{"id":19286,"date":"2012-02-15T16:00:00","date_gmt":"2012-02-15T16:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=19286"},"modified":"2012-02-15T16:00:00","modified_gmt":"2012-02-15T16:00:00","slug":"formacao-adequada-e-participacao-ativa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/formacao-adequada-e-participacao-ativa\/","title":{"rendered":"Forma\u00e7\u00e3o adequada e participa\u00e7\u00e3o ativa"},"content":{"rendered":"<p>Um princ\u00edpio conciliar muito claro e exigente, expresso na Constitui\u00e7\u00e3o da Liturgia, refere-se \u00e0 consci\u00eancia necess\u00e1ria da Igreja e dos crist\u00e3os, em geral, de que \u00e9 \u201catrav\u00e9s da liturgia que se atua e opera a nossa reden\u00e7\u00e3o\u201d. Assim se pode dizer que os crentes s\u00f3 podem fazer a experi\u00eancia completa do mist\u00e9rio pascal de Cristo mediante a sua participa\u00e7\u00e3o na liturgia da Igreja. H\u00e1 uma unidade indissol\u00favel entre o dom de Deus que vem at\u00e9 n\u00f3s e nos santifica e a a\u00e7\u00e3o cultual da Igreja, que significa ir ao encontro desse dom para acolher, louvar e agradecer. Esta unidade traduz-se na centralidade do mist\u00e9rio pascal e na presen\u00e7a de Cristo na Igreja. \u201cCristo est\u00e1 presente na sua Igreja, muito especialmente nas ac\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas\u201d, assim diz o Conc\u00edlio.<\/p>\n<p>A natureza da liturgia e dos seus efeitos tornou-se mais expressiva na f\u00f3rmula, j\u00e1 antes citada e, hoje, muitas vezes repetida: \u201cA liturgia \u00e9 o ponto mais alto para o qual tende a vida e a\u00e7\u00e3o da Igreja e, ao mesmo tempo, a fonte de onde dimana toda a sua for\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p>Para a melhor compreens\u00e3o desta realidade, o Conc\u00edlio logo sentiu a necessidade de indicar dois caminhos complementares para orientar toda a renova\u00e7\u00e3o: a forma\u00e7\u00e3o lit\u00fargica dos crist\u00e3os e a sua participa\u00e7\u00e3o ativa nas celebra\u00e7\u00f5es. Um e outro iriam depender da hierarquia, dado que ela \u00e9 um servi\u00e7o permanente ao Povo de Deus. <\/p>\n<p>Esta exig\u00eancia impunha-se ent\u00e3o e continua a impor-se hoje. A hist\u00f3ria foi esvaziando o sentido e a riqueza das celebra\u00e7\u00f5es eucar\u00edsticas e das celebra\u00e7\u00f5es sacramentais, n\u00e3o s\u00f3 porque as tornou fechadas pela l\u00edngua, pela situa\u00e7\u00e3o do altar, pela escurid\u00e3o dos templos, pelas homilias desfasadas da vida, pela falta de uma catequese pr\u00e9via e adequada&#8230; Tudo isto contribuiu para que o cumprimento legalista e frio do preceito se fosse sobrepondo ao crescimento espiritual, \u00e0 viv\u00eancia pessoal e comunit\u00e1ria da f\u00e9, e ao compromisso apost\u00f3lico e, no fundo, \u00e0 inten\u00e7\u00e3o de adora\u00e7\u00e3o e louvor pela assembleia celebrante.<\/p>\n<p>A seguir ao Conc\u00edlio houve, em muitos aspetos, uma manifesta\u00e7\u00e3o positiva quanto \u00e0 renova\u00e7\u00e3o lit\u00fargica das celebra\u00e7\u00f5es em curso. Certamente, contribu\u00eda para tal o uso da l\u00edngua comum, os novos minist\u00e9rios, o acesso \u00e0 B\u00edblia e aos livros lit\u00fargicos, os encontros de forma\u00e7\u00e3o a n\u00edvel diocesano e nacional e, tamb\u00e9m, o conhecimento do que se ia fazendo por toda a Igreja. Por\u00e9m, o caminho apresentado n\u00e3o foi sempre andado, ordenadamente, por todos. Algumas par\u00f3quias apanharam o mais c\u00f3modo e simples e ficaram por a\u00ed. Nestes casos, a renova\u00e7\u00e3o foi pouco mais que ato de cosm\u00e9tica. Ao rever-se o tempo decorrido ao longo destes anos, nunca \u00e9 demais insistir na necessidade da promo\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o lit\u00fargica e da participa\u00e7\u00e3o consciente e ativa dos crist\u00e3os nas celebra\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O motivo da forma\u00e7\u00e3o est\u00e1, al\u00e9m do mais, na exig\u00eancia de compreens\u00e3o de que \u201cnenhuma outra a\u00e7\u00e3o da Igreja iguala a liturgia na garantia de efic\u00e1cia\u201d. Formar ou educar significa capacitar os crist\u00e3os para que possam, de modo vivencial, entrar em contacto com a pr\u00f3pria ess\u00eancia do mist\u00e9rio crist\u00e3o. Mais do que uma doutrina a aprender, a Liturgia \u00e9 \u201cuma fonte inesgot\u00e1vel de vida e de luz para a intelig\u00eancia e para a experi\u00eancia do mist\u00e9rio de Cristo\u201d. A viv\u00eancia lit\u00fargica do crist\u00e3o tem uma rela\u00e7\u00e3o com a qualidade da sua vida de f\u00e9 e com o que testemunha e transmite. Diz o Conc\u00edlio que os crist\u00e3os devem \u201cexprimir na vida, quanto receberam mediante a f\u00e9\u201d.<\/p>\n<p>A forma\u00e7\u00e3o facilita e leva \u00e0 melhor participa\u00e7\u00e3o dos crentes. Este \u00e9 um dos pontos mais marcantes da Constitui\u00e7\u00e3o. As celebra\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas n\u00e3o s\u00e3o cerim\u00f3nias a que se assiste, mas acontecimentos pascais do presente, que se vivem e nos quais se toma parte ativa e frutuosa. Certamente que se chega \u00e0 participa\u00e7\u00e3o plena, gradualmente, por um processo de educa\u00e7\u00e3o e compreens\u00e3o. Muita gente gostava do sil\u00eancio e n\u00e3o suportava que ele fosse cortado pelos c\u00e2nticos ou outras interven\u00e7\u00f5es. Aprender a responder \u00e0s sauda\u00e7\u00f5es e \u00e0s leituras proclamadas \u00e9 entrar no sentido comunit\u00e1rio da celebra\u00e7\u00e3o. Um dia, fruto desta educa\u00e7\u00e3o paciente, se chegar\u00e1 \u00e0 forma mais perfeita da participa\u00e7\u00e3o, a comunh\u00e3o eucar\u00edstica. O crist\u00e3o que celebra a sua f\u00e9 deve ter presente que a apropria\u00e7\u00e3o pessoal do que se realiza na assembleia celebrante, que \u00e9 para si o objetivo fundamental, s\u00f3 o consegue com a participa\u00e7\u00e3o consciente e ativa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um princ\u00edpio conciliar muito claro e exigente, expresso na Constitui\u00e7\u00e3o da Liturgia, refere-se \u00e0 consci\u00eancia necess\u00e1ria da Igreja e dos crist\u00e3os, em geral, de que \u00e9 \u201catrav\u00e9s da liturgia que se atua e opera a nossa reden\u00e7\u00e3o\u201d. 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