{"id":19027,"date":"2012-01-18T16:04:00","date_gmt":"2012-01-18T16:04:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=19027"},"modified":"2012-01-18T16:04:00","modified_gmt":"2012-01-18T16:04:00","slug":"rumo-para-uma-renovacao-necessaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/rumo-para-uma-renovacao-necessaria\/","title":{"rendered":"Rumo para uma renova\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria"},"content":{"rendered":"<p>Logo de in\u00edcio, e na prepara\u00e7\u00e3o do Conc\u00edlio, falou-se da necessidade de um novo rosto da Igreja, de uma Igreja de janelas abertas, para que nela possa correr ar fresco. Seria como que um rosto lavado das muitas lamas do tempo, um rosto rejuvenescido, que outro n\u00e3o podia ser sen\u00e3o o rosto de Cristo. Foi neste sentido que, segundo o prop\u00f3sito de Jo\u00e3o XXIII, o Conc\u00edlio devia ajudar a comunidade eclesial a tornar-se, como nos seus in\u00edcios e nos tempos da sua maior influ\u00eancia evangelizadora, uma Igreja serva e pobre, na esperan\u00e7a de se tornar sempre mais \u201cm\u00e3e e mestra\u201d. S\u00f3 assim  poder\u00e1 ser sinal e est\u00edmulo de vida nova. Inspirado na Palavra de Deus e olhando a hist\u00f3ria, o Conc\u00edlio encontraria o caminho. Uma necessidade que persiste ainda hoje. <\/p>\n<p>A Igreja n\u00e3o podia mais ser aos olhos de fora um \u201ccabide onde se dependuram fatos que j\u00e1 n\u00e3o se usam\u201d, mas a express\u00e3o viva de um amor, capaz de renovar as pessoas e a sociedade. Por isso, tinha de reencontrar o seu rumo na fidelidade \u00e0 miss\u00e3o que lhe fora confiada desde o in\u00edcio. N\u00e3o lhe faltavam energias interiores para poder garantir o \u00eaxito desta tarefa. Tudo dependeria agora dos mediadores conciliares e da Igreja no seu conjunto.<\/p>\n<p>As comiss\u00f5es preparat\u00f3rias constitu\u00edram-se e, para isso, se contou com a experi\u00eancia provada de bispos de fora de Roma, inquietos e inconformados, como o Cardeal  Suenens da B\u00e9lgica, e Helder C\u00e2mara, do Brasil. Te\u00f3logos, antes marginalizados, foram chamados para trabalhar nestas comiss\u00f5es. Vieram, assim, para uma terra que antes os expulsara, Henri de Lubac, Yves Congar e tantos outros. <\/p>\n<p>Apesar do entusiasmo reinante, o arrancar dos trabalhos em comum n\u00e3o foi f\u00e1cil. Havia esquinas a esbater e rela\u00e7\u00f5es a sanar. Ningu\u00e9m ter\u00e1 pensado em desistir, porque o amor \u00e0 Igreja e a vontade de renova\u00e7\u00e3o pesavam mais que as dificuldades sentidas. Por outro lado, o exemplo de Jo\u00e3o XXIII, com a esperan\u00e7a que manifestava e a sua decis\u00e3o de ir para a frente, contagiava a todos. N\u00e3o se coibiu de intervir, sempre que sentiu que era necess\u00e1rio faz\u00ea-lo. E f\u00ea-lo, logo de in\u00edcio, para ultrapassar impasses.<\/p>\n<p>A realiza\u00e7\u00e3o de um conc\u00edlio ecum\u00e9nico, do qual, ao tempo, ningu\u00e9m tinha experi\u00eancia direta, foi-se tornando uma pedagogia de a\u00e7\u00e3o para todos os que tinham vontade de aprender e de andar caminhos novos. Muitas coisas tiveram, ent\u00e3o, de se solucionar, desde como tornar a Bas\u00edlica de S. Pedro sala conciliar, at\u00e9 providenciar hospedagem a todos os bispos do mundo, convocados para Roma. Por\u00e9m, o mais dif\u00edcil, dada a hist\u00f3ria de s\u00e9culos de uma Igreja centralizadora e de cariz ocidental, seria sempre a convers\u00e3o das mentalidades, a aceita\u00e7\u00e3o das diferen\u00e7as, a abertura ecum\u00e9nica, a sensibilidade \u00e0s novas culturas, o sair do campo seguro para o campo aberto dos confrontos inevit\u00e1veis de uma sociedade e de uma Igreja plural. Haviam de se deixar experi\u00eancias rotineiras e sem alma, e abrir-se \u00e0 a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito. \u00c9 o Esp\u00edrito que esclarece, associa, estimula, faz cair os muros que dividem, leva o amor a novas experi\u00eancias, ajuda a fazer um caminho vi\u00e1vel, onde, antes, os escombros e o lixo impediam de caminhar.<\/p>\n<p> O Papa tra\u00e7ou para a Igreja o caminho do Conc\u00edlio: na fidelidade a Deus, unir e n\u00e3o separar; acabar com condena\u00e7\u00f5es; marcar uma presen\u00e7a no mundo, inspirada no amor e conduzida pelo di\u00e1logo, nunca desprezar este mundo, das pessoas e da natureza criada, antes ver nele a antecipa\u00e7\u00e3o de Deus, que o criou e viu que era bom e repleto de beleza. Esta dimens\u00e3o nova, proposta \u00e0 Igreja, gerou uma expectativa n\u00e3o esperada, por parte de muitos, mesmo n\u00e3o crist\u00e3os. Era de estranhar este facto, dado que se tratava de um acontecimento que, em si mesmo, apenas dizia respeito \u00e0 Igreja Cat\u00f3lica, que, apesar de ferida por muitas mazelas, guardava consci\u00eancia do seu dever e gozava de um prest\u00edgio, que n\u00e3o podia alienar. Recordo como na d\u00e9cada de cinquenta, em Roma, se realizavam congressos internacionais e a\u00ed acorriam cientistas e pensadores para ouvir a palavra apreciada de Pio XII, sobre problemas novos como o transplante de \u00f3rg\u00e3os vitais, as teorias da \u201cguerra justa\u201d, os caminhos pretendidos para a Europa\u2026 Nada disto podia ser esquecido por quem preparava o Conc\u00edlio e o n\u00e3o devia ver como uma supremacia de poder, mas antes, como express\u00e3o de servi\u00e7o solid\u00e1rio a um mundo novo que cada dia se afirmava mais na sua autonomia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Logo de in\u00edcio, e na prepara\u00e7\u00e3o do Conc\u00edlio, falou-se da necessidade de um novo rosto da Igreja, de uma Igreja de janelas abertas, para que nela possa correr ar fresco. Seria como que um rosto lavado das muitas lamas do tempo, um rosto rejuvenescido, que outro n\u00e3o podia ser sen\u00e3o o rosto de Cristo. 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