{"id":19284,"date":"2012-02-15T15:57:00","date_gmt":"2012-02-15T15:57:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=19284"},"modified":"2012-02-15T15:57:00","modified_gmt":"2012-02-15T15:57:00","slug":"o-espirito-e-a-geografia-curial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/o-espirito-e-a-geografia-curial\/","title":{"rendered":"O Esp\u00edrito e a geografia curial"},"content":{"rendered":"<p>JO\u00c3O AGUIAR CAMPOS<\/p>\n<p>Padre. Jornalista<\/p>\n<p>Realiza-se, dentro de dias, o IV Consist\u00f3rio do papado de Bento XVI. Nele ser\u00e3o criados 22 novos cardeais.<\/p>\n<p>Em Portugal olhamos para o acontecimento com um misto de alegria nacional e eclesial, pois entre os eleitos est\u00e1 o vimaranense D. Manuel Monteiro de Castro.<\/p>\n<p>\u00c9 normal este regozijo. \u00c9, ali\u00e1s, compreens\u00edvel que, especialmente em momentos de crise, todos os pretextos sejam bons para levantar o ego e fazer festa. Com uma ressalva, por\u00e9m: que n\u00e3o se esque\u00e7am, nas dobras do bairrismo, os m\u00e9ritos do eleito &#8211; uma vez que a sua escolha pressup\u00f5e uma vida pautada por s\u00e3 doutrina, costumes, piedade e prud\u00eancia. Nem se desvalorize, na alus\u00e3o a trabalhos espec\u00edficos, a grande responsabilidade de eleger um novo Papa; nem esse outro papel que Bento XVI fez quest\u00e3o de apontar no an\u00fancio do Consist\u00f3rio: \u00abOs Cardeais t\u00eam a tarefa de ajudar o Sucessor de Pedro no cumprimento do seu Minist\u00e9rio de confirmar os irm\u00e3os na f\u00e9 e de ser o princ\u00edpio e fundamento da unidade e da comunh\u00e3o da Igreja\u00bb.<\/p>\n<p>Dito isto, uma palavra para as neblinas em torno da reuni\u00e3o de 18 de fevereiro; sobretudo as que se erguem dos vales de quantos gostam, tamb\u00e9m na vida da Igreja, de an\u00e1lises geoestrat\u00e9gicas e estat\u00edsticas\u2026<\/p>\n<p>Concorde-se ou n\u00e3o, a verdade \u00e9 que em torno da escolha dos novos cardeais abundam leituras e interpreta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Real\u00e7am, uns, o peso dos italianos e dos funcion\u00e1rios da C\u00faria e, em contrapartida, uma menor \u00abconsidera\u00e7\u00e3o\u00bb pelas Igrejas de \u00c1frica e Am\u00e9rica Latina, falando mesmo em \u00abescassa universalidade\u00bb. Outros, ou os mesmos, analisam o perfil dos eleitos, para conclu\u00edrem que a presen\u00e7a de gestores ultrapassa a de te\u00f3logos.<\/p>\n<p>Se se atender aos n\u00fameros, estes parecem dar raz\u00e3o a quem assim pensa. Entendo, por\u00e9m, que \u00e9 injusto considerar que o Papa est\u00e1 distra\u00eddo ou menos interessado no contributo que pode receber de quem vive geograficamente mais longe ou se confronta com realidades diversas. Mas creio, sobretudo, que o Esp\u00edrito continua a ser capaz de entrar em todas as salas, estejam ou n\u00e3o abertas as portas, suscitando impertin\u00eancias que nunca O deixam prisioneiro.<\/p>\n<p>Sem prescindir, por isso, do leg\u00edtimo desejo de ver no Col\u00e9gio de Cardeais mais Padres e Pastores de Igrejas particulares, fa\u00e7o minha a ora\u00e7\u00e3o de Louis Fromy, leitor do \u201cLa Croix\u201d: \u00abQue o Esp\u00edrito inspire aos cardeais um sensus ecclesiae atual, realista e&#8230; mission\u00e1rio\u00bb.<\/p>\n<p>Isto vence qualquer \u00abgeografia curial\u00bb.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>JO\u00c3O AGUIAR CAMPOS Padre. Jornalista Realiza-se, dentro de dias, o IV Consist\u00f3rio do papado de Bento XVI. Nele ser\u00e3o criados 22 novos cardeais. Em Portugal olhamos para o acontecimento com um misto de alegria nacional e eclesial, pois entre os eleitos est\u00e1 o vimaranense D. 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