{"id":19111,"date":"2011-02-02T11:07:00","date_gmt":"2011-02-02T11:07:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=19111"},"modified":"2011-02-02T11:07:00","modified_gmt":"2011-02-02T11:07:00","slug":"metade-dos-casamentos-catolicos-termina-em-divorcio-as-a-igreja-nao-questiona-a-preparacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/metade-dos-casamentos-catolicos-termina-em-divorcio-as-a-igreja-nao-questiona-a-preparacao\/","title":{"rendered":"Metade dos casamentos cat\u00f3licos termina em div\u00f3rcio, as a Igreja n\u00e3o questiona a prepara\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Conclus\u00e3o da entrevista ao P.e Manuel Joaquim Rocha (primeira parte na edi\u00e7\u00e3o de 26 de Janeiro de 2011), a prop\u00f3sito da publica\u00e7\u00e3o do livro \u201cAlian\u00e7as partidas\u201d (ed. Paulinas), sobre \u201cdivorciados recasados e outras situa\u00e7\u00f5es irregulares perante o matrim\u00f3nio\u201d.<\/p>\n<p>CORREIO DO VOUGA \u2013 As pessoas continuam a casar pela Igreja, apesar de muitos desses casamentos terminarem em div\u00f3rcio. Casam por tradi\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>MANUEL JOAQUIM ROCHA &#8211; J\u00e1 n\u00e3o \u00e9 a maior parte que casa pela Igreja. Mas mesmo que ponhamos em p\u00e9 de igualdade casamento cat\u00f3lico e casamento civil, n\u00e3o sei em quais deles acontecem mais div\u00f3rcios. Os problemas s\u00e3o os mesmos. Devemos assumir que o sacramento ajuda a resolver as dificuldades. Mas \u00e9 preciso que \u201ceu queria que o sacramento me ajude\u201d. Se o casamento na Igreja s\u00f3 teve como motiva\u00e7\u00e3o \u201cporque a sociedade assim quer\u201d, ou o edif\u00edcio, ou a tradi\u00e7\u00e3o\u2026 se n\u00e3o tiver no\u00e7\u00e3o do sacramento, ele n\u00e3o faz efeito.<\/p>\n<p>O subt\u00edtulo do seu livro refere \u201coutras situa\u00e7\u00f5es irregulares perante o matrim\u00f3nio\u201d. Quais s\u00e3o?<\/p>\n<p>S\u00e3o todas aquelas que tendo apar\u00eancia de casamento, n\u00e3o o s\u00e3o. Refiro-me sempre a situa\u00e7\u00f5es heterossexuais, nomeadamente as uni\u00f5es de facto e as uni\u00f5es civis, embora haja um breve apontamento sobre o que a Igreja pensa das uni\u00f5es homossexuais.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o a todas estas situa\u00e7\u00f5es a Igreja diz que quem est\u00e1 nelas n\u00e3o pode comungar\u2026<\/p>\n<p>Sim, mas a avalia\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 mesma. A Igreja distingue um casamento civil de uma uni\u00e3o de facto. A Igreja entende o casamento como um sacramento que tamb\u00e9m \u00e9 um compromisso p\u00fablico, uma alian\u00e7a. \u00c9 um contrato entre duas pessoas diante de Deus. Ora o casamento civil tamb\u00e9m \u00e9 uma alian\u00e7a entre duas pessoas que t\u00eam um projecto de vida. N\u00e3o o relacionam com a Igreja de Jesus Cristo mas com o Estado ao qual pertencem, ao qual se sujeitam e do qual lucram as leis que ele tem para proteger o contrato. Ora, h\u00e1 aqui um assumir de responsabilidade que n\u00e3o est\u00e1 presente nas uni\u00f5es de facto. \u201cA gente gosta-se. Porque n\u00e3o vivermos juntos?\u201d A uni\u00e3o de facto \u00e9 considerada um assunto privado. Para a igreja, o casamento nunca \u00e9 privado. \u00c9 sempre p\u00fablico. Os casamentos civis est\u00e3o mais perto daquilo que a Igreja pensa. <\/p>\n<p>O que a Igreja deve fazer na pastoral dos divorciados recasados?<\/p>\n<p>Primeiro, partir de que \u00e9 verdade que o casamento est\u00e1 hoje em crise, porque est\u00e1 em crise a palavra que n\u00f3s damos, est\u00e1 em crise a nossa rela\u00e7\u00e3o com o outro\/a. Privilegiamos muito a liberdade, os direitos individuais &#8211; o que est\u00e1 bem, mas n\u00e3o se pode absolutizar. Se eu vivo com algu\u00e9m, tenho de saber at\u00e9 que ponto a minha liberdade joga com a do outro. O meu direito a ser feliz n\u00e3o \u00e9 absoluto, a ponto de prejudicar o outro. A vontade individual de ser feliz pode perturbar a rela\u00e7\u00e3o, que \u00e9 algo conjunto, uma felicidade que se constr\u00f3i a dois e depois em fam\u00edlia. \u00c9 preciso educar para os valores, para o ser pessoa, ser grupo, ser rela\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o com os outros e o mundo.<\/p>\n<p>Quer dizer que a prepara\u00e7\u00e3o do casamento come\u00e7a na educa\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Sim, mesmo sem falar de casamento. Aprender a ser pessoa com os outros obriga a que cada um de n\u00f3s se tenha de situar dando lugar ao outro. E h\u00e1 sempre esquinas que \u00e9 preciso limar. Quem s\u00f3 pensa em si n\u00e3o tem voca\u00e7\u00e3o para o casamento. E esta \u00e9 uma segunda ideia: nem todos t\u00eam voca\u00e7\u00e3o para o casamento. Temos de pensar \u201cqual a minha voca\u00e7\u00e3o, qual o meu lugar?\u201d<\/p>\n<p>Al\u00e9m disto, sabendo que metade dos casamentos termina em div\u00f3rcio, o que fazemos com esta dado? Continuamos com a prepara\u00e7\u00e3o mesmo em cima dos casamentos. Poderia haver um certo caminho catecumenal, se calhar utilizando pontos concretos: quando se pedem em casamento, quando casam civilmente\u2026 Porque n\u00e3o o entender o casamento como uma caminhada? Alguns dir-me-\u00e3o que isto p\u00f5e em causa que o contrato \u00e9 insepar\u00e1vel do sacramento&#8230; <\/p>\n<p>Por outro lado, agora h\u00e1 quatro encontros de prepara\u00e7\u00e3o. J\u00e1 foram sete. Quando os noivos os frequentam j\u00e1 t\u00eam datas marcadas. E \u00e0s vezes ainda faltam a alguns. A prepara\u00e7\u00e3o para o casamento n\u00e3o adianta nada \u00e0 decis\u00e3o de casar. Precisamos de parar para pensar na forma como estamos a preparar os nossos noivos. Vemos que algo n\u00e3o est\u00e1 a ter efeito, mas continuamos a repetir as mesmas pr\u00e1ticas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Conclus\u00e3o da entrevista ao P.e Manuel Joaquim Rocha (primeira parte na edi\u00e7\u00e3o de 26 de Janeiro de 2011), a prop\u00f3sito da publica\u00e7\u00e3o do livro \u201cAlian\u00e7as partidas\u201d (ed. Paulinas), sobre \u201cdivorciados recasados e outras situa\u00e7\u00f5es irregulares perante o matrim\u00f3nio\u201d. 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