{"id":19090,"date":"2011-01-26T10:23:00","date_gmt":"2011-01-26T10:23:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=19090"},"modified":"2011-01-26T10:23:00","modified_gmt":"2011-01-26T10:23:00","slug":"o-clube-dos-aventurados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/o-clube-dos-aventurados\/","title":{"rendered":"O clube dos aventurados"},"content":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu <!--more--> Como diz o nome, \u00e9 o clube daqueles que se arriscam, que se exp\u00f5em ao desconhecido. Quem l\u00e1 quer entrar passa por um verdadeiro teste de resist\u00eancia, ao mesmo tempo que se lhe abrem os horizontes para pistas de todo-o-terreno.<\/p>\n<p>Jesus lan\u00e7ou a ideia. E Mateus, evangelista letrado e bom conhecedor das esperan\u00e7as e ideias-chave do povo judeu, organizou os grandes temas do programa de Jesus (cap\u00edtulos V, VI e VII). O evangelista Lucas fez-lhe concorr\u00eancia (6,20-23), mas com um programa mais sint\u00e9tico, em que o pr\u00f3prio estilo \u00e9 mais agreste \u2013 e ainda hoje \u00e9 f\u00e1cil a gente perder-se ao interpretar as suas coordenadas.  Por isso, muitos peritos no assunto continuam a aventurar-se nesses caminhos.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, j\u00e1 muitos s\u00e9culos antes, n\u00e3o faltaram tentativas de clubes semelhantes: O profeta Sofonias (mais de 600 anos a.C.) insiste no desprendimento de bens e no dom\u00ednio do orgulho, como requisitos fundamentais para quem deseje aventurar-se \u00e0 descoberta de Deus. Com muita tralha e com arrog\u00e2ncia, uma pessoa atrasa-se e perde-se. Da\u00ed o insucesso de muitos ricos e detentores do poder, que acham nada terem a aprender com os outros. Julgam-se protegidos pela riqueza e n\u00e3o querem investir no bem comum, ignorando ser este a maior seguran\u00e7a para eles pr\u00f3prios. Felizmente, h\u00e1 candidatos ricos e poderosos que t\u00eam verdadeira \u00abfome e sede de justi\u00e7a\u00bb.<\/p>\n<p>S. Paulo abriu muitas sucursais do clube, por vezes com caracter\u00edsticas muito pr\u00f3prias, atento ao que melhor servia as diferentes \u00abclientelas\u00bb. Sublinha que n\u00e3o s\u00e3o clubes de s\u00e1bios e poderosos, mas que estes s\u00e3o bem-vindos trabalhando em igualdade pelo bom sucesso das aventuras \u2013 e que n\u00e3o se ponham a acusar o programa de rid\u00edculo e extremamente dif\u00edcil. Se \u00e9 que querem aventurar-se at\u00e9 ao \u00abmundo que h\u00e1-de vir\u00bb.<\/p>\n<p>Poder\u00edamos dizer que a \u201cpobreza perante Deus\u201d \u00e9 fundamental para nos sentirmos e sermos de facto \u00abbem-aventurados\u00bb. Reconhecemos que este mundo n\u00e3o nos basta e que h\u00e1 muito sofrimento e injusti\u00e7a. O que nos leva a questionar o pr\u00f3prio Deus. Para sabermos ouvir Deus, temos que lhe dar lugar na nossa vida. O programa algo enigm\u00e1tico das \u00abbem-aventuran\u00e7as\u00bb refor\u00e7a em particular a esperan\u00e7a de salva\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o aponta para uma consola\u00e7\u00e3o apenas no futuro: a felicidade futura \u2013 o final da aventura \u2013 requer altera\u00e7\u00e3o do presente. Para todos, com muito ou pouco dinheiro, com muita ou pouca sa\u00fade, com muita ou pouca forma\u00e7\u00e3o acad\u00e9mica, h\u00e1 sempre muito que fazer, at\u00e9 ao momento em que o nosso corpo j\u00e1 n\u00e3o aguenta mais. Mas at\u00e9 a\u00ed, mostramos o nosso esfor\u00e7o por um mundo novo, e no nosso \u00faltimo olhar pode brilhar o amor e a esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>S\u00f3 h\u00e1 dois tipos de aventurados para quem o \u00abhappy end\u00bb parece estar j\u00e1 garantido: o dos \u00abpobres em esp\u00edrito\u00bb e o dos que sofrem pela justi\u00e7a \u2013 \u00ab\u00e9 deles\u00bb (e n\u00e3o \u00abser\u00e1 deles\u00bb) o reino de Deus. Por que s\u00e3o testemunhas evidentes da boa atitude e da boa ac\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O termo \u00abbem-aventurado\u00bb, historicamente, aplica-se sobretudo \u00e0 prosperidade terrena (incluindo a alegria da sabedoria e da boa consci\u00eancia). Mas significa alcan\u00e7ar a felicidade e bem-estar pr\u00f3prios dos seres divinos \u2013 os \u00fanicos sem as preocupa\u00e7\u00f5es humanas\u2026 Ainda hoje dizemos que o nosso desejo \u00e9 partilhar da felicidade de Deus.<\/p>\n<p>Os te\u00f3logos reconhecem que houve abusos de interpreta\u00e7\u00e3o do \u00abprograma do clube\u00bb: o bom final n\u00e3o \u00e9 exclusivo dos infelizes deste mundo. Todos os seres humanos s\u00e3o chamados e amados por Deus. A grande condena\u00e7\u00e3o \u00e9 para aqueles que se comprazem em montar armadilhas mortais para os \u00abaventurados\u00bb e a dificultar que vivamos o melhor poss\u00edvel o momento presente, com verdadeiro prazer para cada um de n\u00f3s e para os que est\u00e3o \u00e0 nossa volta \u2013 mesmo quando escolhemos uma vida dura, para sermos sinal mais evidente do reino de Deus.<\/p>\n<p>As \u00abbem-aventuran\u00e7as\u00bb alertam contra um conceito med\u00edocre de \u00abplenitude de vida\u00bb. Revelam os crit\u00e9rios de Deus, n\u00e3o limitados por condi\u00e7\u00f5es humanas, que n\u00e3o nos deixam sentir frustrados enquanto procuramos a maior felicidade poss\u00edvel. S\u00e3o a voz da esperan\u00e7a, pois encaram o ser humano como nunca definido pelo presente mas orientando o presente pela vis\u00e3o, simultaneamente optimista e dramaticamente real, de que vale a pena uma vida de \u00abaventurado\u00bb.<\/p>\n<p>Manuel Alte da Veiga<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-19090","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19090","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19090"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19090\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19090"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19090"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19090"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}