{"id":19147,"date":"2012-02-02T09:39:00","date_gmt":"2012-02-02T09:39:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=19147"},"modified":"2012-02-02T09:39:00","modified_gmt":"2012-02-02T09:39:00","slug":"ate-onde-europa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/ate-onde-europa\/","title":{"rendered":"At\u00e9 onde, Europa?"},"content":{"rendered":"<p>A proposta \u00e9, no m\u00ednimo, suspeita. Trocar a soberania nacional por um resgate de d\u00edvida ofende a dignidade de um povo, humilha a identidade de uma na\u00e7\u00e3o! <\/p>\n<p>Parece cada vez mais certo o dito do Padre Ant\u00f3nio Vieira: \u201cQuem pede escraviza-se\u201d. Demonstra-o \u00e0 saciedade o panorama dos pa\u00edses europeus. Apesar da \u201cunidade monet\u00e1ria\u201d, uns s\u00e3o pedintes &#8211; muitos! &#8211; outros s\u00e3o credores; uns debatem-se com futuros esmagados pelo risco dos c\u00e9us pl\u00fambeos da insolv\u00eancia, outros tecem estrat\u00e9gias para esgotar at\u00e9 \u00e0 medula o esfor\u00e7o dos pobres\u2026<\/p>\n<p>\u00c9 verdade que quem pede tem obriga\u00e7\u00e3o de saber gerir o seu \u201cresgate\u201d, para n\u00e3o se tornar parasita social. E quem empresta est\u00e1 no direito de estabelecer algumas condi\u00e7\u00f5es que permitam avaliar essa gest\u00e3o, para que o empr\u00e9stimo n\u00e3o alimente v\u00edcios, antes seja uma oportunidade de regenera\u00e7\u00e3o. Mas, da\u00ed at\u00e9 se substituir ao devedor, entrando pela sua casa dentro e anulando a sua personalidade, vai uma dist\u00e2ncia abissal.<\/p>\n<p>A Europa n\u00e3o anda por bons caminhos, n\u00e3o est\u00e1 entregue a bons credores. Os instintos de supremacia e dom\u00ednio n\u00e3o se apagam em d\u00e9cadas, nem porventura em s\u00e9culos. Sobretudo se a proximidade &#8211; uni\u00e3o?&#8230; &#8211; criada assenta em crit\u00e9rios sociais e pol\u00edticos concertados sem convic\u00e7\u00f5es, sem valores superiores. E, quando se esquece a matriz cultural, os valores comuns de todos os intervenientes, facilmente estala o verniz dos tratados.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 com um pol\u00edcia junto de cada cidad\u00e3o que se educa para a solidariedade e para a paz. A seguran\u00e7a resultante se frustrar\u00e1 no primeiro momento de distra\u00e7\u00e3o de qualquer dos intervenientes. N\u00e3o \u00e9 com um gestor externo a governar as finan\u00e7as de um pa\u00eds que se construir\u00e1 o compromisso m\u00fatuo de bem administrar o que \u00e9 preciso para a vida, para o futuro de todos!   <\/p>\n<p>O Papa Bento XVI, na sua enc\u00edclica Caritas in Veritate (n.\u00ba 53), citando Jo\u00e3o Paulo II, na Centesimus annus, adverte-nos: \u201cA Humanidade inteira aliena-se quando se entrega a projetos unicamente humanos, a ideologias e a falsas utopias\u201d. E prossegue, inspirado no mesmo antecessor, na Evangelium Vitae: \u201cA Humanidade aparece, hoje, muito mais interativa do que no passado; esta maior proximidade deve transformar-se em verdadeira comunh\u00e3o. O desenvolvimento dos povos depende sobretudo do reconhecimento que s\u00e3o uma s\u00f3 fam\u00edlia, a qual colabora em verdadeira comunh\u00e3o e \u00e9 formada por sujeitos que n\u00e3o se limitam a viver uns ao lado dos outros\u201d.<\/p>\n<p>Numa verdadeira fam\u00edlia, pedem-se contas, mas n\u00e3o se substituem responsabilidades! E s\u00f3 \u00e9 verdadeira essa fam\u00edlia, se o conhecimento e reconhecimento m\u00fatuos se radicam numa dignidade comum. O que pressup\u00f5e consci\u00eancia da identidade pr\u00f3pria e humildade para acolher a do outro. E, sem reconhecer um Fundamento que d\u00e1 sentido \u00e0 pessoa, \u00e0 fam\u00edlia e \u00e0 sociedade, n\u00e3o ser\u00e1 f\u00e1cil sair de labirintos de interesses mascarados de \u201cajuda\u201d.<\/p>\n<p>Se a Europa \u201cunida\u201d voltar \u00e0s fontes dos seus \u201cprogenitores\u201d e as suas na\u00e7\u00f5es n\u00e3o renegarem a inspira\u00e7\u00e3o evang\u00e9lica das suas origens, ser\u00e1 poss\u00edvel uma outra din\u00e2mica que nos conduza a um futuro de esperan\u00e7a.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A proposta \u00e9, no m\u00ednimo, suspeita. Trocar a soberania nacional por um resgate de d\u00edvida ofende a dignidade de um povo, humilha a identidade de uma na\u00e7\u00e3o! Parece cada vez mais certo o dito do Padre Ant\u00f3nio Vieira: \u201cQuem pede escraviza-se\u201d. Demonstra-o \u00e0 saciedade o panorama dos pa\u00edses europeus. 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