{"id":193,"date":"2009-07-22T11:30:00","date_gmt":"2009-07-22T11:30:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=193"},"modified":"2009-07-22T11:30:00","modified_gmt":"2009-07-22T11:30:00","slug":"mercearia-companhia-para-120-familias-de-aveiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/mercearia-companhia-para-120-familias-de-aveiro\/","title":{"rendered":"&#8220;Mercearia &#038; Companhia&#8221; para 120 fam\u00edlias de Aveiro"},"content":{"rendered":"<p>Depois da \u201cCozinha Social\u201d, que fornece refei\u00e7\u00f5es baratas (ou gratuitas), as \u201cFlorinhas\u201d t\u00eam uma loja que d\u00e1 alimentos<\/p>\n<p>A rampa de acesso \u00e0 zona de distribui\u00e7\u00e3o do cabaz \u201cMercearia &#038; Companhia\u201d, destinado a fam\u00edlia carenciadas, j\u00e1 est\u00e1 bem composta. S\u00e3o 14h30, de quarta-feira, dia em que as \u201cFlorinhas do Vouga\u201d abrem as portas do espa\u00e7o destinado a esta opera\u00e7\u00e3o, de resposta concreta \u00e0 crise econ\u00f3mica que se tem agudizado nos \u00faltimos tempos, atacando de forma intensa os mais fragilizados da vida. Este corrupio come\u00e7ou em Mar\u00e7o e n\u00e3o h\u00e1 sinais de que tenha de acabar em breve.<\/p>\n<p>Durante a semana, as t\u00e9cnicas do servi\u00e7o social da institui\u00e7\u00e3o v\u00e3o analisando os casos e determinam a quantidade e variedade de produtos alimentares a fornecer a cada agregado familiar para um m\u00eas. As \u201cFlorinhas do Vouga\u201d ajudam deste modo 120 fam\u00edlias devidamente recenseadas e outras que, na emerg\u00eancia, n\u00e3o podem ficar com fome.<\/p>\n<p>Tudo isto, garante-nos a directora-geral da institui\u00e7\u00e3o, F\u00e1tima Mendes, gra\u00e7as \u00e0 generosidade de empresas e particulares da regi\u00e3o e, ainda, do Banco Alimentar Contra a Fome. A t\u00edtulo de exemplo, uma empresa de congelados, da Gafanha da Nazar\u00e9, oferece, semanalmente, refei\u00e7\u00f5es pr\u00e9-confeccionadas, um lavrador da Vagueira, freguesia da Gafanha da Boa Hora, d\u00e1 legumes e fruta, e particulares entregam outros g\u00e9neros aliment\u00edcios e dinheiro.<\/p>\n<p>Como sublinha o presidente da direc\u00e7\u00e3o das \u201cFlorinhas do Vouga\u201d, com sede em Aveiro, Padre Jo\u00e3o Gon\u00e7alves, \u201cn\u00f3s, aqui, somos apenas intermedi\u00e1rios, entre as pessoas que d\u00e3o e as pessoas que precisam\u201d.<\/p>\n<p>Segundo F\u00e1tima Mendes, a ideia da \u201cMercearia &#038; Companhia\u201d surge com a crise econ\u00f3mica que se instalou no Pa\u00eds. No Bairro de Santiago, a institui\u00e7\u00e3o tem ao dispor dos mais pobres uma \u201cCozinha Social\u201d, com refei\u00e7\u00f5es a 1,50 euros para os que podem pagar e gratuitas para os outros, \u201ca maioria\u201d. Serve, em m\u00e9dia, por dia, 100 almo\u00e7os, e ao jantar um pouco menos. Recentemente, por raz\u00f5es que todos adivinham, o n\u00famero dos que precisam de comer, sem possibilidade de pagar seja o que for, come\u00e7a a aumentar. Esta situa\u00e7\u00e3o torna-se incomport\u00e1vel para os servi\u00e7os da \u201cCozinha\u201d, sem capacidade para atender tanta gente. A op\u00e7\u00e3o passa a seguir por fornecer \u00e0s fam\u00edlias os g\u00e9neros aliment\u00edcios, para confeccionarem as refei\u00e7\u00f5es em suas pr\u00f3prias casas.<\/p>\n<p>Caudal de pedidos de ajuda n\u00e3o tem diminu\u00eddo<\/p>\n<p>De forma t\u00e3o simples, como \u00e0 primeira vista parece, a \u201cMercearia &#038; Companhia\u201d nasce assim. At\u00e9 hoje, sem haver ind\u00edcios de diminuir o caudal de pedidos de ajuda, garante-nos a directora-geral das \u201cFlorinhas\u201d.<\/p>\n<p>F\u00e1tima, m\u00e3e de sete filhos, divorciada h\u00e1 sete anos, tem ainda quatro ao seu cuidado, de 18, 10, 8 e 7 anos, todos a estudar. Trabalha, mas os encargos familiares absorvem-lhe tudo quanto ganha. \u201cE n\u00e3o chega, porque a renda de casa e outras despesas, que n\u00e3o posso evitar, levam quanto ganho\u201d, disse. N\u00e3o tem ajudas de ningu\u00e9m e quando precisa recorre \u00e0s \u201cFlorinhas\u201d. \u201cA vida est\u00e1 cada vez mais dif\u00edcil e se algum de n\u00f3s adoece, tudo se complica; todos os meses venho aqui para em casa n\u00e3o se passar fome\u201d, referiu. E seguiu para o balc\u00e3o de atendimento, porque estava na sua vez. Refei\u00e7\u00f5es pr\u00e9-confeccionadas, arroz, massas, couves, a\u00e7\u00facar, feij\u00e3o e outros produtos que lhe encheram o saco que carrega nos bra\u00e7os.<\/p>\n<p>Muito chorosa est\u00e1 Encarna\u00e7\u00e3o Oliveira, com o saco ainda vazio. Mas as l\u00e1grimas n\u00e3o s\u00e3o pela espera. \u00c9 que no dia 17 de Junho morreu-lhe o seu \u201cmenino, Ricardo Miguel, de 26 anos, deficiente e muito doente\u201d. Tempos antes, a sua hist\u00f3ria, em que pedia uma cadeira de rodas para o seu filho, noticiada no \u201cJornal de Not\u00edcias\u201d, chega a Macau, onde um leitor se compromete a pag\u00e1-la. J\u00e1 n\u00e3o foi preciso, com tristeza para toda a gente envolvida no caso. Agora, s\u00f3 gostaria de pagar a campa onde o seu \u201cmenino\u201d est\u00e1 sepultado. Diz ela que s\u00e3o uns 1500 euros. E l\u00e1 foi para o balc\u00e3o onde s\u00e3o distribu\u00eddos os alimentos, por sol\u00edcitas empregadas que tratam todas as pessoas pelo nome.<\/p>\n<p>Fernando Martins<\/p>\n<p>As \u201cFlorinhas do Vouga\u201d est\u00e3o onde est\u00e3o os mais pobres<\/p>\n<p>A institui\u00e7\u00e3o \u201cFlorinhas do Vouga\u201d nasceu h\u00e1 quase 70 anos, para responder aos problemas sentidos pelas pessoas pobres e desde essa altura n\u00e3o mais esqueceu a sua miss\u00e3o priorit\u00e1ria. \u201cDurante muito tempo, pensou-se que a pobreza de h\u00e1 d\u00e9cadas n\u00e3o era como a pobreza de hoje; mas a verdade \u00e9 que voltamos a encontrar pessoas verdadeiramente com fome, com necessidades; pessoas desempregadas, pessoas com p\u00e9ssimos recursos\u201d. E adianta: \u201c\u00c9 certo que temos o RSI (Rendimento Social de Inser\u00e7\u00e3o), que beneficia muita gente, mas h\u00e1 sempre despesas que ultrapassam esse subs\u00eddio; ali\u00e1s, o problema da fome vive-se c\u00e1 em Aveiro, muito perto de n\u00f3s.\u201d<\/p>\n<p>O Padre Jo\u00e3o, que conhece a regi\u00e3o como as suas m\u00e3os, n\u00e3o deixa de afirmar que as \u201cFlorinhas do Vouga\u201d \u201cest\u00e3o onde est\u00e3o os mais pobres; estamos exactamente na ponta da linha, para responder \u00e0s necessidades prim\u00e1rias, e a alimenta\u00e7\u00e3o \u00e9 uma dessas necessidades\u201d.<\/p>\n<p>Lembrando o conhecido ditado de que \u00e9 melhor dar a cana e ensinar a pescar do que dar o peixe, o director desta IPSS esclarece que est\u00e1 tudo muito certo, mas logo explica que \u201c\u00e9 preciso que haja peixe e rio para pescar com qualidade\u201d, sendo garantido que \u201choje temos tudo muito polu\u00eddo: n\u00e3o h\u00e1 trabalhos, n\u00e3o h\u00e1 possibilidades de as pessoas singrarem sozinhas; por isso, estas realidades exigem respostas imediatas\u201d.<\/p>\n<p>Facilmente se verifica a proximidade existente entre quem recebe e quem d\u00e1. \u201cQuem pede, n\u00e3o s\u00e3o pessoas an\u00f3nimas, porque todas est\u00e3o identificadas e t\u00eam nome; s\u00e3o pessoas realmente carenciadas\u201d, adiantou o Padre Jo\u00e3o Gon\u00e7alves. E refere: \u201cClaro que isto \u00e9 uma ajuda; tamb\u00e9m encaminhamos as pessoas, quando sentimos que \u00e9 preciso e urgente, para outros servi\u00e7os e para outro tipo de respostas sociais.\u201d<\/p>\n<p>A directora-geral afirma ao nosso jornal que esta ac\u00e7\u00e3o mobiliza quatro pessoas, na recolha e distribui\u00e7\u00e3o dos cabazes. Depois dos contactos durante a semana com os eventuais fornecedores, \u00e0s quartas-feiras, de manh\u00e3, deslocam-se onde for preciso para levantar as d\u00e1divas. \u00c0 tarde, tudo tem de estar preparado, para receber as fam\u00edlias com problemas econ\u00f3micos, fundamentalmente marcadas pelo desemprego. \u201cSe lhes fosse dada uma oportunidade de trabalho, n\u00e3o precisariam de nos procurar\u201d, disse.<\/p>\n<p>E sobre o n\u00edvel social destas pessoas, o Padre Jo\u00e3o especifica: \u201cS\u00e3o pessoas de n\u00edvel social m\u00e9dio; pessoas que tinham trabalho e que agora n\u00e3o t\u00eam; n\u00e3o s\u00e3o os tradicionais pedintes.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Depois da \u201cCozinha Social\u201d, que fornece refei\u00e7\u00f5es baratas (ou gratuitas), as \u201cFlorinhas\u201d t\u00eam uma loja que d\u00e1 alimentos A rampa de acesso \u00e0 zona de distribui\u00e7\u00e3o do cabaz \u201cMercearia &#038; Companhia\u201d, destinado a fam\u00edlia carenciadas, j\u00e1 est\u00e1 bem composta. 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