPapa dos agn\u00f3sticos\u201d<\/p>\n<p>O grupo que mais sentiu o amor de Bento XVI durante 2011 foi a multid\u00e3o secular agn\u00f3stica. Provavelmente, a maior manchete da sua viagem em setembro \u00e0 Alemanha foi o elogio de Bento XVI aos \u201cagn\u00f3sticos que (&#8230;) sofrem por causa dos nossos pecados e desejam um cora\u00e7\u00e3o puro\u201d. Essas pessoas, disse o pont\u00edfice, est\u00e3o, na verdade, \u201cmais perto do Reino de Deus do que os fi\u00e9is de \u2018rotina\u2019, que s\u00f3 veem o aparato da Igreja, sem que o seu cora\u00e7\u00e3o seja tocado pela f\u00e9\u201d. Da mesma forma, o sinal inovador de Bento XVI durante o encontro de Assis foi a sua decis\u00e3o de convidar n\u00e3o apenas l\u00edderes espirituais, mas tamb\u00e9m agn\u00f3sticos. Quem poderia prever que um pont\u00edfice que se supunha ser o \u201cRottweiler de Deus\u201d se tornaria o \u201cPapa dos agn\u00f3sticos\u201d?<\/p>\n<p>9. O caso do crucifixo<\/p>\n<p>Num desdobramento impressionante e totalmente inesperado, o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos (TEDH) reverteu em mar\u00e7o a sua pr\u00f3pria decis\u00e3o de 2009 e sustentou o direito de a It\u00e1lia exibir crucifixos em salas de aula p\u00fablicas. A decis\u00e3o significa que as express\u00f5es p\u00fablicas de cren\u00e7a religiosa foram consideradas como n\u00e3o conflituantes com as normas europeias dos direitos humanos e da liberdade de consci\u00eancia.  A imagem do advogado Joseph Weiler, judeu ortodoxo, de p\u00e9, na grande sala do TEDH com a sua kip\u00e1, defendendo apaixonadamente o direito da It\u00e1lia de manter o crucifixo na parede, encontra-se entre as partes mais memor\u00e1veis do imagin\u00e1rio inter-religioso do ano.<\/p>\n<p>10. A guerra global contra os crist\u00e3os<\/p>\n<p>O ano de 2011 come\u00e7ou com o bombardeamento de uma igreja crist\u00e3 em Alexandria, no Egito, que matou 23 pessoas, e encerrou com os ataques no dia de Natal contra tr\u00eas igrejas na Nig\u00e9ria, onde pelo menos 27 cat\u00f3licos morreram. Houve in\u00fameros ataques contra crist\u00e3os. Embora esses epis\u00f3dios tenham sido amplamente divulgados \u00e0 medida que ocorriam, foram geralmente interpretados como eventos localizados e isolados. No entanto, o que surge dessas atrocidades \u00e9 um retrato de uma guerra global contra os crist\u00e3os. Hoje, os crist\u00e3os s\u00e3o de longe o grupo religioso mais perseguido do planeta. Infelizmente, \u00e9 uma aposta segura que esta guerra continuar\u00e1 a ser uma das principais hist\u00f3rias de 2012.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 2011 houve not\u00edcias relativas \u00e0 Igreja Cat\u00f3lica e ao Vaticano que obtiveram amplo destaque na imprensa internacional. A beatifica\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o Paulo II foi uma delas. Outras foram claramente \u201csobrenoticiadas\u201d \u2013 como o s\u00e3o geralmente os esc\u00e2ndalos com figuras da Igreja. 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