{"id":19195,"date":"2012-02-02T10:37:00","date_gmt":"2012-02-02T10:37:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=19195"},"modified":"2012-02-02T10:37:00","modified_gmt":"2012-02-02T10:37:00","slug":"da-decisao-de-um-concilio-ao-inicio-dos-trabalhos-conciliares","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/da-decisao-de-um-concilio-ao-inicio-dos-trabalhos-conciliares\/","title":{"rendered":"Da decis\u00e3o de um conc\u00edlio ao in\u00edcio dos trabalhos conciliares"},"content":{"rendered":"<p>Logo ap\u00f3s o an\u00fancio da decis\u00e3o de convocar um conc\u00edlio ecum\u00e9nico (25-01-1959), Jo\u00e3o XXIII, atrav\u00e9s do seu primeiro colaborador, o Cardeal Tardini, Secret\u00e1rio de Estado, deu, de imediato, in\u00edcio aos trabalhos de prepara\u00e7\u00e3o. Via-se que o Papa tinha urg\u00eancia que assim fosse. Assim lho recomendava a import\u00e2ncia do acontecimento e, tamb\u00e9m, a sua idade, ent\u00e3o j\u00e1 com 77 anos. Lembremo-nos que o Papa veio a falecer em 3 de junho de 1963, sem completar cinco anos ap\u00f3s a sua elei\u00e7\u00e3o. Por outro lado, quaisquer demoras, para al\u00e9m das justificadas, em nada iriam beneficiar a rea\u00e7\u00e3o, generalizadamente positiva, com que a Igreja acolhera a not\u00edcia do futuro conc\u00edlio.<\/p>\n<p>Tardini enviou, pouco tempo depois, uma carta aos bispos de todo o mundo, aos superiores das ordens e congrega\u00e7\u00f5es religiosas, \u00e0s universidades da Igreja e \u00e0s faculdades de Teologia, pedindo-lhes, por mandato do Papa, que apresentassem, livremente, temas de interesse eclesial a serem considerados e tratados no Conc\u00edlio. Estava j\u00e1 constitu\u00edda a Secretaria Geral, a que presidia o arcebispo Paricles Felici, encarregada de receber, inventariar e classificar todas as respostas, confiando-as, depois, \u00e0s comiss\u00f5es preparat\u00f3rias. Integravam estas comiss\u00f5es mais de 800 membros efetivos e consultores. 77% das entidades consultadas responderam, e, de Portugal, as respostas atingiram os 88%. Todo este precioso material est\u00e1 publicado e pode consultar-se onde existirem os v\u00e1rios volumes que o comportam.<\/p>\n<p>Esta decis\u00e3o de consultar a Igreja, pelos seus respons\u00e1veis, sobre os temas e problemas que a preocupavam, era novidade. Marca-se, desde ent\u00e3o, uma pedagogia sinodal, sempre mais alargada ao povo de Deus, que n\u00e3o pode mais deixar de se ter presente, em todos os processos, que ao mesmo digam respeito.<\/p>\n<p>No ver\u00e3o de 1962, j\u00e1 p\u00f4de ser enviado aos Padres conciliares o primeiro volume com os temas a serem discutidos no conc\u00edlio e que eram apresentados por esta ordem: as Fontes da Revela\u00e7\u00e3o; a guarda fiel do Dep\u00f3sito da F\u00e9; a ordem moral crist\u00e3; a castidade, o matrim\u00f3nio, a fam\u00edlia e a virgindade; a Sagrada Liturgia; os meios de comunica\u00e7\u00e3o social. O elenco mostra por onde andavam as preocupa\u00e7\u00f5es dos Pastores e abre-nos ao caminho feito depois pela Igreja no conc\u00edlio e ap\u00f3s este, fruto das suas alargadas e concretas orienta\u00e7\u00f5es. Se aparecem, neste primeiro elenco, aspetos fundamentais da vida da Igreja, como as Fontes da Revela\u00e7\u00e3o e a Liturgia, a sensibilidade geral vai para os temas de ordem moral, pois que a estes se reduziam, praticamente, as exig\u00eancias do itiner\u00e1rio crist\u00e3o, de cariz e orienta\u00e7\u00e3o clerical.<\/p>\n<p> Outros volumes se seguiram, indicando um total de setenta esquemas. Muitos deles nunca foram discutidos nas sess\u00f5es conciliares, ou porque o tempo n\u00e3o o permitiu, ou porque foram integrados noutros temas mais abrangentes. Alguns bispos pensavam que o Conc\u00edlio se resolvia em dois meses, e verificou-se neles uma certa desilus\u00e3o, quando viram que, terminada a primeira sess\u00e3o em 8 de dezembro de 1962, n\u00e3o se tinha nem sequer ainda aprovado o primeiro tema posto \u00e0 discuss\u00e3o.  <\/p>\n<p>O trabalho sinodal, de que n\u00e3o havia experi\u00eancia na Igreja, \u00e9 sempre moroso para que possa ser s\u00e9rio e conclusivo. O conc\u00edlio seria, tamb\u00e9m, para os bispos e para a Igreja, em geral, um tempo de aprendizagem, onde o lugar dado a todos, \u00e9 sempre mais tempo \u00fatil de renova\u00e7\u00e3o, do que aquele que \u00e9 tomado apenas por alguns, como se, s\u00f3 a eles, o Esp\u00edrito Santo iluminasse e desse a palavra.<\/p>\n<p>S\u00e3o curiosos os dados da participa\u00e7\u00e3o nos \u00faltimos tr\u00eas conc\u00edlios ecum\u00e9nicos. Em Trento reuniram-se 258 bispos e no Vaticano I750, na sua maioria europeus. No Vaticano II, 2560 bispos, assim divididos: mil das Am\u00e9ricas, dos quais metade da Am\u00e9rica Latina; 1000 europeus, dos quais 379 italianos; 300 da \u00c1frica Negra; 300 da \u00c1sia, sendo alguns da Oce\u00e2nia e do mundo \u00e1rabe. Dos 150 bispos dos pa\u00edses sovi\u00e9ticos, \u00e0 maioria n\u00e3o lhes foi permitido sair e participar. Um dado curioso \u00e9 ainda este: das Igrejas crist\u00e3s n\u00e3o-cat\u00f3licas,  estiveram no in\u00edcio 31 convidados, mas, no fim do Concilio eram j\u00e1 93, de 29 Igrejas. Os peritos convidados no princ\u00edpio eram 201, mas o n\u00famero foi crescendo e, no fim, j\u00e1 eram 480, dos quais 42 leigos. \u00c9 bom recordar o sentido destes n\u00fameros, sempre elucidativos, para al\u00e9m das explica\u00e7\u00f5es \u00f3bvias, mormente em rela\u00e7\u00e3o aos conc\u00edlios anteriores.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Logo ap\u00f3s o an\u00fancio da decis\u00e3o de convocar um conc\u00edlio ecum\u00e9nico (25-01-1959), Jo\u00e3o XXIII, atrav\u00e9s do seu primeiro colaborador, o Cardeal Tardini, Secret\u00e1rio de Estado, deu, de imediato, in\u00edcio aos trabalhos de prepara\u00e7\u00e3o. Via-se que o Papa tinha urg\u00eancia que assim fosse. 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