{"id":1928,"date":"2010-06-30T15:08:00","date_gmt":"2010-06-30T15:08:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=1928"},"modified":"2010-06-30T15:08:00","modified_gmt":"2010-06-30T15:08:00","slug":"a-crianca-e-o-jovem-precisam-de-uma-visao-de-conjunto-para-as-suas-opcoes-de-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/a-crianca-e-o-jovem-precisam-de-uma-visao-de-conjunto-para-as-suas-opcoes-de-vida\/","title":{"rendered":"&#8220;A crian\u00e7a e o jovem precisam de uma vis\u00e3o de conjunto para as suas op\u00e7\u00f5es de vida&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Elisa Urbano, advogada de forma\u00e7\u00e3o, m\u00e3e de quatro filhos e professora de EMRC em S\u00e3o Bernardo, \u00e9 desde h\u00e1 sete anos directora do Secretariado de Diocesano do Ensino Religioso nas Escolas (SDERE), que, entre outras fun\u00e7\u00f5es, coloca os professores de EMRC, nomeados pelo Bispo de Aveiro e contratados pelas escolas. Prestes a concluir um mestrado em Educa\u00e7\u00e3o, Elisa Urbano fala da evolu\u00e7\u00e3o da frequ\u00eancia da EMRC e destaca a import\u00e2ncia da disciplina para um \u201ccrescimento harmonizado e integrado\u201d. Entrevista conduzida por Jorge Pires Ferreira<\/p>\n<p>CORREIO DO VOUGA &#8211; Como est\u00e1 a disciplina de EMRC (Educa\u00e7\u00e3o Moral e Religiosa Cat\u00f3lica) nas escolas da \u00e1rea da Diocese de Aveiro?<\/p>\n<p>ELISA URBANO \u2013 Depende muito das escolas, dos directores das escolas e do ambiente \u00e0 volta das escolas. Mas estou optimista nestes dois \u00faltimos anos porque se inverteu a tend\u00eancia de descida de frequ\u00eancia da disciplina. Do 5.\u00ba ano ao 12.\u00ba, frequentam a EMRC 53,2%  dos alunos. H\u00e1 sete anos, quando assumi a direc\u00e7\u00e3o do SDERE (Secretariado do Ensino Religioso nas Escolas), a frequ\u00eancia andava pelos 57%. Ou seja, a frequ\u00eancia tem vindo a diminuir, mas em rela\u00e7\u00e3o ao ano passado houve um aumento de 0,9%. Por concelhos, h\u00e1 maior frequ\u00eancia em Albergaria (78 %), Vagos (76 %) e Estarreja (71 %), e menor em Aveiro (33 %), Anadia (48 %) e \u00c1gueda (49 %).<\/p>\n<p>Em n\u00fameros absolutos, o que significam estes 53,2%?<\/p>\n<p>Significam que da popula\u00e7\u00e3o de 19.197 alunos do 5.\u00ba ao 12.\u00ba, nas escolas da \u00e1rea da Diocese de Aveiro [10 concelhos\/arciprestados], 10.213 est\u00e3o matriculados na disciplina. No 5.\u00ba ano, a frequ\u00eancia \u00e9 maior. Depois, vai descendo. Do 7.\u00ba para o 8.\u00ba, a descida \u00e9 m\u00ednima. Do 8.\u00ba para o 9.\u00ba aumenta ligeiramente. No Secund\u00e1rio (10.\u00ba, 11.\u00ba e 12.\u00ba), d\u00e1-se a grande quebra. A m\u00e9dia de frequ\u00eancia, nos tr\u00eas anos, \u00e9 de 16%.<\/p>\n<p>Que raz\u00f5es levam os alunos a deixarem de ter EMRC no Secund\u00e1rio?<\/p>\n<p>Penso que h\u00e1 v\u00e1rias causas. A principal ter\u00e1 a ver com o aumento da dura\u00e7\u00e3o da aula de 45 para 90 minutos. O que \u00e0 partida era uma boa not\u00edcia \u2013 e penso na minha situa\u00e7\u00e3o, porque, sendo professora do 3.\u00ba ciclo vejo que uma aula de 45 minutos fica reduzida a pouco tempo \u00fatil de aula \u2013 tornou-se, pelas circunst\u00e2ncias, uma complica\u00e7\u00e3o. Porque s\u00e3o menos alunos e h\u00e1 dificuldades em juntar v\u00e1rias turmas, os 90 minutos de aula acabam por ser encaixados num hor\u00e1rio que interessa a poucos: segunda de manh\u00e3 \u00e0s 8h30, quando o resto da turma entra \u00e0s 10h; ou na hora do almo\u00e7o. Os outros v\u00e3o comer e os \u201cnossos\u201d ficam para a aula. Nalgumas escolas, muito sujeitas a transportes \u2013 o que n\u00e3o \u00e9 o caso de Aveiro, mas \u00e9 o de Anadia \u2013 ter EMRC pode significar n\u00e3o ter transporte p\u00fablico, pelo que a disciplina \u00e9 sacrificada. Mas em Albergaria, por exemplo, com os 90 minutos, a aula viu a sua frequ\u00eancia aumentar.<\/p>\n<p>O perfil do professor conta para a frequ\u00eancia destas aulas que s\u00e3o de oferta obrigat\u00f3ria, mas de frequ\u00eancia facultativa? <\/p>\n<p>\u00c0s vezes perguntamos a brincar: \u201cSe os alunos escolhessem, quantos \u00e9 que frequentavam a Matem\u00e1tica?\u201d O aluno [ou os pais] escolhe a disciplina e h\u00e1 alguma influ\u00eancia do trabalho desenvolvido pelo professor, mas n\u00e3o devemos exagerar nisso. \u00c9 uma carga muito grande para o professor. No Secund\u00e1rio, o perfil din\u00e2mico \u00e9 importante porque os alunos t\u00eam de estar envolvidos e participativos. Estou a pensar, por exemplo, na Secund\u00e1ria da \u00cdlhavo, que envolve os alunos em projectos de solidariedade com Cabo Verde, ou na de Jos\u00e9 Est\u00eav\u00e3o (Aveiro), com as suas idas a Taiz\u00e9 ou a Compostela. Os alunos t\u00eam que concretizar, pelo que as aulas podem estar mais vocacionadas para a miss\u00e3o e o voluntariado. Penso que estas din\u00e2micas s\u00e3o importantes para manter e aumentar a frequ\u00eancia da EMRC.<\/p>\n<p>Actividades como a Semana da Disciplina (ao n\u00edvel de cada escola) ou o encontro Inter-Escolas (a n\u00edvel da regi\u00e3o) s\u00e3o importantes para que os alunos escolham EMRC?<\/p>\n<p>O Inter-Escolas realizou em Abril passado a X edi\u00e7\u00e3o, em Anadia. Estamos a pensar editar um DVD com fotografias. Para ver como estamos mais gordos nestes dez anos (risos). O Inter-Escolas come\u00e7ou com a Ir. Salom\u00e9, franciscana, que tinha a experi\u00eancia dos encontros das escolas cat\u00f3licas, com apenas 30 alunos. Foi crescendo e, na \u00faltima edi\u00e7\u00e3o, eram 3400. A import\u00e2ncia do encontro \u2013 podendo haver um ou outro aluno que se matricule por causa dessa festa \u2013 est\u00e1, por exemplo, em empenhar professores de outras disciplinas na sua organiza\u00e7\u00e3o. N\u00e3o seria poss\u00edvel sem a colabora\u00e7\u00e3o de mais professores. Ora, estes professores, muitos deles directores de turma, tornam-se aliados da disciplina. O encontro ajuda a desfazer uma certa ideia de EMRC que por vezes tem mais de 30 anos, quando a aula era muito semelhante a catequese. Estes professores, no momento das matr\u00edculas, podem ajudar a esclarecer os pais. H\u00e1 um direito a ser esclarecido e os directores de turma t\u00eam essa fun\u00e7\u00e3o. Da parte dos directores das escolas, tenho sentido muito apoio para a EMRC.<\/p>\n<p>H\u00e1 diferen\u00e7as no comportamento dos alunos que t\u00eam EMRC? H\u00e1 dados?<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 dados, mas h\u00e1 algumas ideias e factos. No ano passado, falando com a PSP de Aveiro, ap\u00f3s o Inter-Escolas, disseram-me que estavam bem impressionados com o comportamento correcto dos mais de 3000 alunos. N\u00e3o houve qualquer problema. Ora, n\u00f3s sabemos que por vezes os condutores de autocarro metem as m\u00e3os \u00e0 cabe\u00e7a quando v\u00eaem entrar os alunos. H\u00e1 viagens em que os alunos destroem tudo, cintos, bancos\u2026 Os alunos saem da escola\u2026 e h\u00e1 problemas. No nosso encontro, n\u00e3o houve disparates, como salientou a PSP. Naturalmente, isto tem a ver com os valores assumidos. Outro facto: nos conselhos de turma, quando se analisa o caso de um aluno problem\u00e1tico, surge logo a pergunta: \u201cTem Moral? Pois, v\u00ea-se logo que n\u00e3o tem Moral\u201d. Os mais problem\u00e1ticos n\u00e3o est\u00e3o inscritos na disciplina, o que \u00e9 uma pena. Estamos convencidos de que a disciplina ajuda. Por isso, na minha escola [EB2.3 de S\u00e3o Bernardo] estamos a pensar trazer antigos alunos para dar testemunho. E \u2013 outro exemplo &#8211;  foi com muita alegria que encontrei na Torreira uma professora [de outra disciplina] que tinha sido minha aluna em Estarreja, em 1984\/85, no primeiro ano em que dei aulas. Ela lembrava-se de coisas que t\u00ednhamos feito de que eu j\u00e1 n\u00e3o fazia a m\u00ednima ideia. \u00c9 s\u00f3 um sinal de que a disciplina marca.<\/p>\n<p>Apesar de tudo ainda persiste a confus\u00e3o entre EMRC e catequese. Ou n\u00e3o?<\/p>\n<p>J\u00e1 n\u00e3o penso tanto que seja confus\u00e3o. Agora \u00e9 mais desculpa [para n\u00e3o frequentar uma ou outra]. O P.e Costa Leite fez um desdobr\u00e1vel que esclarecia bem. H\u00e1 diferen\u00e7a de meios. A catequese \u00e9 na par\u00f3quia. A EMRC \u00e9 na escola. E diferen\u00e7a de objectivos. A catequese est\u00e1 direccionada para uma viv\u00eancia crist\u00e3 e culmina em sacramentos. A EMRC quer fazer a liga\u00e7\u00e3o entre a cultura e a f\u00e9. H\u00e1 alunos que n\u00e3o s\u00e3o crentes, mas que querem conhecer e fazer a experi\u00eancia dos valores. Temos, ali\u00e1s, pelo menos um aluno budista, em Vagos, e uma aluna mu\u00e7ulmana, em Aveiro.<\/p>\n<p>Mas o factor \u201cf\u00e9\u201d n\u00e3o \u00e9 determinante?<\/p>\n<p>A nossa miss\u00e3o \u00e9 sermos \u201cpescadores de homens\u201d. Somos presen\u00e7a da Igreja Cat\u00f3lica na escola. N\u00e3o se trata de uma disciplina de forma\u00e7\u00e3o c\u00edvica. Temos a miss\u00e3o de levar \u00e0 ades\u00e3o a Cristo, mas esta faz-se real\u00e7ando a liga\u00e7\u00e3o entre a f\u00e9 e a cultura. A forma como a disciplina est\u00e1 pensada permite que se aceitem jovens que n\u00e3o t\u00eam caminhada de f\u00e9 crist\u00e3. D\u00e1-se na EMRC um conhecimento que pode levar \u00e0 op\u00e7\u00e3o de f\u00e9.<\/p>\n<p>A EMRC n\u00e3o substitui, portanto, a catequese?<\/p>\n<p>Claro que n\u00e3o. A educa\u00e7\u00e3o humana e crist\u00e3 acontece 24 horas por dia. Todo o ambiente deve ser de educa\u00e7\u00e3o, na fam\u00edlia, na escola e na catequese \u2013 os tr\u00eas espa\u00e7os por onde anda a crian\u00e7a. Porque a ci\u00eancia p\u00f5e quest\u00f5es, porque h\u00e1 problemas levantados noutras disciplinas, a EMRC \u00e9 necess\u00e1ria para um crescimento harmonizado e integrado. A crian\u00e7a e o jovem n\u00e3o est\u00e3o partidos aos bocados. Precisam de uma vis\u00e3o de conjunto para que fa\u00e7am op\u00e7\u00f5es de vida. \u00c9 nesse \u00e2mbito que surge a EMRC. Todos os ambientes t\u00eam de estar articulados e em rede. Por isso se fala cada vez mais de \u201ccidades educadoras\u201d. E isto tamb\u00e9m se aplica \u00e0 Igreja. Caso contr\u00e1rio, s\u00f3 temos ap\u00eandices que n\u00e3o educam.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Elisa Urbano, advogada de forma\u00e7\u00e3o, m\u00e3e de quatro filhos e professora de EMRC em S\u00e3o Bernardo, \u00e9 desde h\u00e1 sete anos directora do Secretariado de Diocesano do Ensino Religioso nas Escolas (SDERE), que, entre outras fun\u00e7\u00f5es, coloca os professores de EMRC, nomeados pelo Bispo de Aveiro e contratados pelas escolas. 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