{"id":19149,"date":"2012-02-02T09:42:00","date_gmt":"2012-02-02T09:42:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=19149"},"modified":"2012-02-02T09:42:00","modified_gmt":"2012-02-02T09:42:00","slug":"uma-parabola-vale-mil-discursos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/uma-parabola-vale-mil-discursos\/","title":{"rendered":"&#8220;Uma par\u00e1bola vale mil discursos&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Ilda Pires, formada em Ci\u00eancias Religiosas, professora aposentada de Educa\u00e7\u00e3o Moral e Religiosa Cat\u00f3lica, colaboradora na catequese familiar e de adultos na par\u00f3quia de Esgueira, lan\u00e7ou recentemente o livro \u201cA Cobra e o Pirilampo\u201d. Este conjunto de \u201c52 est\u00f3rias com mensagem\u201d \u00e9 \u201cum livro que ajuda a mudar de atitudes e de comportamentos\u201d, afirma a autora. Entrevista conduzida por Jorge Pires Ferreira.<\/p>\n<p>CORREIO DO VOUGA &#8211; Com que finalidade recolheu as est\u00f3rias e escreveu este \u201cA Cobra e o Pirilampo?\u201d<\/p>\n<p>ILDA PIRES &#8211; Este livro pretende ser uma ajuda para mudar de atitudes e de comportamentos, uma ajuda para viver a vida com um certo n\u00edvel de profundidade que n\u00e3o se adquire de qualquer maneira, mas s\u00f3 refletindo sobre a pr\u00f3pria vida.<\/p>\n<p>Essa profundidade \u00e9 a espiritualidade?<\/p>\n<p>Espiritualidade n\u00e3o \u00e9 propriamente rezar ou ir \u00e0 Igreja. Pode passar por a\u00ed, mas \u00e9 perceber a vida por dentro, digamos assim, perceber os dinamismos que a acompanham, as energias que se conjugam, perceber o que as pessoas nos dizem s\u00f3 pelo facto de estarmos com elas. Espiritualidade tem a ver com tudo isso, sair daquele n\u00edvel superficial no qual vivemos a maior parte do nosso tempo, a tratar disto e daquilo, a falar do tempo e da bola, da moda e dos penteados\u2026 \u00c9 perceber que a vida \u00e9 mais do que isso, tem outros n\u00edveis mais profundos que d\u00e3o mais paz e que no fundo toda a gente quer.<\/p>\n<p>Lan\u00e7ou h\u00e1 um par de anos o livro \u201cJoias de Sabedoria\u201d. Agora surge com este \u201cA Cobra e o Pirilampo?\u201d Est\u00e3o dentro do mesmo g\u00e9nero?<\/p>\n<p>Sim, s\u00f3 que a organiza\u00e7\u00e3o foi diferente. \u201cJoias de Sabedoria\u201d foi uma colet\u00e2nea que eu vinha reunindo h\u00e1 anos e que ia utilizando nas conversas, nas aulas, nas a\u00e7\u00f5es de forma\u00e7\u00e3o com adultos. A certa altura algu\u00e9m me disse: \u201cPorque n\u00e3o publicar isto?\u201d A ideia come\u00e7ou a tomar forma, um amigo apresentou-me M\u00f3nica Pires [professora de EMRC e ilustradora], que ajudaria imenso com as ilustra\u00e7\u00f5es, e organiz\u00e1mos o livro por temas: desenvolvimento pessoal, obst\u00e1culos, identidade, cren\u00e7as, tempo\u2026 Come\u00e7ou por ser edi\u00e7\u00e3o de autor, mas depois saiu nas edi\u00e7\u00f5es salesianas. Pegaram nele, alteraram a capa\u2026 e fez-se uma segunda edi\u00e7\u00e3o, creio que est\u00e1 toda vendida.<\/p>\n<p>Este meu segundo livro pretende ser uma reflex\u00e3o ao longo do ano, uma s\u00e9rie de met\u00e1foras. A editora preferiu chamar-lhe est\u00f3rias\u2026. A ideia \u00e9 dar um alimento para cada semana do ano, 52 met\u00e1foras.<\/p>\n<p>Como \u00e9 esse percurso? Trata-se de discernimento e crescimento pessoal?<\/p>\n<p>Em cada met\u00e1fora h\u00e1 um ponto a trabalhar, por exemplo, as cren\u00e7as limitadoras. \u201cEu n\u00e3o sou capaz\u201d \u00e9 uma cren\u00e7a limitadora. No caso da est\u00f3ria que d\u00e1 o nome ao livro, est\u00e3o em causa as nossas rela\u00e7\u00f5es de trabalho, por vezes marcadas pela intriga. H\u00e1 pessoas a quem o brilho do outro ofusca. A cobra, na segunda est\u00f3ria, quer comer o pirilampo porque n\u00e3o suporta v\u00ea-lo brilhar. Trata-se de atitudes comuns a todas as pessoas. Temos as nossas coisas no trabalho, na escola, em casa. Cada um a brilhar \u00e0 sua maneira. Se calhar as pessoas teriam mais paz se reparassem nisso e trabalhassem esses comportamentos.<\/p>\n<p>Somos cobras ou pirilampos?<\/p>\n<p>Todos temos um pouco de cada. Como escrevo no coment\u00e1rio \u00e0 met\u00e1fora, todos os dias vamos trope\u00e7ando em cobras. E em cada um de n\u00f3s tamb\u00e9m h\u00e1 um bocadinho da cobra que n\u00e3o gosta de ver os outros brilhar. \u00c9 importante perceber que cada um tem o seu pr\u00f3prio brilho, que n\u00e3o ofusca o dos outros. Nenhuma estrela impede os outros de brilhar.<\/p>\n<p>O livro \u00e9 composto de est\u00f3rias da sua autoria e de outros autores, desconhecidos.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m tenho algumas de autores citados. Este livro tem bastantes mais da minha autoria do que o primeiro.<\/p>\n<p>Assume-se como colecionadora de hist\u00f3rias?<\/p>\n<p>Sim, e depois as pessoas percebem isso e v\u00e3o-mas mandando. Penso que tudo come\u00e7ou com a leitura do livro de Anthony de Mello, o \u201cCanto do P\u00e1ssaro\u201d. Com essa obra ganhei o gosto por estas est\u00f3rias. Fui utilizando algumas e com a forma\u00e7\u00e3o em PNL \u2013 programa\u00e7\u00e3o neurolingu\u00edstica [desenvolvimento pessoal e profissional atrav\u00e9s de modelos, estrat\u00e9gias, palavras e cren\u00e7as motivadoras] \u2013 percebi a import\u00e2ncia destas met\u00e1foras para o crescimento pessoal, para a mudan\u00e7a interior e comecei a elaborar as minhas pr\u00f3prias est\u00f3rias a partir da observa\u00e7\u00e3o da vida. Estou a pensar em \u201cMulheres de excel\u00eancia\u201d e \u201cAprendizagem\u201d. Passeando perto de um rio, vi um passarinho que ensaiava o seu primeiro voo e pensei que ele n\u00e3o conseguiria ultrapassar o rio. E, de facto, n\u00e3o conseguiu.<\/p>\n<p>Caiu na \u00e1gua?<\/p>\n<p>Sim, n\u00e3o conseguiu atravessar o rio. Era demasiado largo. Foi em S\u00e3o Pedro do Sul. Outra hist\u00f3ria, escrevi-a depois de observar uma massagista, nas termas, que mesmo ao fim do dia estava sempre com t\u00e3o boa disposi\u00e7\u00e3o&#8230; Perguntei quantas massagens tinha feito e eram muitas, j\u00e1 n\u00e3o me lembro. Estava admirada por estar t\u00e3o bem disposta e diz-me ela assim: \u201cE depois disto tudo, chego a casa, fa\u00e7o o jantar cuido dos meus filhos e ainda do meu sogro, que tem alzheimer\u201d.<\/p>\n<p>Essas est\u00f3rias partiram da observa\u00e7\u00e3o de casos da vida \u2013 um pouco como Jesus nas par\u00e1bolas?<\/p>\n<p>No fundo, o que Jesus fez? Observou a vida. Pegou na vida. Uma par\u00e1bola vale mil discursos. Podemos dizer: \u201cN\u00e3o fa\u00e7as isto, n\u00e3o fa\u00e7as aquilo\u201d. Mas se em vez disso contarmos uma par\u00e1bola, uma hist\u00f3ria, a pessoa fica a perceber o que quer\u00edamos dizer, percebe melhor. As par\u00e1bolas t\u00eam o dom de abrir m\u00faltiplos significados, de despertar o nosso inconsciente. A partir da\u00ed podem surgir as mudan\u00e7as. Foi isso que Jesus quis fazer.<\/p>\n<p>No entanto, n\u00e3o d\u00e1 uma tonalidade religiosa aos seus escritos.<\/p>\n<p>Quero que o livro seja aberto a toda a gente e n\u00e3o apenas \u00e0queles que se identificam com a f\u00e9 crist\u00e3. H\u00e1 um ou outro texto que tem cita\u00e7\u00f5es de Jesus, mas s\u00e3o cita\u00e7\u00f5es muito livres e abertas. N\u00e3o quero condicionar ningu\u00e9m com o livro.<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 uma linha de fundo, impl\u00edcita, de preocupa\u00e7\u00e3o crist\u00e3\u2026<\/p>\n<p>Todo o trabalho de desenvolvimento pessoal, com as pessoas, tem por detr\u00e1s, expl\u00edcita ou n\u00e3o, uma matriz crist\u00e3. Todo o trabalho que fa\u00e7o para ajudar as pessoas a mudar as atitudes e comportamentos inscrevem-se nessa matriz crist\u00e3. N\u00f3s somos imagem de Deus, pois somos, mas somos uma imagem que precisa de ser trabalhada. Somos \u201cmas ainda n\u00e3o\u201d, somos mas n\u00e3o na totalidade. Na medida em que vou trabalhando esta imagem de Deus que trago em mim, vou pondo-a c\u00e1 para fora, completando-a, para usar uma express\u00e3o de S\u00e3o Paulo. Todo este trabalho se insere numa matriz crist\u00e3. N\u00e3o temos outra forma de o fazer.<\/p>\n<p>Na par\u00f3quia de Esgueira, colabora na catequese familiar [pais e crian\u00e7as do primeiro ano t\u00eam catequese ao mesmo tempo, com momentos em comum e separados;  Ilda Pires, com mais alguns adultos, com linguagem e m\u00e9todos adequados, orienta o grupo dos pais] e orienta um grupo de catequese de adultos. Tamb\u00e9m tem ensinado alguns grupos a meditar. A Igreja tem de fazer propostas inovadoras \u00e0s pessoas?<\/p>\n<p>Costumo dizer que s\u00f3 mudamos se fizermos coisas novas. \u00c0s vezes falta-nos coragem para inovar e renovar. \u00c9 mais f\u00e1cil repetir o que sempre fizemos do que sair da zona de conforto e avan\u00e7ar com coisas novas. Quando damos coisas novas, as pessoas aderem. Est\u00e3o dispon\u00edveis e dispostas a frequentar.  Como aderem t\u00e3o bem, \u00e9 sinal de que precisam e querem aquilo.<\/p>\n<p>Arranjam tempo?<\/p>\n<p>Claro que sim. Veja o caso da catequese do primeiro ano. \u00c9 dada \u00e0 sexta \u00e0 noite, uma hora t\u00e3o esquisita. O que \u00e9 certo \u00e9 que os pais v\u00e3o com os filhos e est\u00e3o l\u00e1 de boa vontade. Se continuarmos a repetir aquilo que sempre fizemos, temos o que sempre tivemos. Precisamos, de facto, de coisas novas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ilda Pires, formada em Ci\u00eancias Religiosas, professora aposentada de Educa\u00e7\u00e3o Moral e Religiosa Cat\u00f3lica, colaboradora na catequese familiar e de adultos na par\u00f3quia de Esgueira, lan\u00e7ou recentemente o livro \u201cA Cobra e o Pirilampo\u201d. 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