{"id":1924,"date":"2010-06-23T16:38:00","date_gmt":"2010-06-23T16:38:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=1924"},"modified":"2010-06-23T16:38:00","modified_gmt":"2010-06-23T16:38:00","slug":"autoridade-e-servico-um-binomio-dificil-de-conjugar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/autoridade-e-servico-um-binomio-dificil-de-conjugar\/","title":{"rendered":"Autoridade e servi\u00e7o, um bin\u00f3mio dif\u00edcil de conjugar"},"content":{"rendered":"<p>A linguagem corrente traduz autoridade por poder e dom\u00ednio sobre os outros. O povo at\u00e9 diz que \u201cquem tem a autoridade, tem o poder na m\u00e3o\u201d. Deste modo, pretende significar que \u201co senhor\u201d pode fazer tudo o que quer e que s\u00f3 n\u00e3o o faz se n\u00e3o quer.<\/p>\n<p>Este conceito generalizou-se e parece que j\u00e1 ningu\u00e9m concebe a autoridade de outra maneira ou com outro sentido. \u00c9 o dito terr\u00edvel, mort\u00edfero e injusto que por a\u00ed se v\u00ea proclamar e sem apelo: \u201cEu \u00e9 que sei\u2026 Eu \u00e9 que mando!\u201d<\/p>\n<p>A tenta\u00e7\u00e3o do poder sente-se na pol\u00edtica, na religi\u00e3o, na fam\u00edlia, na escola, na empresa. Onde quer que se encontre algu\u00e9m que tenha orgulho de ter outro ou outros sob o seu dom\u00ednio e em quem mande, a\u00ed a tenta\u00e7\u00e3o de n\u00e3o deixar que se respire e viva \u00e0 sua volta.<\/p>\n<p>O facto de se fazerem campanhas cegas e aguerridas, como acontece no mundo da pol\u00edtica, para conquistar o poder, concorre, uma vez conquistado, para que se pense e se mande, de modo arbitr\u00e1rio e absoluto, sem ouvir nem dar contas do que se faz ou n\u00e3o faz, e do modo como se faz. \u00c0 medida, por\u00e9m, que se ganha consci\u00eancia democr\u00e1tica e de cidadania, surgem leis a dizer que o poder p\u00fablico n\u00e3o \u00e9 nem pode ser ilimitado e caprichoso, mas tem de estar pr\u00f3ximo das pessoas, orientar-se para o bem comum e dele se dar conta, sempre sujeito a ser apreciado e julgado.<\/p>\n<p>Os pol\u00edticos pensam que este julgamento apenas se faz nas elei\u00e7\u00f5es e dizem isso com frequ\u00eancia. Negam-se por isso a receber li\u00e7\u00f5es ou advert\u00eancias de quem quer que seja. Eles s\u00e3o quem manda. Neste contexto, ganha campo a tirania das maiorias e, \u00e0 luz destas, se subverte todo o sentido da autoridade, pois que esta nunca se engana, tem sempre raz\u00e3o, orienta a vida como se tudo o que decide e faz fosse sempre o melhor para o povo. No poder ou na oposi\u00e7\u00e3o, a tenta\u00e7\u00e3o \u00e9 real, permanente e de muitos.<\/p>\n<p>Na Igreja tamb\u00e9m existe a tenta\u00e7\u00e3o do poder. Faz com que uns andem em bicos dos p\u00e9s ou colados aos chefes, e outros calados mas sempre a espreitar a sua oportunidade. <\/p>\n<p>Est\u00e1 bem claro que toda a autoridade, onde quer que se exer\u00e7a, s\u00f3 se pode traduzir por servi\u00e7o. A verdade \u00e9 que as categorias profanas entraram no agir de muita gente que se esquece de que, na Igreja, a hierarquia, que se traduz por poder sagrado, s\u00f3 se justifica como servi\u00e7o, sempre a visar a constru\u00e7\u00e3o do Reino de Deus e o bem da comunidade. Nunca como uma aquisi\u00e7\u00e3o pessoal, com tiques de autoritarismo e de honras.<\/p>\n<p>Recentemente, Bento XVI, ao denunciar, mais uma vez, a tenta\u00e7\u00e3o do \u201ccarreirismo\u201d que leva ao poder \u00e0 base de influ\u00eancias, pr\u00f3prias ou alheias, com ind\u00edcios de um mal\u00e9fico nepotismo, ou de se pensar o poder como conquista pessoal, insistiu que, na Igreja, autoridade e hierarquia s\u00e3o, sempre e s\u00f3, uma express\u00e3o de servi\u00e7o. <\/p>\n<p>A atitude de servi\u00e7o nunca permite um poder pessoal arbitr\u00e1rio, como se a nomea\u00e7\u00e3o, quando o cargo envolve exerc\u00edcio de autoridade, fizesse do seu detentor dono do que quer que seja ou de quem quer que seja. Ningu\u00e9m \u00e9, nem pode ser, dono de algu\u00e9m<\/p>\n<p>Um mistura triste do sagrado e do profano, com o poder civil a invadir o templo, levou, historicamente, a situa\u00e7\u00f5es an\u00f3malas e a desvios que perduraram nas pessoas e nas comunidades, como um modo de aceder e exercer a autoridade, alheio ao Evangelho. <\/p>\n<p>A autoridade, como servi\u00e7o, n\u00e3o abafa as pessoas, f\u00e1-las crescer. N\u00e3o visa o bem pr\u00f3prio, procura realizar o bem comum. N\u00e3o impede nem dificulta a liberdade de opini\u00e3o e de ac\u00e7\u00e3o, fomenta-a. N\u00e3o \u00e9 frui\u00e7\u00e3o de um poder, mas servi\u00e7o pedido e confiado a pessoas, honestas e competentes, inteligentes e dialogantes. <\/p>\n<p>Na Igreja n\u00e3o h\u00e1 promo\u00e7\u00f5es em ordem a uma progress\u00e3o na carreira. H\u00e1 escolha sensata e apelo directo a pessoas para a realiza\u00e7\u00e3o de um servi\u00e7o fundamental \u00e0 comunidade. H\u00e1 o eco permanente da palavra de Jesus Cristo que disse n\u00e3o ter vindo para ser servido, mas para servir e dar a vida por todos. Este o c\u00f3digo que rege todo o exerc\u00edcio do poder.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A linguagem corrente traduz autoridade por poder e dom\u00ednio sobre os outros. O povo at\u00e9 diz que \u201cquem tem a autoridade, tem o poder na m\u00e3o\u201d. Deste modo, pretende significar que \u201co senhor\u201d pode fazer tudo o que quer e que s\u00f3 n\u00e3o o faz se n\u00e3o quer. 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