{"id":19025,"date":"2012-01-18T16:03:00","date_gmt":"2012-01-18T16:03:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=19025"},"modified":"2012-01-18T16:03:00","modified_gmt":"2012-01-18T16:03:00","slug":"de-que-falamos-quando-falamos-de-crise","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/de-que-falamos-quando-falamos-de-crise\/","title":{"rendered":"De que falamos quando falamos de crise?"},"content":{"rendered":"<p>Mais do que uma palavra, \u201ccrise\u201d \u00e9 uma \u00e1rvore de significados urgentes e incessantes. O modo como hoje empregamos a palavra \u201ccrise\u201d vem muito pela via da medicina. Para Hip\u00f3crates e depois para Galiano, no s\u00e9culo segundo, o momento de crise \u00e9 aquele momento em que a doen\u00e7a se decide: ou nos precipita na morte ou nos encaminha para a recupera\u00e7\u00e3o. A crise \u00e9 assim o ponto de passagem, o n\u00f3 de viragem, o instante da transforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma defini\u00e7\u00e3o que aparece no l\u00e9xico universal de Ziegler, em 1737, onde este autor escreve: \u00abO homem que n\u00e3o passa por nenhuma crise n\u00e3o est\u00e1 capaz de julgar coisa nenhuma\u00bb. \u00c9 interessante que, tendo come\u00e7ado fundamentalmente no campo da medicina, para falar daquilo que acontece no corpo individual, este conceito da crise se tenha alastrado \u00e0 pr\u00f3pria sociedade, entendida ela como um organismo vivo. A sociedade tamb\u00e9m \u00e9 um corpo. Como comunidade, seja ela civil, cultural, eclesial, somos um corpo, somos um organismo vivo, somos interdependentes, n\u00e3o nos podemos descartar uns dos outros, nem nos descartarmos a n\u00f3s pr\u00f3prios. Nesse sentido, a crise \u00e9 uma esp\u00e9cie de marca da compreens\u00e3o do sujeito, uma assinatura humana, um observat\u00f3rio daquilo que somos. Antes de tudo, \u00e9 o crescimento humano que sup\u00f5e necess\u00e1rias ruturas e separa\u00e7\u00f5es, logo crises. A primeira e mais radical crise que cada pessoa vive \u00e9 o seu pr\u00f3prio nascimento.<\/p>\n<p>Momento mais do que nunca vital, mas tamb\u00e9m mais do que nunca cr\u00edtico, doloroso\u2026 E depois se pensarmos que o nascimento implica uma verdadeira e radical reconfigura\u00e7\u00e3o, pois o neonato imp\u00f5e a reestrutura\u00e7\u00e3o dos equil\u00edbrios no interior da fam\u00edlia. Chega mais um e tudo se altera, desde o espa\u00e7o f\u00edsico, \u00e0s rela\u00e7\u00f5es, \u00e0s rotinas, aos hor\u00e1rios, \u00e0s agendas.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m por isso n\u00e3o faz sentido alimentarmos uma vis\u00e3o puramente negativa da crise. Acolhamos a crise como um lugar de aprendizagem, como uma esp\u00e9cie de espelho, austero, mas um espelho, onde nos podemos reencontrar, para l\u00e1 das nossas ilus\u00f5es e das nossas subjetividades. A crise \u00e9 tamb\u00e9m uma chance, uma oportunidade, um momento favor\u00e1vel para a constru\u00e7\u00e3o, para o conhecimento e a reconfigura\u00e7\u00e3o do nosso mundo. Exterior e interior.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mais do que uma palavra, \u201ccrise\u201d \u00e9 uma \u00e1rvore de significados urgentes e incessantes. O modo como hoje empregamos a palavra \u201ccrise\u201d vem muito pela via da medicina. Para Hip\u00f3crates e depois para Galiano, no s\u00e9culo segundo, o momento de crise \u00e9 aquele momento em que a doen\u00e7a se decide: ou nos precipita na morte [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-19025","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19025","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19025"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19025\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19025"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19025"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19025"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}